“Pensei em jogar meu tênis no Bernardinho, ele acabou com meu sonho”

Campeão olímpico pela Seleção Brasileira, André Heller relembrou a dor de ver o sonho de disputar o Mundial de 2002 acabar após ser cortado por Bernardinho

“Pensei em jogar meu tênis no Bernardinho, ele acabou com meu sonho”

Bernardinho durante uma partida da Seleção Brasileira / Volleyball World

Campeão olímpico com a Seleção Brasileira comandada por Bernardinho, André Heller relembrou um dos momentos mais difíceis da carreira ao falar sobre o corte sofrido antes do Mundial de 2002.

Um dos principais nomes da geração de ouro do vôlei brasileiro, o ex-central revelou que chegou a sentir revolta contra o treinador após perder a vaga na competição disputada na Argentina.

Além disso, André admitiu que aquele episódio acabou mudando completamente sua mentalidade dentro da Seleção Brasileira.

André Heller relembra corte antes do Mundial

Durante entrevista ao canal Superlógica, o ex-jogador contou que Bernardinho precisava definir um corte entre os atletas da posição dias antes da viagem para o Mundial.

Na época, André Heller acreditava que permaneceria entre os convocados, principalmente pelo esforço feito para retornar de lesão.

“Eu tinha passado por um período de lesão, tinha me recuperado, feito sacrifícios e escolhas. Tinha convicção que ele não ia me cortar por todo o contexto”, revelou.

Entretanto, Bernardinho optou pela saída do central, decisão que abalou profundamente o jogador naquele momento.

“Não estava acabando só com minha trajetória para aquele campeonato. Estava acabando com meu sonho, porque você não sabe se vai voltar”, afirmou.

Na sequência, André Heller contou que chegou a imaginar uma reação explosiva logo após ouvir a decisão do treinador da Seleção Brasileira.

“Na hora eu pensei: vou jogar meu tênis. Eu calço 46 e vou jogar na careca dele”, disse.

Apesar da revolta inicial, o ex-jogador explicou que rapidamente percebeu que uma atitude impulsiva poderia prejudicar ainda mais sua carreira.

“Por pior que parecesse, não é fácil ser cortado”, completou.

Bernardinho mudou mentalidade do campeão olímpico

De fato, o episódio acabou se transformando em um divisor de águas para André Heller dentro da Seleção Brasileira.

Após o corte, o ex-central procurou Bernardinho para entender exatamente quais fatores pesaram na decisão da comissão técnica. Segundo ele, o treinador apontou questões técnicas e também problemas relacionados ao comportamento dentro do grupo.

“Ele me falou que eu precisava melhorar meu bloqueio. Essa parte era mais simples. Fui assistir vídeos e estudar. A segunda informação era comportamental. Ele me via exercendo um papel de liderança, mas eu não exercia”, explicou.

Corte virou combustível para ouro olímpico

A partir daquele momento, André afirmou que passou a enxergar a Seleção Brasileira de maneira completamente diferente.

O ex-jogador revelou que deixou de focar apenas no sonho pessoal de ser titular e começou a entender melhor o funcionamento coletivo do grupo comandado por Bernardinho.

“Quando eu fui convocado no ano seguinte, voltei com outro foco. Tirei o foco do meu umbigo. Quando eu entendi que aquele corte não tinha nada a ver comigo, era sobre o bem da equipe. Ele, como líder, precisava escolher quem acreditava que faria a equipe performar melhor”, concluiu.

A mudança de mentalidade deu resultado rapidamente. Dois anos depois, André Heller conquistaria a medalha de ouro olímpica ao lado de Bernardinho nos Jogos de Atenas 2004, entrando definitivamente para a história do vôlei brasileiro.