Nos minutos finais, Holanda supera calor cearense e vira sobre México

Chorando, os mexicanos saíram do Castelão aplaudidos por sua torcida, que compareceu em bom número e tiveram o apoio de muitos brasileiros

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29 JUN 201415h17

O México nunca disputou cinco jogos em uma mesa edição de Copa do Mundo nem tinha atingido as quartas de final em Mundial que não organizasse. Nesta tarde, sob cerca de 30ºC e umidade próxima dos 70% em Fortaleza, fazia esses dados mudar até os 42 minutos do segundo tempo, mas recuou demais. E a Holanda, melhor time da primeira fase, fez dois gols no fim para se classificar vencendo por 2 a 1.

O México se dispôs a jogar e levou perigo até abrir o placar com Giovani dos Santos, aos três minutos do segundo tempo. Mas recuou e provou que não basta encher sua área de jogadores para saber defender e que o goleiro Ochoa, sozinho, não pode ser salvador sempre. Aos 42, Huntelaar, que entrou no lugar de Van Persie, escorou para Sneijder empatar e, aos 48, o próprio Huntelaar converteu pênalti sofrido por Robben.

Chorando, os mexicanos saíram do Castelão aplaudidos por sua torcida, que compareceu em bom número e tiveram o apoio de muitos brasileiros. A festa ficou para os holandeses, que joga às 17 horas (de Brasília) de sábado, na Fonte Nova, em Salvador, contra o vencedor do duelo entre Costa Rica e Grécia, que se enfrentam ainda neste domingo, em Pernambuco.

Huntelaar cobrou penalti duvidoso com perfeição para colocar o time de melhor campanha da primeira fase da Copa nas quartas de final (Foto: Facebook FIFA)

O jogo

A Holanda não abriu mão de sua estratégia baseada quase que exclusivamente nos contra-ataques, mas igualando seu posicionamento ao do México. O time de Louis Van Gaal entrou no Castelão no 3-5-2, com Blind iniciando a partida na zaga e Kuyt na ala esquerda. Aos nove minutos, De Jong saiu por lesão e Indi entrou no seu lugar, indo para a zaga e empurrando Blind como volante, sem mexer na estrutura.

A seleção latina também estava armada no 3-5-2. Mas, ao contrário de Sneijder, posicionado de forma mais retraída para lançar Robben ou Van Persie, Giovani dos Santos flutuava entre os volantes rivais para tabelar com Peralta ou o meio-campista que viesse de trás. Além disso, Rafa Márquez era um autentico líbero, alternando-se como zagueiro e volante e comandando a saída de bola.

Aparentemente beneficiado pelo calor cearense, foi fácil para o México encontrar espaço nas pontas para atacar e fazer a bola rodar a área holandesa, explorando, principalmente, as costas de Verhaegh, ala pela direita. Só faltava a bola chegar a Peralta, que ficou ainda mais coberto por atletas de laranja quando os europeus recuaram Verhaegh e Kuyt para jogar no 5-3-2.

Os mexicanos, contudo, responderam chegando com mais gente na frente. Foi assim que Giovani foi à linha de fundo e tocou para Peralta rolar para Herrera, que bateu rente à trave direita de Cillessen, aos 16 minutos. Pouco depois, a seleção verde ainda pediu jogo perigoso quando Herrera teve sua cabeça atingida pela chuteira de Vlaar dentro da área.

Após 20 minutos jogando no campo adversário, o México reduziu seu ritmo e a Holanda passou a soltar um de seus meio-campistas para não tornar Robben e Van Persia os únicos a desafiar três zagueiros. Acabaram dando espaço para Salcido arriscar da intermediária e obrigar Cillessen a fazer excelente defesa, aos 23.

Os europeus só criaram perigo aos 26, quando Van Persie dominou bola perto da pequena área e, diante de Ochoa, bateu para fora. Cinco minutos depois, os dois times tiveram três minutos para se refrescar diante dos cerca de 30ºC na tarde de Fortaleza. Até torcedores deixavam seus lugares para se aglomerar em corredores do Castelão que tivessem sombra.

Quem precisava se cobrir mais era a Holanda, que viu, aos 41, Giovani dos Santos entrar em velocidade pela esquerda de sua defesa na grande área e parar em Cillessen. Os laranjas, porém, podem reclamar de pênalti quando Robben foi travado por Rafa Márquez e Moreno já nos acréscimos – ao dar carrinho, Moreno se machucou e teve que ser trocado por Reyes no intervalo.

Os cerca de 15 minutos nos vestiários não pareceram ser suficientes para o time de melhor campanha da primeira fase da Copa recuperar fôlego, o que foi fatal. Aos três do segundo tempo, Giovani dos Santos escapou da perseguição de Blind e não se intimidou nem com a pressão de Wijnaldum para finalizar da intermediária com precisão no canto esquerdo de Cillessen, abrindo o placar no Ceará.

Enquanto a Holanda tentava encontrar o que fazer diante do gol, deixou Peralta, quase do mesmo lugar em Giovani dos Santos fez o gol, obrigar Cillessen a fazer boa defesa, aos dez minutos. Van Gaal, então, arriscou. Trocou Verhaegh pelo atacante Depay, que se juntou a Robben e Van Persie na frente, com Kuyt virando ala direita e Blind atuou do outro lado. O 3-4-3 virou a solução laranja para seguir na Copa.

O México, por sua vez, se fechou totalmente. E mostrou não ter qualidade defensiva para suportar a pressão sem sofrer sustos. Aos 12, Ochoa mostrou reflexo e espalmou cabeça de De Vrij na trave. Dois minutos depois, Sneijder chutou e a zaga desviou, encobrindo o goleiro e fazendo a bola passar rente à trave.

O técnico Miguel Herrera, porém, não estava mais disposto a espalhar seu time no campo para fechar os espaços para os holandeses. Trocou Giovani dos Santos pelo meio-campista Aquino e deixou claro a aposta no contra-ataque ao sacar Peralta para contar com a correria de Chicharito Hernández.

A Holanda, por sua vez, tinha o incansável Robben, que, quando não caia pedindo falta, passava por quem estivesse pela frente, menos por Ochoa, goleiro que usou as pernas para defender chute do atacante aos 28. Em nova parada para hidratação, Van Gaal cansou do discreto Van Persie e confiou no posicionamento de Huntelaar, que passou a dividir com Kuyt a função de referência holandesa na área mexicana.

Com Robben e Depay nas pontas e Sneijder no centro, os europeus tentavam colocar a bola na área de qualquer jeito. Estratégia que deu certo diante de um time que se fechou sem saber marcar. Aos 42 minutos, todos que vestiam verde não se mexeram na área, deixando Huntelaar completamente livre na pequena área para escorar para Sneijder chegar de trás, sozinho, soltando o pé nas redes.

Até o mais confiável defensor mexicano falhou, de forma fatal. Aos 47 minutos, Rafa Márquez, como já tinha feito no primeiro tempo, cometeu falta para parar Robben na grande área. Desta vez, o árbitro marcou pênalti, que Huntelaar cobrou com perfeição para colocar o time de melhor campanha da primeira fase da Copa nas quartas de final.