Marin diz ‘não’ para extradição e aposta em alto escalão do governo suíço

Nesta terça-feira, as autoridades suíças realizaram a primeira audiência com o cartola, preso desde o dia 27 de maio em Zurique, a pedido dos EUA. Ele é acusado de corrupção e fraude

O ex-presidente da CBF José Maria Marin se recusa a ser extraditado voluntariamente aos Estados Unidos e contrata para uma longa batalha jurídica um ex-chefe do Departamento de Justiça da Suíça. Nesta terça-feira, as autoridades suíças realizaram a primeira audiência com o cartola, preso desde o dia 27 de maio em Zurique, a pedido dos EUA. Ele é acusado de corrupção e fraude.

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Segundo seus advogados, Marin não aceitou a extradição, o que obriga a Justiça suíça a abrir um procedimento e dar uma primeira resposta até 13 de agosto. Em sua defesa, os advogados de Marin insistiram que a documentação americana não trazia provas suficientes de um crime que, mesmo que houvesse, eles não seriam reconhecidos pelas leis suíças.

Conforme a reportagem revelou na semana passada, as autoridades não o questionaram se ele era ou não inocente. O que se julga é apenas o pedido de extradição dos EUA, algo que os suíços já indicaram que “tem base”.

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O “não” de Marin deu início a um longo processo. Se os suíços autorizarem a extradição, ele ainda tem outras duas instâncias para recorrer, o que promete atrasar o processo até pelo menos o final do ano.

Até la, um dos advogados contratados para lutar contra a Justiça suíça é justamente um ex-funcionário de alto escalão do governo suíço. Ao lado de Georg Friedli, o principal advogado no caso, Marin será defendido por Rudolf Wyss, o ex-vice-diretor do Departamento de Justiça da Suíça.

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Há poucos anos, ele ficou conhecido por ter sugerido aos banqueiros suíços que, se não quisessem ser presos nos EUA, que não viajassem mais para visitar clientes americanos. A administração de Barack Obama fez uma ofensiva contra as contas secretas. Ele ainda trabalhou na Polícia Federal suíça, responsável por todos os temas de cooperação internacional entre 1996 e 2011.

Entre os casos mais emblemáticos de sua carreira na Justiça suíça estão os confiscos de fortunas relacionadas a ditadores asiáticos e africanos, como o nigeriano Sani Abacha.