“Para mim, tudo é Brasil”: Quem é Kiyomi Fujiwara, jornalista japonesa que cobre a Seleção desde 1998 e tem ligação com Zico

Jornalista e setorista da Seleção Brasileira, Kiyomi Fujiwara Nakamura cobre o Brasil desde a Copa do Mundo de 1998, mudou-se para o país por causa de Zico e segue acompanhando a equipe na edição de 2026

Kiyomi Fujiwara se diz 99% brasileira e está constantemente envolvida com os principais craques da Seleção/Foto: Reprodução/Instagram/Kiyomi Fujiwara

Enquanto dezenas de jogadores, técnicos e dirigentes passaram pela Seleção Brasileira nas últimas três décadas, uma profissional permaneceu acompanhando praticamente todos esses capítulos de perto.

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A jornalista e setorista da Seleção Brasileira Kiyomi Fujiwara Nakamura iniciou a cobertura do Brasil na Copa do Mundo de 1998, na França, e chega ao Mundial de 2026 acompanhando a equipe pela oitava edição consecutiva.

Confira imagens da japonesa que tem paixão pelo Brasil:

Ao longo desse período, presenciou o vice-campeonato para a França, viveu de perto o pentacampeonato conquistado no Japão, em 2002, acompanhou eliminações marcantes e testemunhou a transformação do futebol e da forma de fazer jornalismo esportivo.

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Hoje, depois de mais de 25 anos vivendo no Brasil, ela resume sua relação com o país em uma frase que costuma surpreender quem a conhece.

“Fisicamente japonesa e coração 99% brasileiro.”

Tudo começou por causa de Zico

A história de Kiyomi com a Seleção Brasileira nasceu por influência de um dos maiores ídolos da história do futebol japonês.

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Em 1998, Zico assumia a função de coordenador técnico da Seleção Brasileira. No Japão, o ex-camisa 10 é tratado como uma verdadeira lenda do esporte, e foi justamente essa admiração que despertou o interesse da então jovem repórter.

Percebendo a oportunidade de aproximar os japoneses dos bastidores do futebol brasileiro, Kiyomi desenvolveu um projeto para acompanhar toda a preparação da Seleção para a Copa da França.

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“Minha primeira cobertura da Seleção Brasileira foi na Copa de 1998. Eu estava começando a trabalhar com futebol e o Zico tinha assumido como coordenador técnico. No Japão, ele é tratado como um Deus do futebol. Vi ali uma grande oportunidade e criei um projeto para acompanhar a Seleção com o Zico, desde os três meses de preparação até o fim da Copa.”

O que deveria durar apenas alguns meses acabou mudando completamente sua vida.

A decisão de morar no Brasil

Depois da experiência na França, Kiyomi percebeu que queria entender muito mais do que o futebol apresentado dentro de campo.

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Ela decidiu conhecer de perto o significado da Seleção para os brasileiros e, em 2001, mudou-se definitivamente para o país.

Segundo a jornalista, a curiosidade nasceu ao perceber que Zico se comportava de maneira diferente quando estava entre brasileiros.

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“Achei que três meses seriam muito tempo, mas passaram rapidamente. Não fiquei satisfeita e quis morar no Brasil para entender melhor o que representa a Seleção Brasileira. Muitas vezes, o Zico era uma pessoa no Japão e outra quando estava cercado por brasileiros. Eu queria conhecer esse outro lado.”

Mais de duas décadas depois, continua vivendo no Brasil e acompanhando diariamente o dia a dia da equipe nacional.

O privilégio de acompanhar o pentacampeonato

Poucos setoristas da Seleção Brasileira começaram a cobertura justamente em um dos períodos mais importantes da história recente da equipe.

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Kiyomi acompanhou o vice-campeonato em 1998 e, quatro anos depois, viu o Brasil conquistar o pentacampeonato mundial justamente em seu país natal.

Segundo ela, aquele título despertou enorme interesse da imprensa japonesa.

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“Comecei bem demais. O Brasil não venceu em 1998, mas chegou à final. Depois, em 2002, foi campeão no Japão, meu país. Isso facilitou muito o meu trabalho. Várias emissoras me procuravam para programas especiais e regulares, e muitos japoneses, mesmo sem torcer pelo Brasil, sabiam a escalação da Seleção.”

Desde então, ela acompanhou todas as campanhas brasileiras em Copas do Mundo, incluindo as eliminações de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Em 2026, soma a oitava Copa do Mundo consecutiva cobrindo a Seleção Brasileira.

“Sempre Brasil”

Depois de quase três décadas acompanhando a equipe nacional, Kiyomi admite que o vínculo com a Seleção deixou de ser apenas profissional.

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Questionada sobre um eventual confronto entre Brasil e Japão em uma Copa do Mundo, respondeu sem qualquer hesitação.

“Claro, né? Sempre Brasil. Sobre futebol, Seleção, jogador, técnico… para mim, tudo Brasil.”

A declaração resume uma trajetória construída ao longo de quase 30 anos acompanhando diariamente a equipe brasileira.

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Como o Japão passou a enxergar a Seleção Brasileira

Ao mesmo tempo em que fortaleceu sua ligação com o Brasil, Kiyomi acompanhou a evolução do futebol japonês.

Segundo ela, durante muitos anos enfrentar a Seleção Brasileira era encarado praticamente como uma eliminação certa. Hoje, a percepção mudou.

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“Talvez lá no Japão ninguém acredite que vai ganhar. Mas, na história do futebol japonês, talvez seja a primeira vez que ninguém pensa: ‘vamos enfrentar o Brasil, então nossa Copa acabou’. Hoje existe uma esperança, mesmo que pequena.”

Para a jornalista, a mudança reflete o crescimento técnico da seleção japonesa e a confiança construída em competições internacionais.

O Brasil continua despertando interesse no Japão

Mesmo percebendo uma redução no impacto internacional da Seleção em comparação com as décadas anteriores, Kiyomi afirma que o futebol brasileiro continua despertando curiosidade no Japão.

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Ela lembra que jogadores como Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká eram conhecidos por praticamente todos os japoneses.

Hoje, o principal nome ligado ao Brasil continua sendo Neymar.

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“Até recentemente, a maioria das perguntas que recebi em programas de televisão e entrevistas era sobre o Neymar. Queriam saber apenas se ele vai jogar.”

Oito Copas também significam milhares de perguntas

Ao longo de quase 30 anos acompanhando a Seleção, Kiyomi, ainda assim, entrevistou diferentes gerações de jogadores e treinadores.

Na Copa do Mundo de 2026, entretanto, ela voltou a participar das coletivas de imprensa e chamou atenção ao perguntar, em português, ao técnico Carlo Ancelotti o que ele sentia ao ouvir o Hino Nacional Brasileiro e qual significado o Brasil passou a ter em sua vida.

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Ancelotti respondeu que considera o hino brasileiro emocionante.

“O hino nacional é muito bonito. É um hino que emociona.”

A cena resume uma rotina construída ao longo de oito Copas do Mundo: acompanhar treinamentos, entrevistar protagonistas e registrar diariamente os bastidores da Seleção Brasileira.

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A confiança no hexacampeonato

Mesmo reconhecendo que o Brasil enfrenta um jejum de títulos desde 2002, Kiyomi acredita que a equipe comandada por Carlo Ancelotti reúne condições para conquistar o hexacampeonato.

Na avaliação da jornalista japonesa, o principal desafio está no tempo de trabalho do treinador.

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“O Brasil tem tudo para conquistar o hexa. A única coisa que faltava, e ainda falta, é tempo. Muitas vezes um time melhora jogando. Ajustando alguns aspectos durante a Copa, isso pode acontecer.”

Uma trajetória que se mistura com a história da Seleção

Da final da Copa do Mundo de 1998 ao Mundial de 2026, Kiyomi Fujiwara Nakamura acompanhou praticamente toda a história recente da Seleção Brasileira.

Enquanto diferentes gerações vestiram a camisa amarela, ela permaneceu nos bastidores registrando treinos, entrevistando técnicos, conversando com jogadores e contando para o público japonês e brasileiro os capítulos mais importantes da equipe mais vencedora da história das Copas.

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Ainda assim, quase três décadas depois da primeira cobertura, a jornalista continua no mesmo lugar: à beira do campo, fazendo perguntas e acompanhando de perto a Seleção Brasileira.

Uma trajetória que começou por causa de Zico, atravessou oito Copas do Mundo consecutivas e fez uma jornalista nascida no Japão resumir sua própria história em uma frase simples:

“Fisicamente japonesa e coração 99% brasileiro.”