Por que Italo Ferreira e Carissa Moore receberam ‘tábuas de madeira’ como troféu na WSL?

Entenda o significado do troféu diferente recebido por Italo Ferreira na Nova Zelândia

Por que Italo Ferreira e Carissa Moore receberam ‘tábuas de madeira’ como troféu na WSL?

/ WSL

Italo Ferreira e Carissa Moore chamaram atenção muito além das ondas após conquistarem os títulos da etapa da Nova Zelândia da WSL. Isso porque os campeões levantaram troféus completamente diferentes do padrão tradicional do circuito: enormes peças de madeira esculpidas artesanalmente, que lembravam antigas pranchas de surfe.

Além da curiosidade visual, os prêmios entregues em Raglan carregam um significado cultural profundo ligado às tradições māoris, povo indígena originário da Nova Zelândia.

Qual o significado do troféu de Italo Ferreira e Carissa Moore?

As peças entregues aos campeões foram inspiradas nas antigas pranchas polinésias utilizadas pelos povos originários do Pacífico antes mesmo da criação do surf moderno.

De fato, o formato lembra bastante as famosas alaias havaianas, pranchas tradicionais feitas inteiramente em madeira e usadas séculos atrás no Havaí.

Entretanto, a cultura māori também possui modelos semelhantes chamados kopapa, ligados às práticas ancestrais de deslizar sobre as ondas em Aotearoa, nome original da Nova Zelândia.

Além disso, os troféus receberam entalhes tradicionais conhecidos como whakairo, arte típica māori usada para representar ancestralidade, espiritualidade e conexão com a natureza.

Relação espiritual com o mar

Os organizadores da etapa buscaram conectar diretamente o evento às raízes culturais da região de Raglan, chamada originalmente de Whāingaroa pelos povos indígenas locais.

Dessa forma, os troféus também simbolizam a ligação espiritual com Tangaroa, divindade do mar na tradição māori.

Durante toda a competição, a WSL trouxe elementos culturais da Nova Zelândia para dentro do evento, desde cerimônias até detalhes artísticos espalhados pela estrutura montada em Raglan.

Por isso, o prêmio acabou virando um dos assuntos mais comentados do Finals Day vencido por Italo Ferreira e Carissa Moore.

Povos māoris já surfavam antes da chegada dos europeus

Embora o Havaí tenha se tornado mundialmente conhecido como berço do surfe moderno, povos māoris já praticavam atividades semelhantes muito antes da colonização europeia na Nova Zelândia.

Relatos históricos apontam que indígenas utilizavam pranchas de madeira, pequenas embarcações e até estruturas improvisadas para deslizar sobre as ondas.

A prática era chamada de whakahekeheke e possuía forte relação espiritual com o oceano.

Entretanto, a colonização britânica no século XIX reduziu bastante essas tradições. Missionários europeus passaram a desencorajar práticas culturais indígenas consideradas pagãs, afetando diretamente costumes ligados ao mar.

Mesmo assim, a tradição nunca desapareceu completamente e permaneceu viva em diferentes regiões da Nova Zelândia.

Troféu viralizou após etapa da Nova Zelândia

Logo após os títulos de Italo Ferreira e Carissa Moore, fãs passaram a comentar nas redes sociais sobre o formato incomum do troféu entregue pela WSL.

Além disso, a peça reforçou ainda mais a identidade única da etapa de Raglan dentro do calendário mundial do surfe.

Visualmente, o prêmio fugiu totalmente do padrão comum do circuito e rapidamente virou destaque entre surfistas e fãs do esporte ao redor do mundo.