Maiores que o 7 a 1? As grandes decepções do Brasil em Copas do Mundo que talvez você não se lembre

Antes da humilhação contra a Alemanha, outras tragédias em campo marcaram a história da seleção mais vitoriosa do planeta

Saudoso Sr. Clóvis, gaúcho, símbolo da tristeza na goleada contra a Alemanha, em 2014; nos deixou em 2015

Saudoso Sr. Clóvis, gaúcho, símbolo da tristeza na goleada contra a Alemanha, em 2014; nos deixou em 2015 - Youtube/TV Globo

Nenhuma outra nação no planeta respira tanto a Copa do Mundo quanto o Brasil. Somos o país do futebol, a única seleção pentacampeã, o berço de reis como Pelé e gênios como Garrincha. Contudo, nossa história com a taça mais cobiçada do esporte não é feita apenas de glórias. Na verdade, são as derrotas, aquelas que viraram verdadeiros traumas nacionais, que também moldaram nossa identidade como torcedores.

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Afinal, para cada gol de placa, existe uma bola na trave que ainda dói. Para cada comemoração, há o silêncio ensurdecedor de um estádio inteiro. Vamos relembrar os momentos em que o sonho de um país virou um pesadelo em campo.

Veja a timeline das decepções:

O silêncio que fundou um trauma

Imagine um país inteiro com a festa pronta. Em 1950, o Brasil só precisava de um empate para ser campeão mundial pela primeira vez, dentro de um Maracanã com 200 mil almas. A vitória era como certa. Jornais já estampavam a manchete de “campeões”. No entanto, o Uruguai, com uma garra que entrou para a história, virou o jogo para 2 a 1. O gol de Ghiggia não apenas calou o estádio, mas mergulhou o Brasil em um luto coletivo. Nascia ali o Maracanaço, a maior e mais profunda ferida do nosso futebol. Uma derrota que, para muitos, é a origem de todo o nosso complexo de vira-lata.

O dia em que a arte perdeu

Se em 1950 a dor foi pelo resultado, em 1982 a frustração era pela beleza interrompida. A Seleção de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior não jogava futebol, recitava poesia. Era um time que encantava o mundo, o favorito absoluto na Copa da Espanha. Assim como em 50, bastava um empate contra a Itália para seguir adiante. Mas o futebol, por vezes, é cruel. O carrasco Paolo Rossi, em um dia iluminado, marcou três vezes e selou a derrota por 3 a 2. Aquele episódio, conhecido como a Tragédia do Sarriá, não foi apenas uma eliminação. Foi a morte de um ideal, a prova de que nem sempre o futebol mais bonito vence.

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Era 1986 quando…

O Brasil chegou ao México cheio de esperança, mas a realidade foi bem diferente do que se imaginava. Eliminado nas quartas de final pela França, o time desapontou torcedores que sonhavam com o tricampeonato. Faltou harmonia entre os jogadores, e as decisões dentro da delegação não ajudaram. A decepção foi tanta que marcou gerações de brasileiros, deixando um gosto amargo que levaria anos para passar.

A final doente de 1998

A Copa da França parecia o roteiro perfeito para o penta. O Brasil tinha o melhor jogador do mundo, Ronaldo Fenômeno, voando em campo. A final seria contra os donos da casa, liderados por Zidane. O que aconteceu, porém, virou um dos maiores mistérios do esporte. Horas antes da decisão, Ronaldo sofreu uma convulsão e foi cortado do time. Em uma reviravolta dramática, ele foi escalado minutos antes do apito inicial, mas em campo, era uma sombra de si mesmo. O resultado foi uma derrota apática por 3 a 0, um anticlímax que até hoje gera mais perguntas do que respostas e uma imensa sensação de “e se?”.

A França. Denovo

O Brasil chegou à Alemanha como pentacampeão, mas o time não conseguiu repetir a magia dos anos anteriores. Eliminado nas quartas de final pela França, novamente, a seleção decepcionou quem esperava pelo hexacampeonato. Faltou criatividade no meio-campo e a defesa não funcionou como deveria. A frustração tomou conta dos torcedores que sonhavam em ver Ronaldinho e Ronaldo levantarem a taça, deixando um sentimento de frustração que ainda ecoa entre os brasileiros.

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A humilhação televisionada

Para as gerações mais novas, nenhuma decepção supera a de 2014. Jogando em casa, com a obrigação de vencer, a Seleção Brasileira chegou à semifinal para enfrentar a poderosa Alemanha. Sem Neymar, lesionado, a esperança ainda existia. O que se viu, no entanto, foi um massacre. Um atropelamento. Em menos de 30 minutos, o placar já marcava 5 a 0. O resultado final, 7 a 1, foi mais do que uma derrota. Foi uma humilhação histórica, um vexame transmitido ao vivo para o mundo todo. O Mineiraço reabriu todas as velhas feridas e questionou os próprios alicerces do futebol brasileiro, deixando uma mancha que dificilmente será apagada.