Impasse pode atrasar a inauguração da Allianz Parque em um ano

Uma corte arbitral terá de ser convocada para decidir o assunto, processo que pode levar cerca de um ano

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23 OUT 201321h04

O maior presente do Palmeiras para a torcida no ano do centenário do clube, em 2014, poderá chegar atrasado. As obras da Allianz Parque estão em um impasse entre a diretoria e construtora sobre a definição do uso das cadeiras e caso o imbróglio não se resolva logo, uma corte arbitral terá de ser convocada para decidir o assunto, processo que pode levar cerca de um ano.

A reportagem teve acesso a uma cópia do contrato assinado entre o Palmeiras e a construtora WTorre no dia 15 de julho de 2010. Nele, a divergência está no entendimento dos direitos de exploração das cadeiras do novo estádio. Para o clube, a empreiteira tem direito apenas a 10 mil cadeiras especiais presentes no projeto. Já do outro lado, a interpretação é que todos os mais de 40 mil assentos podem ser negociados, conforme um repasse de porcentagens ao clube a ser feito anualmente.

Em casos de divergência, está previsto que um acordo será mediado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá. O processo de arbitragem, porém, pode ser lento. Embora ambas as partes estejam interessadas em uma saída amigável para o conflito, a relação está desgastada e o tempo para resolução é curto.

A previsão de entrega do estádio é para abril do ano que vem e no mês de maio já está marcado o primeiro evento no local - um show da banda One Direction. O centenário do Palmeiras é em agosto e o grande sonho do clube e da torcida é de jogar as partidas da próxima temporada já no novo estádio.

O maior presente do Palmeiras para a torcida no ano do centenário do clube, em 2014, poderá chegar atrasado (Foto: Divulgação)

No mesmo contrato está escrito que durante o período de vigência da parceria entre as partes, ao longo de 30 anos, o direito de exploração comercial cabe à construtora. "A exploração da Arena, bem como todos e quaisquer direitos correlatos à Arena (...) serão de exclusividade da Superficiária (WTorre)", disse o texto Apenas estão fora disso as 3.082 cadeiras cativas que já existiam no antigo Parque Antártica.

A nova polêmica entre as duas partes foi reacendida na última terça-feira. O dono da construtora, Walter Torre, afirmou que "a arena é inteira nossa" e admitiu diminuir o ritmo da construção até que o desentendimento termine.

O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, rebateu no mesmo dia. "A Allianz Parque é a casa do palmeirense e que nenhum terceiro venha se julgar dono da casa palmeirense", comentou. O próprio dirigente admitiu que se o caso precisar de arbitragem, ficará difícil evitar um atraso. "Pode atrasar um pouco mais a obra, mas é muito melhor conter a ansiedade nesse momento porque estamos decidindo o futuro do Palmeiras em 30 anos. É melhor ter um atraso e iniciar como se deve, do que sofrer 30 anos por algo que não começou de forma adequada", explicou.

CONTRATEMPOS - A obra começou em 2010 e já foi paralisada duas vezes pelo Ministério Público. A primeira foi em 2011, por suspeitas de que a concretização da área construída era maior do que a permitida. O problema foi resolvido com a readequação do projeto. No ano seguinte, a alegação foi a suspeita de notas frias para a liberação de alvarás. As obras foram retomadas após ter sido comprovada a veracidade dos documentos.

Também em 2012, o operário Carlos de Jesus, de 38 anos, morreu após ter sido atingido pelo desabamento de vigas. A obra ficou parada por 10 dias.