Papo de Domingo: Atleta faz história nos Jogos olímpicos

Ciclista da Memorial, de Santos, Gideoni Monteiro pôs fim a tabu de 24 anos sem um representante do Brasil no cicilismo de pista

Após entrevista com a judoca Maria Suellen Altheman, o Diário do Litoral traz na edição de hoje um novo personagem que representará a Baixada Santista nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. Desta vez o Papo de Domingo Olímpico é com o ciclista Gideoni Monteiro, atleta que compete por Santos há dois anos. Ele participará pela primeira vez da competição e será o único representante do Brasil na prova de ciclismo de pista, na categoria Omnium.

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Com a vaga assegurada, Gideoni, que é natural de Groaíras (CE), entrou para a história do ciclismo nacional por encerrar um longo jejum de 24 anos. O Brasil não conta com um atleta na prova desde as Olimpíadas de Barcelona, em 1992. O último representante canarinho foi o ex-ciclista Fernando Louro.  De lá pra cá, nenhum outro conseguiu levar o país ao maior evento poliesportivo. Coube à Gideoni pôr fim ao tabu.

A tão sonhada vaga foi garantida no último dia de disputa do Mundial realizado em Londres, em março deste ano.  O campeonato era a última chance do cearense somar pontos no ranking olímpico. Apenas os 18 melhores países garantiriam as vagas. De forma surpreendente,  o atleta da Memorial, de Santos, encerrou a prova na 18ª posição, deixando o Brasil na 15ª colocação geral, à frente de adversários como Espanha e ­Canadá.

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Agora, o atleta, que foi medalha de bronze nos Jogos Pan Americanos, em 2015, vive os últimos momentos antes da participação nos Jogos do Rio. Ele está em fase final de preparação, mas conseguiu um tempo para bater um papo com o DL. Em entrevista, Gideoni falou sobre o início no esporte, a emoção em entrar na história da modalidade, além da ansiedade na busca por um ótimo resultado na competição. Acompanhe:

Diário do Litoral – Onde surgiu a paixão pelo ­ciclismo?
Gideoni Monteiro –
Eu comecei a pedalar em Aracaju, no Sergipe, por incentivo de um tio que pedalava . Ele tinha uma bicicletaria e, em um determinado momento, ele perguntou se eu tinha o interesse de pedalar com ele. A partir do ano de 2003, então, comecei a me dedicar e competir.

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Diário – Quando sentiu que poderia se tornar um atleta?
Monteiro –
A partir do momento que a vida me mostrou que, quando se trabalha duro e com todas as forças, é possível alcançar um grande ­objetivo.

Diário – Nos seus melhores sonhos, pensava no Rio?
Monteiro –
Sempre tive o sonho de poder estar nos Jogos Olímpicos e, em certo momento, decidi que iria me doar o máximo para estar lá. Foi difícil toda essa caminhada. Fiquei anos sem Natal, Ano Novo, férias, longe de casa… Mas agora vejo que todo empenho valeu a pena.

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Diário – De que forma Santos te ajudou? Como foi essa chegada à ­cidade?
Monteiro –
Entrei na equipe da Memorial, de Santos, na metade de 2014. Fui recebido muito bem Estava passando por momentos complicados na minha vida pessoal (pai do atleta faleceu em março de 2014), mas com a ajuda da equipe voltei a competir em alto nível.

Diário – Torcida da região estará na torcida por você…
Monteiro –
Sinto-me muito feliz de poder representar a todos. Esse carinho dá uma força grande durante as competições, pois o atleta nunca está sozinho. Ele representa todo povo ­brasileiro.

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Diário – Qual foi o seu último grande resultado?  
Monteiro –
Neste ano venci algumas corridas. Uma delas foi o Torneio de Verão, que é realizado na Baixada Santista.

Diário – Qual foi o resultado marcante?
Monteiro –
A medalha de bronze nos Jogos Pan Americanos 2015.

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Diário – Como se sente ao fazer história? Há 24 anos não temos um representante no ciclismo…
Monteiro –
Foi um trabalho duro, mas eu não estava sozinho. Estávamos dispostos a dar nosso melhor para continuar a escrever essa história do ciclismo brasileiro e, a partir desse trabalho realizado, tenho certeza que colheremos muitos frutos no futuro.

Diário – Sente peso em relação a isso?
Monteiro –
Sinto-me, muito honrado em poder fazer parte de momento muito importante para ciclismo brasileiro.

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Diário – Por falar em peso, como está a ansiedade para a estreia no Rio?
Monteiro –
O frio na barriga não tem jeito!  Mas prefiro me concentrar nas coisas que posso controlar. Como no meu dia a dia. Assim, aos poucos, vou construindo meu caminho até lá.

Diário – Acredita possível um lugar no pódio?
Monteiro –
Tudo é possível! Estamos trabalhando para estar brigando de igual para igual com os melhores do mundo.

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Diário – Quando você parte para o Rio?
Monteiro –
Estarei indo para o Rio na última semana de julho. Foi uma decisão da equipe para que eu possa me acostumar com o clima dos ­Jogos.