Palmeiras reforça segurança e orienta jogadores a não saírem de casa

Para evitar conflitos, uma espécie de cartilha foi criada pela segurança do clube para evitar mais confusões.

Comentar
Compartilhar
07 NOV 201214h58

Ao entrar na Academia de Futebol, o ar poluído das ruas de São Paulo se mistura com o clima de terror que já contagiou jogadores, diretoria e comissão técnica no Palmeiras. O receio de ver o time na Série B só não é maior do que o da reação da torcida em caso de rebaixamento. Para evitar conflitos, uma espécie de cartilha foi criada pela segurança do clube para evitar mais confusões.

O diretor de sede e responsável pela segurança dos atletas, Faustino Caputo, contou que algumas recomendações foram feitas aos atletas e espera que elas estejam sendo seguidas à risca. "Foi avisado que não é para os jogadores andarem sozinhos na rua, seja lá onde estiverem. Não é para ir em nenhum tipo de evento que não seja organizado pelo clube e balada, nem pensar!", disse o dirigente. "É só do CT para casa. Não dá para brincar nessa hora. É a integridade das pessoas em jogo", completou.

Na madrugada da última segunda-feira, um grupo de torcedores pichou o muro da sede social e da loja oficial do clube fazendo ameaças de morte ao presidente Arnaldo Tirone. Em seguida, jogaram bombas de coquetel molotov no estacionamento da Academia de Futebol - nenhum carro foi atingido e, na ocasião, o elenco palmeirense estava em Araraquara, onde aconteceu o jogo contra o Botafogo.
 
Para o jogo de domingo contra o Fluminense, em Presidente Prudente, que pode decretar o rebaixamento, o Palmeiras arma um esquema de guerra. O presidente Arnaldo Tirone e o vice-presidente Roberto Frizzo também terão atenção especial. O gerente de futebol do clube, César Sampaio, explicou que foi aumentada a estrutura de segurança do clube nos últimos dias por uma prevenção. 
 
O técnico Tite quer um zagueiro para suprir a saída de Leandro Castán (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
 
"Antigamente viajávamos com quatro seguranças, mas agora estamos com bem mais, praticamente triplicamos, pois tememos pela nossa integridade física e pela dos jogadores. E tudo isso aliado ao efetivo policial local", explicou César Sampaio, que, mesmo tendo sido um ídolo palmeirense quando jogador, também tem sido alvo de críticas por parte dos torcedores.

Mesmo com tanta proteção, alguns jogadores estão com medo. Artur, Juninho, Leandro, Thiago Heleno e Maikon Leite contrataram seguranças particulares para quando não estão no clube. Alguns atletas admitem estarem mais assustados e já chegaram a pedir para o técnico Gilson Kleina não relacioná-los mais para os jogos. 
 
"Cada um reage de uma maneira na crise, mas se o jogador está sendo ameaçado, não tem como ele tirar isso da cabeça em campo. Ele fica com receio de errar um passe e alguém tentar agredi-lo", lamentou Gilson Kleina.