Incomodado com Bolsonaro, Sampaoli diz que não pode proibir ninguém de entrar no estádio

O presidente da república chegou ao estádio sob gritos de "mito" e algumas vaias.

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17 NOV 2019Por Folhapress11h18
O técnico Jorge Sampaoli.Foto: Facebook/Santos F.C.

O técnico Jorge Sampaoli comentou sobre a presença de Bolsonaro na Vila Belmiro durante o empate de 1 a 1 entre Santos e São Paulo, na tarde deste sábado (16), pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O argentino defendeu a democracia e afirmou que não pode proibir a presença de alguém no estádio.

Conforme a reportagem apurou, Sampaoli ficou incomodado com a presença do presidente no clássico por defender ideologias diferentes de Bolsonaro. No entanto, o argentino nunca pediu para que a visita não acontecesse, muito menos entrou em rota de colisão com o clube por causa do assunto ou ameaçou deixar o cargo.

"Isso é democracia, o presidente tem direito de ir a onde quiser. Sou treinador. Não sei porque alguém acha que posso impedir a presença de alguém, seria uma falta de respeito. Sobre pensamentos políticos, eu prezo por defender a democracia. Eu vivi a ditadura no meu pais, nunca seria alguém que não defende isso, e isso é defender que qualquer um pode ir onde quiser. Veja o que acontece na Bolívia, que a democracia está debilitada. O que eu mais desejo é não voltar a um lugar de execução como vivi na minha infância", disse Sampaoli.

O presidente da república chegou ao estádio sob gritos de "mito" e algumas vaias. Já no camarote da presidência, de onde viu o jogo, ele recebeu uma camisa do Santos com o número 10 e personalizada com seu nome. Antes da bola rolar, Bolsonaro desceu até o setor das cadeiras, logo abaixo do camarote, para tirar fotos com os torcedores.

Bolsonaro assistiu o primeiro tempo com bastante atenção e comemorou o gol de Sánchez que abriu o placar para o Peixe. Na segunda etapa já não foi mais tão visto próximo ao vidro do camarote e deixou o estádio pouco depois dos 30 minutos, quando Daniel Alves já havia empatado o duelo.