Museu Pelé na camisa do Santos em finais tem custo zero, diz Prefeitura

Administração Municipal nega que tenha pago qualquer valor para divulgar o museu no espaço nobre da camisa do Peixe

Comentar
Compartilhar
29 ABR 201500h08

Em meio a uma de suas piores crises financeiras das últimas décadas, o Santos Futebol Clube aproveitou o grande momento de visibilidade do time nas últimas semanas, em função da disputa das finais do Campeonato Paulista, para buscar novos patrocinadores. No entanto, acreditem, segundo a Prefeitura Municipal, não houve qualquer pagamento para a divulgação da marca ‘Museu Pelé’ no espaço nobre da camisa alvinegra.

“A Prefeitura não patrocinou, nem repassou dinheiro público de forma direta ou indireta ao Santos Futebol Clube. O apoio ao SFC é apenas institucional. Não há qualquer tipo de acordo ou compromisso presente ou futuro de repasses de verbas públicas ao clube”, diz a breve nota oficial da Administração.

Apesar de negar veementemente qualquer acordo que determine o repasse de dinheiro público para os cofres de um clube de futebol, a mesma Administração, governada pelo Prefeito Paulo Alexandre Barbosa, paga para divulgar a marca ‘Museu Pelé’ em outros meios, como sites, na internet, e banners.

Com exceção das finais do Campeonato Estadual, apenas uma partida do Santos na competição foi transmitida pela TV aberta: o clássico contra o Corinthians, dia 5 de abril, disputado em Itaquera. À época, o time da Vila Belmiro aproveitou o momento favorável e fechou dois acordos pontuais com as empresas Opte+, do ramo de comércio eletrônico, e a padaria drive thru Pão To Go.

Da mesma forma, a diretoria de marketing santista foi ao mercado para negociar espaços no uniforme alvinegro para os dois confrontos diante do Palmeiras, que determinará o campeão Paulista de 2015, e terá cobertura completa da emissora detentora das transmissões.

E já no último domingo, cinco empresas estamparam suas marcas na camisa do Peixe no primeiro duelo da grande decisão, que culminou com a vitória palmeirense por 1 a 0, no Palestra Itália. Estes mesmos acordos são válidos para o jogo do próximo domingo, na Vila Belmiro.

O clube receberá R$ 90 mil da marca de refrigerantes Dolly (shorts), R$ 85 mil da Rafarillo Calçados (barra frontal da camisa), R$ 120 mil da 99Taxis (omoplata), R$ 100 mil da Joli materiais de construção (barra traseira da camisa), além de Corr Plastik, que paga R$ 5 milhões por ano para expor sua marca nas mangas.

Museu Pelé ocupa o espaço nobre da camisa do Santos (Foto: Divulgação/Santos FC)

Entretanto, o clube dirigido por Modesto Roma Jr confirma que não recebeu e nem receberá um centavo da Prefeitura Municipal pela divulgação do ‘Museu Pelé’, que é um patrimônio público, na área destinada aos patrocinadores másters, espaço mais valioso do uniforme de qualquer time de futebol.

Vale destacar que, apesar de buscar insistentemente um parceiro que assine um acordo de longo prazo por um valor aproximado de R$ 20 milhões, o Santos está há dois anos e quatro meses sem obter sucesso na venda do espaço máster. O último foi o Banco BMG, que ocupou a área entre 2011 e 2012.

Em baixa

O Museu Pelé foi inaugurado dia 15 de junho, três dias após a abertura da Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, e até hoje nunca correspondeu às expectativas. O acervo de Edson Arantes do Nascimento, maior jogador de futebol de todos os tempos, não tem levado o público esperado ao Centro de Santos e antes mesmo de completar um ano de funcionamento, o Museu Pelé já apresentava déficit de pouco mais de R$ 70 mil por mês.

O local é gerido pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) AMA Brasil e teve um investimento de R$ 50 milhões dos governos Estadual, Federal e da iniciativa privada.