O Santos estreia na Copa Sul-Americana na próxima terça-feira (4 de abril). A competição, embora menos badalada que a Libertadores, mas não menos importante para os times envolvidos, pagará 5 milhões de dólares (cerca de 26 milhões de reais) ao campeão neste ano. A final está marcada para dia 28 de outubro em Montevidéu, no Uruguai.
A Copa Sul-Americana ganhou maior interesse das equipes brasileiras nos últimos anos. Um dos motivos é o aumento da premiação distribuída pela Conmebol aos participantes – os clubes receberão 900 mil dólares pela disputa da primeira fase, além de US$ 100 mil por vitória.
Uma prova do maior alcance que a competição vem despertando é a compra dos direitos de transmissão por canais abertos e pagos. A Copa Sul-Americana, antes marginalizada e deixada de lado pelas grandes emissoras, será transmitida em 2023 pela ESPN e pela Paramount, na TV por assinatura; além do SBT, na TV aberta.
Na primeira fase, o Santos caiu no grupo E, ao lado de Newell’s Old Boys (ARG), Blooming (BOL) e Audax Italiano (CHI). É bom lembrar que apenas os primeiros de cada chave avançam diretamente às oitavas de final – os segundos jogarão contra os terceiros colocados dos grupos da Libertadores, em confrontos que serão definidos futuramente. Além do Santos, a competição contará com a participação de outros clubes tradicionais como São Paulo, LDU, Estudiantes, Peñarol, Defensa y Justicia, Independiente Santa Fe e San Lorenzo.
Essa será a nona participação do Santos na Copa Sul-Americana – as demais foram em 2003, 2004, 2005, 2006, 2010, 2019, 2021 e 2022. O alvinegro avançou às quartas de final em três oportunidades – em 2003, 2004 e 2021, sendo eliminado por Cienciano, LDU e Libertad, respectivamente. O clube nunca chegou sequer às semifinais da competição. No ano passado, o Santos foi desclassificado nas oitavas de final ao perder nos pênaltis para o Deportivo Táchira em plena Vila Belmiro.
Adversários da primeira fase
O Blooming, da Bolívia, será o primeiro adversário do Santos. A equipe joga em Santa Cruz de la Sierra, cidade sem altitude, e é comandada pelo argentino Carlos Bustos, irmão de Fabián Bustos – ex-técnico do Santos e atualmente no Barcelona de Guayaquil. O clube ocupa atualmente a décima sexta colocação do campeonato boliviano, com um empate e cinco derrotas em seis jogos disputados. Mas não podemos duvidar da capacidade que o Santos tem de dificultar jogos fáceis. Um tropeço logo na estreia pode aumentar ainda mais a pressão sobre o técnico Odair Hellmann às vésperas do início do Campeonato Brasileiro.
O Audax Italiano será o segundo adversário do Santos na primeira fase. O time chileno também realiza uma campanha ruim no campeonato nacional, com apenas uma vitória em nove partidas disputadas. Mas é preciso ter cuidado. Além de a Sul-Americana ser uma competição traiçoeira e repleta de surpresas, o momento do Santos o impede de subestimar qualquer equipe.
Por fim, o Newell’s Old Boys será certamente o adversário mais complicado do Santos na primeira fase. A equipe argentina é dirigida por Gabriel Heinze, um dos técnicos mais promissores da América do Sul. Suas equipes são agressivas, intensas e gostam de marcar pressão na saída de bola do rival. O Newell’s está na sexta colocação do campeonato argentino, com quatro vitórias, dois empates e duas derrotas até então.
Os treinadores costumam reclamar do calendário e da maratona de jogos das equipes para justificar derrotas e fracassos. O Santos teve tempo de sobra para treinar, aprimorar a parte física e recuperar jogadores lesionados – apenas Soteldo ainda deve levar mais tempo para ficar à disposição.
O técnico santista precisa demonstrar que aproveitou o tempo de preparação para deixar o time mais organizado e compacto dentro de campo, como já fez, com sucesso, no Internacional e no Fluminense. Com a chegada de Lucas Blondel, o Santos ganha um bom lateral pela direita. Mas ainda é pouco para um time que disputará três competições simultâneas – Sul-Americana, Copa do Brasil e Libertadores.
É melhor o torcedor ir preparando o coração.
