Diferente dos grandes estádios multi-bilionarios, com tetos retráveis e ar-condicionado de última geração, o lendário estádio Azteca, na Cidade do México se prepara para receber a história pela terceira vez em 56 anos.
A geometria que venceu o meio-dia
Na década de 1970, o mundo se preparava para o começo da revolução nas telas de TV: transmissão via satélite em cores.
O mercado europeu exigia horários nobres, o que forçou atletas a entrarem em campo sob o sol escaldante do meio-dia mexicano, a mais de 2.200 metros de altitude.
O Azteca foi milimetricamente construído para que, nos horários de sol intenso, a sombra da cobertura refletisse perfeitamente no campo de forma vertical, criando um refúgio para os atletas em campo.
A casa do do clube América-MEX foi projetado para suportar mais de 100 mil pessoas prestigiando o espetáculo de 1970. E, quatro anos antes, em 1966, o destino já dava lances do futuro, com o primeiro gol do estádio sendo marcado por um brasileiro: Arlindo dos Santos, em um empate por 2 a 2 com o Torino, da Itália.

1970: O sol de Pelé
O Rei chegava para o torneio sendo o principal jogador do mundo, com a expectativa de escrever a história pela terceira vez, dessa vez no gigante asteca.

Com o placar de 4×1 para o Brasil contra a Itália na final, Pelé foi rodeado por mais de 107.411 torcedores presentes no estádio, que após o apito final, invadiram o campo eufóricos, consagrando o Rei do Futebol com incriveis três títulos mundiais no currículo.
1986: A luz de Maradona
Sob o comando do camisa 10, a Seleção da Argentina contava com a estrela do ‘Pibe de Oro’ para comandar o país a glória eterna pela segunda vez naquele momento.
Maradona concedeu um dos momentos mais icônicos da história do esporte. Diante da Inglaterra pela quartas de final, o craque argentino tirou um coelho da cartola ao usar a mão para marcar o gol aos 6 minutos do segundo tempo, condecorando o momento como ‘Lá Mano de Dios’.

Na semifinal, passou pela Belgica por 2 x 0 com dois golaços do hermano argentino, que chegou para a final diante da Alemanha com ‘sangue nos olhos’ e dentes afiados para ser campeão do mundo. E o destino se alinhou como à 16 anos atras, com Maradona campeão e, os mais de 114.600 torcedores presentes invadindo o campo para enaltecer o lendário camisa 10.
Reforma e Copa de 2026
Palco dos dois maiores camisas 10 da história do esporte, o Azteca não suportou as consequências do tempo e precisou ser renovado para a construção da história pela terceira vez.
Em 2024, o estádio foi fechado para uma ampla e modernização visando a Copa do Mundo seguinte, onde receberá o jogo de abertura. A capacidade, que antes ultrapassava os 100 mil telespectadores, foi reajustada para cerca de 87.500, focadas nas exigências específicas da FIFA para abertura do torneio.

A reforma incluiu assentos mais confortáveis, gramado híbrido, melhor conectividade wi-fi, camarotes reformados com novas áreas lounge e melhorias na estrutura, visando conforto e sustentabilidade.
