Paratleta santista busca ajuda

Vinicius Carpov está fazendo financiamento online para competir no RJ.

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30 JUN 2019Por Caroline Souza08h16
Santista busca o bicampeonato de parajiu-jitsu Grand Slam Rio de Janeiro, mas não tem condições de arcar com os custos da viagem.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Vinicius 'Koji' Carpov nasceu com meningomielocele e hidrocefalia. Por conta das duas deficiências congênitas, precisou passar por sete cirurgias até os nove anos de idade. Em 2012, descobriu que era possível praticar uma arte marcial e em 2015, passou a viver exclusivamente como paratleta. 'Koji' - apelido de infância - acabou se tornando, a parte dele "que pode fazer tudo".

Este ano, o jovem de 27 anos foi o primeiro cadeirante da Baixada Santista a conquistar o título National Pro. No Ano passado, foi campeão em outros dois importantes torneios: Abu Dhabi Grand Slam World Tour Rio de Janeiro 2018 e South America Continental Pro (também como primeiro cadeirante da região).

Agora, Carpov busca o bicampeonato de parajiu-jitsu Grand Slam Rio de Janeiro 2019. Mas, sem condições de arcar com os custos da viagem, pede ajuda da população. A vaquinha virtual tem o objetivo de arrecadar R$ 2.286,00.

"Eu já tinha feito um financiamento coletivo ano passado para poder disputar uma competição em Gramado. Como seria perto da temporada de inverno, os valores da viagem estavam bem altos. Acabei conseguindo e, como fui campeão no Grand Slam no Rio de Janeiro em 2018, pensei comigo mesmo: 'por que não tentar novamente?'".

PARATLETA

"Eu conheci a arte suave (jiu-jitsu em japonês) em 2012 graças a dois amigos, mas nunca imaginei que uma pessoa com deficiência pudesse treinar, pois, naquela época, não existia registros disso", comenta Carpov. "Aprender a me defender foi algo que eu não esperava. O jiu-jitsu acaba te dando uma confiança", completa.

Em janeiro de 2018, o jovem começou a fazer parte da equipe brasileira de parajiu-jitsu e, no mesmo ano, conquistou o título do Grand Slam. "Lutar na Arena Carioca 1, onde foi realizada as Olimpíadas e Paralimpíadas, foi um sonho e não tenho palavras para dizer o significado de ser campeão onde meus ídolos já pisaram e foram campeões".

Koji também é paratleta competidor da equipe Dojô Leão/NS Brotherhood, em Santos.

Vinicius reitera que, por mais que o jiu-jitsu seja uma arte marcial adaptada, "ainda é algo que as pessoas no geral assistem e pensam "não é pra mim", mas muito pelo contrário".

DEFICIÊNCIA

A meningomielocele é um defeito congênito que afeta a espinha dorsal. Carpov nasceu com uma parte das costas aberta, na altura da lombar, prejudicando a parte motora dos membros inferiores de seu corpo. Já a hidrocefalia é o acúmulo de líquido dentro do crânio.

Contudo, ele nunca deixou que isso o impedisse de lutar. "Acredito que a deficiência está muito mais no que os outros veem. Se a pessoa acha que não vai conseguir, ela realmente não vai. Eu tenho uma deficiência física, mas isso nunca me impediu em nada. Até hoje muita gente fica impressionada sobre eu ser paratleta de uma arte marcial de contato total".

VAQUINHA

O financiamento coletivo virtual segue até o dia 15 de setembro no site www.vakinha.com.br/vaquinha/584966. Os interessados em ajudar podem doar a partir de R$ 25,00. Quem quiser pode entrar em contato com o paratleta pelas redes sociais www.instagram.com/viniciuscarpov e www.facebook.com/viniciuscarpovoficial.

A vaquinha vai custear hospedagem, transporte e passagens para o Rio de Janeiro. A competição será realizada entre os dias 1 e 3 de novembro, no feriado de finados, o que encarece os custos.

"Eu espero conseguir ir e conquistar o bicampeonato para a minha equipe e para a minha cidade. Este é o título mais importante do parajiujitsu em solo nacional e, por ser o único cadeirante da Baixada Santista que compete na modalidade, será novamente uma realização enorme estar lá", finalizou.

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