Lucas Pinheiro encheu o coração dos brasileiros de orgulho na manhã deste sábado (14) / Reprodução/COB
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O Brasil acaba de escrever o capítulo mais improvável da história dos esportes de inverno. Em plena Milano Cortina 2026, o hino nacional ecoou entre os picos nevados da Itália para celebrar uma medalha de ouro inédita, de Lucas Pinheiro, no slalom gigante. Mas, para o mundo, a dúvida permanece: como o país das praias dominou a neve?
Para entender o sucesso brasileiro, especialistas usam uma analogia clara: é como um surfista que treina em piscinas de ondas artificiais e acaba vencendo o mundial no oceano.
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O Brasil não tem neve, mas aprendeu a "fabricar" atletas em condições controladas. De acordo com a CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve), o segredo não está no clima, mas na transição de talentos. Muitos de nossos campeões vêm do skate, do surfe e do atletismo, trazendo uma memória muscular de equilíbrio e explosão que é adaptada para o frio.
Sem pistas naturais, o Brasil investiu em tecnologia de ponta. Atletas brasileiros utilizam simuladores de alta performance e centros de treinamento seco (dryland) durante boa parte do ano.
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Além disso, a autoridade técnica da FIS (Federação Internacional de Esqui) aponta que o Brasil criou um sistema de "intercâmbio perpétuo". Nossos atletas vivem o chamado "eterno inverno", migrando entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul (Chile e Argentina) para garantir 300 dias de treino em neve real por ano.
O ouro de hoje não é sorte; é ciência do esporte. O investimento em fisiologia de alta altitude e aerodinâmica em túneis de vento permitiu que o Brasil compensasse a falta de infraestrutura natural com precisão técnica.
Como citou um analista do Comitê Olímpico Internacional (COI): "O Brasil provou que a geografia não é mais um destino, mas um desafio a ser contornado pela engenharia esportiva".
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