Após longo silêncio, Fabián Noguera nega agressão a repórter

O argentino foi acusado de agredir e ameaçar um repórter do Globoesporte.com após amistoso contra o Kenitra (MAR), no Pacaembu

Comentar
Compartilhar
27 FEV 2017Por Diário do Litoral16h42
Fabián Noguera negra agressão a jornalistaFabián Noguera negra agressão a jornalistaFoto: Divulgação

Após longo período de silêncio, o zagueiro Fabián Noguera resolveu se manifestar sobre episódio polêmico após a vitória sobre o Kenitra, do Marrocos, no dia 28 de janeiro. Na ocasião, o argentino foi acusado de agredir e ameaçar um repórter do Globoesporte.com.

Segundo depoimento do jornalista Lucas Musetti, que prestou Boletim de Ocorrência no 23º DP, em Perdizes (SP) o defensor puxou-o pelo colarinho e fez ameaças. A discussão aconteceu logo após a partida. Noguera não teria aprovado uma crítica feita pelo repórter em rede social.

Após a denúncia, o Santos preferiu não se manifestar e não liberou o jogador para entrevistas com os jornalistas. O Diário do Litoral tentou pronunciamento oficial do atleta, mas ele adotou silêncio. Nesta segunda-feira, porém, Noguera resolveu expor a sua versão e negou as acusações.

“Houve uma troca verbal. Não houve nenhum tipo de ameaça, muito menos de agressão física. Alguém pode realmente acreditar que em um lugar público com muitas pessoas ao redor, se uma pessoa agride fisicamente outra, não vai ser interceptada pela segurança?”, disse.

"Este episódio não me afeta profissionalmente, mas também pessoalmente, manchando meu nome e reputação, uma situação que é difícil de reverter mesmo em uma mentira", completou o jogador, que acionará na Justiça o repórter por difamação.

O desentendimento mexeu com os bastidores do elenco do Santos. Após o episódio, os jogadores saíram em defesa do atleta, pedindo, inclusive, uma oportunidade para que ele pudesse expor a sua opinião. Durante cerca de um mês, porém, ele ficou recluso.

O técnico Dorival Júnior mostrou apoio ao seu atleta, mas não aprovou a discussão por uma crítica feita pela imprensa. Há entendimento que esta não foi uma postura adequada para a ocasião. Segundo o comandante, isto deveria ter sido resolvido internamente, sem exposição na mídia.

Fato é que, após a polêmica, Noguera, que já não vinha sendo aproveitado no fim de 2016, perdeu ainda mais espaço na equipe e sequer foi relacionado para a primeira fase do Paulistão. Ele, inclusive, pode ser negociado, por empréstimo, nas próximas semanas.

Ex-Banfield (ARG), Noguera chegou ao Santos em julho do ano passado por recomendação da diretoria do clube - ele não foi um pedido do técnico Dorival - e assinou um contrato até junho de 2021. Em 2016, o atleta foi opção em nove partidas e marcou dois gols pelo clube.

Confira o depoimento completo de Noguera:

Eu me comunico com vocês novamente algum tempo depois para esclarecer algumas questões que foram ditas contra mim e que me ofende, não só para mim mas também para minha família e gente querida. Até agora eu tinha decidido não mencionar o fato, não dar mais importância e não causar problemas na vida do clube. No entanto, eu preciso especificar o que aconteceu em detalhes para não permitir que sujem meu bom nome.

No sábado, 28 de janeiro, após o amistoso com Kenitra, no Pacaembu, eu me informei que o único comentário negativo da partida tinha sido de um jornalista em particular e apontado para mim. Na verdade, não foi a primeira vez que recebi comentários dessa pessoa, muitas vezes maliciosamente. É por isso que quando o jogo finalizou, pedi um momento para falar na zona mista. Ele, que estava por trás da cerca, passou por segurança, autorizado por mim, para falar pessoalmente.

Vale ressaltar que na zona mista tinha pelo menos quinze jornalistas de diferentes meios de comunicação, ajudantes e funcionários do clube. Nós nos afastamos cinco ou seis metros para conversar ficando à vista de todos eles. Eu perguntei se ele tinha algum interesse particular em me criticar, porque eu estava sofrendo no meu trabalho. Ele pediu para não levá-lo mais, ele queria continuar trabalhando no local, ao que eu respondi que ele também deixe-me fazer o meu trabalho tranquilo. Só isso. Uma troca verbal. Não houve nenhum tipo de ameaça, muito menos de agressão física.

Alguém pode realmente acreditar que em um lugar público com muitas pessoas ao redor, se uma pessoa agride fisicamente outro, não vai ser interceptadas pela segurança, polícia ou qualquer outra pessoa? Se o fato tivesse acontecido, tendo em vista os seus colegas, a notícia não tinha sido espalhada nos portais e redes sociais minutos mais tarde? Nada disso aconteceu. Nem mesmo no dia seguinte.

Curiosamente, a "notícia" foi lançada na quinta-feira, uma vez que ele pode ver que não fui registrado na primeira lista para jogar o Paulistão, que foi lançada na quarta-feira. Infelizmente, quando a "informação" foi dada pelas redes sociais e portais, imediatamente foi tomada como verdadeira, sem contrastando-a com diferentes fontes.

Há um processo de difamação. Este episódio não só me afeta profissionalmente, mas também pessoalmente, manchando meu nome e reputação, uma situação que é difícil de reverter mesmo em uma mentira. Não é de admirar que espalhem a mentira, como eu entendo a sua missão clara para conseguir maior impacto do seu trabalho, mesmo que para isso deva mentir e agir de forma maliciosa, mas fiquei surpreso que nenhuma nenhum outro jornalista desmentia.

Por sorte, eu tenho testemunhas para esclarecer o episódio na Justiça, da qual estou disponível, e ações que já estão nas mãos de meu advogado. Depois de esclarecer isso vou iniciar uma ação legal por difamação. Seria bom pra esclarecer a verdade, ser concedido o mesmo impacto na mídia que a notícia falsa.

Finalmente, gostaria de agradecer o apoio dos meus companheiros de equipe e comissão técnica, que têm pleno conhecimento de que nenhuma ameaça ou agressão de qualquer tipo foi feita. Além disso, você, fãs santistas, que esperaram para ouvir a minha palavra e foi dado o benefício da dúvida, espero que esta situação seja esclarecida o mais rapidamente possível para virar a página e deixar claro que eles não podem dizer qualquer coisa sobre uma pessoa.