Fiscal de questiona confissão de menor corinthiano em São Paulo

A apresentação de um menor de idade como responsável pela morte do torcedor do San José, promovida pelo advogado da Gaviões, levantou suspeitas

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26 FEV 201316h15

Integrante da Gaviões da Fiel, um menor de 17 anos se apresentou como responsável pela morte do jovem Kevin Beltrán Espada, torcedor do San José, nesta segunda-feira. Abigail Saba, fiscal (ou promotora, no Brasil) encarregada da investigação em Oruro, questiona a confissão do jovem brasileiro e avisa que o ato não terá qualquer tipo de influência.

“O fato aconteceu no Departamento (equivalente ao Estado) de Oruro e a investigação deve ser conduzida aqui, não em outro lugar”, afirmou a fiscal à Gazeta Esportiva.net, salientando que não foi informada oficialmente sobre a confissão do garoto em São Paulo. “É um fato isolado e não tem nada a ver com a investigação que está sendo conduzida aqui”, completou.

Ricardo Cabral, advogado da Gaviões da Fiel e do menor que se apresentou como responsável por disparar o sinalizador que atingiu Kevin, acreditava que a confissão permitiria a libertação dos 12 corintianos que estão detidos em Oruro, possibilidade descartada por Saba.

“A investigação foi aberta contra 12 brasileiros que estavam no estádio. Nós atuamos e investigamos baseados em todos os elementos encontrados na cena do crime. Esse fato não aconteceu no Brasil. Então o que vão investigar as autoridades do Brasil?”, questionou a representante do Ministério Público.

A apresentação de um menor de idade como responsável pela morte do torcedor do San José, promovida pelo advogado da principal torcida organizada do Corinthians, levantou suspeitas. Para Abigail Saba, a situação provoca uma série de questionamentos.

Acomapanhado pelo advogado Ricardo Cabral, menor de 17 anos se apresentou como responsável pela tragédia (Foto: Djalma Vassão/ Gazeta Press)

“Surgem várias interrogações. Por que ele não se apresentou á justiça boliviana? Por que se apresentou só agora? Quem o ajudou a sair do país? Quem facilitou e cooperou com isso? Como ele saiu do país? Como menor de idade, não acho que atuou sozinho”, declarou Saba.

Os interessados em contribuir com a investigação devem se apresentar na cidade boliviana, diz a promotora. “Se alguém conhece elementos desse fato lamentável, que culminou com a morte de um garoto, precisa se colocar à disposição do Ministério Público do Departamento de Oruro”, afirmou.

De acordo com Saba, há um vídeo que leva a crer que o responsável por disparar o sinalizador que atingiu Kevin é Hugo Nonato, um dos 12 corintianos detidos em Oruro. “Qual versão se sustenta? Identificam um, identificam outro. Isso nos faz ter dúvidas quanto à credibilidade dos indiciados brasileiros”, afirmou.