Laudo descarta falha no solo em acidente no Itaquerão

O acidente no final de novembro culminou na morte de dois operários e virou alvo de polêmica entre a empresa e a prestadora de serviços Locar

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16 ABR 201417h15

A Odebrecht apresentou nesta quarta-feira um estudo que mostra que a queda da treliça de aço na cobertura do Itaquerão não foi ocasionada por problema no solo do terreno em Itaquera. O acidente no final de novembro culminou na morte de dois operários e virou alvo de polêmica entre a empresa e a prestadora de serviços Locar, que disponibilizou o guindaste fabricado pela Liebherr.

"Fizemos 500 folhas de relatórios, com modelos tridimensionais, que mostram que a pista executada e o terreno não contribuíram para a ocorrência do acidente. Também vimos que a água não penetra no aterro compactado e, portanto, não amoleceu o solo. E detectamos que as tensões de ruptura do solo são superiores às pressões aplicadas pela esteira do guindaste", explica Roberto Kochen, diretor técnico da GeoCompany e professor da Escola Politécnica da USP.

O trabalho levou três meses para ser feito e, depois disso, recorreu à aprovação de outros profissionais. "Submetemos o relatório a três especialistas renomados, que fizeram seus laudos e acharam que nossas conclusões estavam corretas. Um deles, o Alberto Henrique Teixeira, afirmou que a própria forma da lança do guindaste demonstra que não houve ruptura do solo", continua Kochen.

Laudo descartou falha no solo em acidente no Itaquerão (Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo)

Ele lembra que foi construído especialmente para essa obra um aterro compactado de pelo menos quatro metros. "Ele tem capacidade de se deformar muito pouco e foi comprovada por ensaios a alta resistência à ruptura. Não havia possibilidade da carga da esteira do guindaste ser transmitida para além da área compactada."

Recentemente, o professor da UFRJ, Antônio Carlos Guimarães, afirmou que em laudo feito a pedido da empresa Liebherr, fabricante do guindaste, foi detectado que houve problema no solo e que isso foi a causa do acidente. Na realidade, são dois laudos distintos, contratados por empresas diferentes. A Odebrecht sustenta sua versão e aguarda o laudo definitivo da outra parte. Marcelo do Lago Luiz, que pertence ao departamento jurídico da Odebrecht Infraestrutura, lembra que a empresa se esforçou para chegar a uma conclusão.

"A Odebrecht se dedicou a fazer um estudo, que mostrou que não houve problema no solo. Cito ainda que no começo de dezembro vieram técnicos da Alemanha para retirar a caixa preta do guindaste. Eles levaram para a Europa para decodificar os dados, mas dois meses depois eles informaram que os dados não haviam sido gravados", diz.

Com o laudo, a Odebrecht agora aguarda o resultado do relatório que está sendo feito pelo IPT, mas não acredita em grandes reviravoltas, até porque o órgão usou os mesmos parâmetros que a GeoCompany utilizou em sua pesquisa. A empresa lembra ainda que já pagou o seguro para as famílias das duas vítimas do acidente em 27 de novembro. "Houve o acerto com as famílias e os valores já foram pagos. Não podemos falar de quanto, pois existe uma cláusula de confidencialidade. Mas já está tudo certo", conclui Marcelo do Lago Luiz.