Faltando poucos meses para o início da próxima Copa do Mundo, um dado chama atenção e quebra uma tradição histórica do país do futebol. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1994, a maioria dos brasileiros afirma não ter interesse em acompanhar o principal evento esportivo do planeta. O cenário revela uma mudança profunda na relação entre a população e a Seleção Brasileira, que já foi sinônimo de mobilização nacional.
Segundo levantamento do Datafolha, 54% dos brasileiros não pretendem assistir aos jogos da Copa de 2026, o maior índice de desinteresse já registrado. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Um país que já parou para ver futebol
Durante décadas, a Copa do Mundo foi um dos poucos eventos capazes de praticamente parar o Brasil. Ruas vazias, bandeiras nas janelas, televisores ligados em todos os cantos e uma sensação coletiva de pertencimento marcaram gerações.
Em 1994, ano do tetracampeonato, 56% dos brasileiros declaravam grande interesse pelo torneio. Hoje, esse número despencou para níveis mínimos históricos, com apenas cerca de 17% afirmando estar realmente empolgados com a competição.
A comparação evidencia uma mudança cultural significativa, que vai além do desempenho esportivo.
Seleção sem brilho e confiança em queda
Um dos principais fatores apontados para o desinteresse é o momento da Seleção Brasileira. A equipe acumula resultados considerados abaixo do esperado, com desempenho irregular nas Eliminatórias e tropeços em amistosos recentes.
O impacto disso aparece diretamente na percepção da torcida. Apenas 29% dos brasileiros acreditam que o Brasil pode conquistar o hexacampeonato, o menor nível de confiança já registrado.
A falta de identificação com o time e a ausência de grandes ídolos também são apontadas como razões para o distanciamento do público.

Nem todo mundo pretende assistir
Além da queda no interesse geral, o levantamento mostra um dado ainda mais expressivo: 31% dos brasileiros afirmam que não pretendem assistir a nenhum jogo da Copa.
O desinteresse é mais acentuado entre as mulheres, onde chega a 62%, enquanto entre os homens o índice é de 46%.
Os números indicam que o fenômeno não é pontual, mas sim uma tendência consolidada.
Mudança cultural e desgaste do ‘clima de Copa’
Especialistas apontam que o desinteresse não se explica apenas pelo futebol. Há uma combinação de fatores sociais, culturais e comportamentais.
O chamado “clima de Copa”, que antes mobilizava o país, perdeu força com mudanças no consumo de mídia, rotina de trabalho e fragmentação das audiências. Hoje, o público divide atenção com redes sociais, streaming e outras formas de entretenimento.
Além disso, o desgaste do chamado “pachequismo”, associado ao nacionalismo exagerado, também contribui para um distanciamento emocional da seleção.

A escolha das sedes também pesa
A Copa de 2026 será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, o que também influencia a percepção do público brasileiro. Para parte dos torcedores, fatores culturais e geopolíticos impactam o interesse no torneio.
O custo elevado de viagens, ingressos e consumo internacional também contribui para uma sensação de distanciamento do evento.
Jovens ainda mantêm alguma conexão
Apesar do cenário de apatia, o interesse ainda resiste entre os mais jovens. Nas faixas entre 16 e 34 anos, o nível de entusiasmo varia entre 20% e 24%, indicando que o torneio ainda mantém relevância para uma parcela da população.
Esse dado sugere que, embora o engajamento geral esteja em queda, a Copa ainda não perdeu completamente seu apelo.
Um fenômeno que vai além do Brasil
Mesmo com a queda no interesse interno, a Copa do Mundo continua sendo um dos maiores eventos esportivos do planeta, com bilhões de espectadores e forte impacto econômico global.
Ainda assim, o cenário brasileiro acende um alerta importante para patrocinadores, emissoras e organizadores, já que o país historicamente sempre esteve entre os mercados mais engajados.
O país do futebol mudou
O dado mais simbólico dessa transformação é simples, mas impactante: pela primeira vez, a maioria dos brasileiros não está interessada em ver a Copa.
O futebol continua sendo paixão nacional, mas a relação com a Seleção Brasileira parece atravessar um momento de distanciamento.
E, às vésperas de mais um Mundial, a pergunta que fica é direta: o Brasil ainda para para ver a Copa?
