Marcos faz gol e brilha em despedida festiva no Pacaembu

No adeus, Marcos faz um e não leva gol no 2 a 2 com Brasil de 2002.

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12 DEZ 201200h38

Coberto por homenagens e elogios, Marcos se despediu oficialmente dos gramados na noite desta terça-feira em animado jogo festivo, disputado em um lotado Pacaembu. Cerca de 40 mil torcedores puderam ver ao goleiro fazer gol de pênalti e brilhar debaixo da trave no empate do Palmeiras de 1999 com a seleção brasileira de 2002, pelo placar de 2 a 2.

Foi justamente nestas duas equipes que Marcos obteve suas duas maiores conquistas: o título da Copa Libertadores de 1999 e o troféu da Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Os times contaram com os principais jogadores de cada formação, como Ronaldo e Rivaldo, de um lado, e Alex e Edmundo, do outro. Luiz Felipe Scolari, que voltou ao comando da seleção recentemente, foi o técnico simbólico do time nacional nesta noite.

Antes do início da partida, Marcos recebeu diversas homenagens, principalmente da torcida, com cartazes, faixas e até um mosaico de sua famosa imagem ajoelhado, com as mãos apontadas para o céu No centro do gramado, recebeu placa comemorativa da CBF e da Federação Paulista de Futebol e uma réplica sua fazendo a defesa do decisivo pênalti contra o Corinthians na Libertadores de 2000

Marcos, que entrou em campo acompanhado dos três filhos, inclusive o mais novo, nascido há apenas um mês, defendeu somente a equipe do Palmeiras, que foi escalada ainda com Amaral, Cléber, Júnior, Galeano, César Sampaio, Edmundo, Pedrinho, Paulo Nunes, Alex e Evair. O time foi comandado por César Maluco, ídolo palmeirense nas décadas de 60 e 70.

A seleção brasileira contou com Dida; Cafu, Edmilson, Roque Junior e Roberto Carlos; Belletti, Ricardinho, Juninho Paulista e Rivaldo; Edilson e Ronaldo. No banco, Luiz Felipe Scolari coordenava o time em seu reencontro com a torcida palmeirense, após a saída do time, em setembro.

Cerca de 40 mil torcedores puderam ver ao goleiro fazer gol de pênalti e brilhar debaixo da trave no empate do Palmeiras (Foto: Marcos-Levi Bianco/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)
Com a bola rolando, o time de Felipão levou maior perigo, com a dupla Ronaldo e Rivaldo. O segundo criou as melhores chances, em finalizações de longa distância, todas neutralizadas por Marcos. As defesas eram acompanhadas por gritos empolgados e aplausos da torcida.

O jogo só começou a ficar favorável ao time palmeirense aos 17 minutos, quando Belletti derrubou Edmundo dentro da área e a árbitra Ana Paula de Oliveira assinalou o pênalti. Em polvorosa, a torcida pediu a cobrança de Marcos em uníssono.

O goleiro, no entanto, resistiu. E só aceitou bater a penalidade após ser pressionado pelos companheiros de time. Bateu firme no meio do gol e abriu o placar aos 21 minutos. "Quando todo mundo foi lá me empurrar, aí decidi bater, para não ficar feio. Mas acho que o Dida deu uma saidinha antes para me ajudar", contou Marcos, em tom de brincadeira, no intervalo.

"Não queria bater o pênalti. Queria que fosse o Evair. Imaginei que a torcida tinha saudade de ver o Evair batendo um pênalti. Mas fui no pênalti de segurança, no meio do gol. A minha vontade, na verdade, era fazer gol de escanteio, de cabeça"

O Palmeiras prosseguiu melhor em campo mesmo depois das primeiras substituições, ainda no primeiro tempo. Zé Roberto, Denilson, Luizão, Djalminha, Wellington Cafu, filho do ex-lateral-direito, e Antônio Carlos entraram em campo na equipe dirigida por Felipão.

Embalado, o Palmeiras aumentou a vantagem aos 41 a partir de jogada Edmundo. Ele foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro para Paulo Nunes só completar para as redes. Do outro lado, a seleção tentava reagir, em tentativas frustradas de Ronaldo.

No segundo tempo, foi a vez do Palmeiras sofrer muitas mudanças no time. Oséas, Euller, Tiago Silva, Rivarola, Agnaldo Luiz, Asprilla, Adãozinho e Tonhão entraram em campo. Marcos saiu do gol, substituído por Sérgio, e foi para a linha, a partir dos 12 minutos. Logo em seguida, Edilson marcou gol de cabeça e diminuiu a vantagem do time paulista.

Mas a torcida palmeirense logo voltou a fazer festa nas arquibancadas. Aos 21, Ademir da Guia, um dos maiores ídolos da história do clube, entrou em campo, aos 70 anos. E nem o gol de empate da seleção de 2002, em finalização de Luizão, desanimou o público, que vaiou Edilson e Ronaldo, ex-atletas do rival Corinthians, durante a maior parte do jogo.

Aos 25 minutos do segundo tempo, os refletores do Pacaembu se apagaram quando os ponteiros do relógio apontaram 00h00. E nos primeiros instantes do dia 12/12/12, famoso número de sua camisa, Marcos recebeu nova homenagem da torcida.

E, com microfone em mãos, agradeceu todo o apoio recebido. "Agradeço ao meu pai que meu ensinou a amar o futebol. E a minha mãe, que me ensinou a amar o Palmeiras. Aos meus irmãos, meus primeiros treinadores, a minha mulher, que sempre esteve comigo, até nos momentos ruins, e aos meus filhos".

"Agradeço ainda aos jogadores. Independentemente do time em que jogaram, oi importante é que sempre fomos amigos. A todos os treinadores, como o Felipão, aos meus ídolos, Veloso e Sérgio, que me ensinaram muito. Aos patrocinadores, que me proporcionaram esta festa maravilhosa, e a todos os torcedores do Palmeiras", finalizou.