Filhos, trabalho e maratona: conheça Rose, a ‘Iron Mãe’

Além de cuidar dos filhos e do trabalho, a santista ainda tem tempo para competir

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14 MAI 2017Por Diário do Litoral13h30
Na edição especial de Dia das Mães do Papo de Domingo, o Jornal Diário do Litoral traz a história de Rosecler CostaFoto: Divulgação

Na edição especial de Dia das Mães do Papo de Domingo, o Jornal Diário do Litoral traz a história de Rosecler Costa, exemplo da mãe moderna. Além de cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos Rogério, de 8 anos, e Marcela, 10 e trabalhar com transporte escolar ao longo do dia, a santista, de 39 anos, ainda arruma tempo para se dedicar à vida de ultramaratonista de elite.

O cotidiano atribulado lhe rendeu o apelido de Iron Mãe (Mãe de Ferro), em alusão à prova de Triathlon Iron Man (Homem de Ferro), considerada a mais difícil do mundo. O trajeto envolve 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida. Tudo isso com o tempo máximo de 17 horas e sem pausa para descanso. Nada assustador, porém, a quem sabe lidar com o “desgaste” de ser mãe.

Em 2015, ela participou do Iron Man, realizado no Hawai, e foi a primeira brasileira a cruzar a linha de chegada, com tempo de 10h33m57s. Personificação da mãe guerreira, batalhadora do dia a dia, ela foi atrás de mais desafios. E no último domingo (07), conquistou de forma inédita o título do UB515 Brasil Ultra Triathlon, com o tempo de 25h22min20 nas distâncias de 10km de natação, 451 km de ciclismo e 84 km de corrida. A prova foi completada, com pausas, em três dias (sexta a domingo).

Você poderá acompanhar na entrevista a baixo um pouco mais da relação da Iron Mãe com seus filhos, rotina de trabalho e treinos, e como Rose se tornou uma inspiração para outras mães santistas e pelo mundo afora.

DL – Quando iniciou a sua vida no Triathlon? Queria saber sobre os seus primeiros passos no esporte...

Rosecler Costa – Comecei a fazer Triathlon com 17 anos. Nadava por causa de bronquite, comecei a fazer biathlon e logo depois passei para o tri. Eu assistia às provas do Troféu Brasil de Triathlon e achava o máximo! Trabalhei como staff e logo depois fui para o lado do atleta.

DL – Quando resolveu partir para estas provas de longa distância? Vemos poucas mulheres (e mães) participando deste tipo de competição...

Rose – Na realidade, existe muito o lado genético. Provas longas não são para todos. Tem que gostar muito e o corpo tem que assimilar bem esses tipos de provas. Elas trabalham o lado mental, psicológico e isso pra mim é fantástico! É algo que me faz calcular tempo de prova, pensar... adoro isso!

DL – Quando descobriu que seria mãe pela primeira vez já participava destas provas?

Rose – Na verdade, quando fui mãe (em 2007), estava meio parada do esporte e eu resolvi parar tudo mesmo para me dedicar de corpo e alma na maternidade. Aos poucos, quando eles foram crescendo, retornei às competições.

DL – Hoje você tem quantos filhos? Como consegue conciliar o lado mãe do lado atleta?

Rose – Tenho dois filhos, um casal. A Marcela, de 10 anos, e o Rogério, 8. Eles são filhos abençoados e não me dão nenhum trabalho. Consigo treinar e conciliar com a educação, pois eles me ajudam bastante. Minha mãe também é peça fundamental neste quesito.

DL – Poderia detalhar como funciona o seu dia a dia? Desde a alimentação das crianças, condução à escola, atenção nas lições de casa, treinos...

Rose – Quando estou em fase de treino intenso, algumas destas funções são transferidas para a avó e para o pai. Mas ainda estudo com eles, coloco eles para dormir, rezo e depois eu durmo. Não é nada fácil (conciliar trabalho e filhos), pois o desgaste físico e mental é intenso, mas com força de vontade e amor, toda mãe consegue.

DL – Os seus filhos te ajudam de alguma forma na preparação para os torneios?

Rose – Já teve treino em que levei eles comigo. Eu pedalando e eles de carro com meu marido. Coloco eles para ajudar na entrega de água e comida durante a prova, ou seja, faço deles meus staffs. E eles se divertem (risos).

DL – Em algum momento durante estas provas você pensa em seus filhos e utiliza isso como força para seguir em frente até a linha de chegada?

Rose – Com certeza! Sempre penso neles e em meu marido. Eles são meu combustível. Sem eles não sou ninguém. Levo sempre uma foto deles comigo.

DL – Os seus filhos devem te ver como uma grande heroína, né?

Rose – Bem por aí mesmo! Eles sabem o quanto eu tenho de tarefas, sabem que não é nada fácil. Mas se enchem de orgulho quando a mãe deles consegue conciliar tudo.

DL – Quais seriam os super poderes desta heroína, a Mãe de Ferro?

Rose - (Risos). Acho que meus super poderes seriam concentração, foco, força e muita determinação para atingir todos estes objetivos de ser mãe no dia a dia.

DL – Além de heroína para o seus filhos, você pode ser considerada também um exemplo da mãe moderna, né?

Rose - Eu acredito que sim. Com certeza existem muitas “Ironmães” pelo mundo afora. Só de conciliar um dia intenso já é o bastante para isso. Milhares de afazeres que somente a mulher e, principalmente quem é mãe, sabe fazer com muita maestria.