Morre aos 88 anos, Nílton Santos, ex-lateral do Botafogo e da seleção

O Brasil perdeu a Enciclopédia do Futebol. O ex-jogador sofria de mal de Alzheimer desde 2007 e havia sido internado sábado retrasado (16) com insuficiência respiratória

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27 NOV 201317h12

O ex-lateral-esquerdo do Botafogo e da seleção brasileira, Nilton Santos, morreu nesta quarta-feira (27), no Rio de Janeiro, aos 88 anos. O ex-jogador sofria de mal de Alzheimer desde 2007 e havia sido internado sábado retrasado em um hospital da capital fluminense com insuficiência respiratória. Na segunda-feira, Nilton Santos foi diagnosticado com pneumonia.

Nascido no Rio em 16 de maio de 1925, Nilton Santos jogou profissionalmente por dezesseis anos e defendeu um único clube, o Botafogo da estrela solitária. Por causa disso, criticava o hábito de muitos jogadores que comemoram gols beijando a camisa. "Não existe amor. Cada ano beija um símbolo diferente", costuma dizer sobre as imagens vistas na televisão.

Com a camisa do Botafogo, o jogador conquistou 26 títulos, participou de 729 jogos e marcou 11 gols. "Na minha época, tinha de atacar com cautela, porque se o time tomasse um gol nas minhas costas, o treinador ficava maluco", explicava. "Quando as pessoas falam que se jogássemos hoje ficaríamos ricos, eu não invejo o dinheiro que eles têm. Eu invejo é a liberdade que eles têm de jogar, de poder marcar e atacar", afirmou, em entrevista ao Estado em outubro de 2001.

Nilton Santos, morreu nesta quarta-feira (27), no Rio de Janeiro, aos 88 anos (Foto: Divulgação)

Eleito pela Fifa o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, Nílton Santos fez 75 jogos pela seleção brasileira e marcou cinco gols. Foi reserva na Copa de 1950 e titular nos três Mundiais seguintes, conquistando o bi em 1958 e 1962. Numa época em que os esquemas de jogo eram bem diferentes dos atuais, com apenas três defensores incumbidos de marcar todos os avantes adversários, Nilton Santos criou seu próprio jeito de levar vantagem sobre os adversários, mesmo se estivesse de costas para eles.

Para tanto, usava até mesmo o sol a seu favor. "Eu ia tocando a bola (e observando). Quando a sombra chegava, sabia que era o adversário. Eu passava o pé por cima da bola e voltava", lembrou em entrevista à TV Globo, em 2004.

Mesmo depois de pendurar as chuteiras, Nilton Santos nunca deixou de frequentar o Maracanã - pelo menos até 2007, quando começou a lutar contra o Alzheimer. "A bola é minha vida. Foi quem me deu tudo. Nunca me traiu, nunca me bateu na canela, sempre me obedeceu", dizia, demonstrando ainda felicidade por ser apontado como um dos maiores jogadores de todos os tempos. "O bom é as pessoas lembrarem da gente com saudade." O futebol brasileiro já sente essa saudade.