Jornal critica "legado da Copa" e vê Arena do Verdão como mais lucrativa

Em contraposição ao Allianz Parque, que ficou de fora da Copa, a Arena Corinthians também é citada pela reportagem como exemplo, porém, de má administração

Comentar
Compartilhar
06 MAI 201514h08

Um dos jornais de maior renome dos Estados Unidos, o New York Times, colocou em pauta nesta semana a utilização das arenas modernizadas e utilizadas durante a Copa do Mundo. Além de questionar as formas de uso dos estádios da Copa, a maior parte construída com dinheiro público, a matéria também focou na utilização que o Palmeiras vem fazendo do Allianz Parque, estádio recém-construído que, segundo levantamento, é o mais lucrativo do País.

Sem ter recorrido ao governo para investir na obra, o Palmeiras, que administra o estádio em conjunto com a construtora WTorre por um período de 30 anos, fica com a totalidade do lucro sobre as vendas de bilheteria, enquanto a empresa garante seus ganhos a partir de shows e eventos realizados na arena, construída com a função de “multiuso”. No fim do prazo de trinta anos, reforça o Times, o clube usufruirá de 100% da receita adquirida.

Allianz Parque é cotado como estádio que mais lucra no Brasil, segundo estudo de jornal americano (Foto: Divulgação)

Em contraposição ao Allianz Parque, que ficou de fora da Copa e foi reinaugurado após quatro anos de reforma em novembro passado, a Arena Corinthians também é citada pela reportagem como exemplo, porém, de má administração. O Times indica que, ao contrário do Verdão, o alvinegro não acumula os lucros de bilheteria, utilizando grande parte para agilizar o pagamento do empréstimo contraído para erguer o estádio em Itaquera.

Outro ponto de crítica é que, quase um ano depois do Mundial, cerca de R$ 1,3 bilhão continuam a ser investidos na arena, que ainda não conseguiu vender os naming rights, para reparar detalhes finais, como a colocação de um telão atrás de um dos gols e o símbolo na fachada do estádio.

Por fim, a publicação reforça que a cultuada modernização das construções acarretou no aumento dos custos com manutenção, o que coloca em risco a balança financeira dos clubes já desregulada pelo atual panorama do futebol brasileiro. Além disso, a associação de clubes com consórcios para a administração dos estádios, como aconteceu com o Maracanã e o Mineirão, também é alvo de reprovação, já que o confronto de interesses, por vezes, acaba por prejudicar a utilização das instalações.