O Santos passou cinco rodadas seguidas do Campeonato Paulista relacionando apenas Gustavo Henrique e Lucas Veríssimo para a zaga. A falta de opções fez o clube ir ao mercado e, a pedido de Dorival, chegou Luiz Felipe, de 22 anos, 1,87m, e uma personalidade oposta a da maioria dos atletas de sua posição. Sereno, com voz mansa e pouca experiência, o novo zagueiro do Peixe espera conquistar seu espaço com uma técnica diferenciada em campo.
“Não sou muito de fazer falta, de chegar firme. Claro, eu chego firme na hora que tem que chegar. Mas, procuro sempre tentar roubar a bola sem fazer falta. Preferência por lado eu não tenho. Já joguei pelo lado esquerdo e pelo lado direito”, explica, evitando polemizar com o fato de possivelmente tirar algum titular do time a curto prazo.
“Eu não quero desbancar ninguém. Só quero buscar o meu espaço e eu sei que o David é um líder dentro de campo. É um cara que eu tenho o maior respeito por ele. Mas eu vou treinar, me dedicar e buscar meu espaço. Se tiver que jogar do lado direito, lado esquerdo, com David, sem o David, com Gustavo, sem o Gustavo, ou com o Lucas, com o Paulo (Ricardo), para mim, vai ser uma honra”, diz.
Antes de assinar contrato de quatro anos com o alvinegro praiano, Luiz Felipe passou por Caxias, Duque de Caxias, Cascavel e Paraná. Assim, nunca entrou em campo para disputar um jogo de Série A nacional e admite ansiedade para jogar o clássico contra o Corinthians, arquirrival santista.
“Claro que a gente não faz nem ideia de como é vendo de fora. Vai cair a ficha mesmo quando chegar no dia. Mas isso ai fica tudo fora de campo. Chega ali dentro de campo é fazer o que vem treinando, atenção total”, vislumbra, antes de falar sobre suas maiores experiências na carreira.
“Tem uns (jogos) que eu guardo com bastante carinho na memória. Um foi contra o Flamengo, lá dentro (Maracanã). Acabamos (Duque de Caxias) empatando por 2 a 2. Teve minha estreia (pelo Paraná), que foi contra o Atlético-PR, na Arena. Acabamos perdendo de 1 a 0. Mas foram jogos importantes para mim”, conta.
Desde sexta em Santos, Luiz Felipe ainda procura apartamento na cidade para morar com a esposa e a mãe. Satisfeito, mas não surpreso com a estrutura do clube, o zagueiro revela que conversou com Claudinei Oliveira, ex-técnico do Santos e atual treinador do Paraná Clube, antes de deixar Curitiba.
“Ele pediu para eu não fazer nada demais do que eu já vinha fazendo. Disse que eu me destaquei por isso e é continuar fazendo o que eu vinha fazendo. Isso me marcou bastante. Não me deu nenhum conselho ‘faz isso, faz aquilo’. Só disse para eu continuar o que eu vinha fazendo”.
Nesta segunda, Luiz Felipe já foi a campo no CT Rei Pelé e marcou um gol, de cabeça, na atividade entre reservas e Santos B. À disposição de Dorival Júnior para o confronto desta quinta, contra o Mogi Mirim, no Pacaembu, o reforço alvinegro, sempre aparentando muita tranquilidade, não se intimida com a pressão de justificar sua contratação com uma resposta rápido.
“Sei da responsabilidade que eu tenho. Venho com uma responsabilidade muito grande, mas acredito que vou ter de provar dentro de campo e estou preparado para isso. O mais importante é me dedicar para poder buscar o meu espaço”, avisa Luiz Felipe, novo dono da camisa 2, que por tanto tempo pertenceu ao ex-capitão santista Edu Dracena.
