No dia que o Santos reconheceu de forma oficial a venda de Geuvânio para o Tianjin Guanjian, o site Football Leaks publicou o contrato da venda de 35% dos direitos econômicos do atacante, efetuada em 2014, para o grupo de investimentos Doyen Sports, que tem sede registrada em malta.
O documento mostra que a empresa tem direito a receber cerca de R$ 19 milhões sobre a transferência de Geuvânio para o clube chinês depois de ter pago 750 mil euros (aproximadamente R$ 3,3 milhões) ao Peixe para adquirir a fatia do atleta. Com isso, a Doyen lucrará R$ 15,7 milhões nesta transação. O contrato foi assinado em 26 de novembro de 2014 pelo ex-presidente Odílio Rodrigues e por seu vice à época, Luis Cláudio de Aquino, além de Nelio Freire Lucas, diretor do Doyen Sports.
Os 30% restantes sobre os direitos econômicos de Geuvânio, aponta o documento, pertencem 20% a empresa IGG e 10% ao agente do jogador, Claudio Guadagno. Proporcionalmente, estes dividirão cerca de R$ 16 milhões devido a venda do atleta para a equipe de Vanderlei Luxemburgo.
Ao todo, o Tianjin Quanjian desembolsará 12 milhões de euros (R$ 53,7 milhões) para contratar Geuvânio por três temporadas. O valor é bem inferior a multa rescisória estipulada no contrato do atleta com o Santos: R$ 100 milhões para clubes brasileiros e 50 milhões de euros (R$ 220 milhões na cotação desta sexta) para times do exterior. Entretanto, ao vender 35% do atacante para o grupo de investimentos maltês, o Peixe concordou que uma oferta de 4 milhões de euros (R$ 17,6 milhões) fosse considerada “razoável” e “mínima” para uma eventual venda.
A grande incógnita agora é se o time da Vila Belmiro repassará o que é de direito do Doyen Sports. Isso porque a atual diretoria entende que a venda dos tais 35% foi concretizada de forma irregular, de acordo com o estatuto do clube. O Peixe já busca na Justiça reaver a condição de ser único detentor de 70% dos direitos econômicos de Geuvânio. É provável que o valor proporcional aos 35% dos investidores seja depositado em juízo até que saia a decisão judicial sobre o caso.
Esta, inclusive, é uma das causas do Conselho Deliberativo santista ter decidido, em reunião na noite desta quinta, processar o ex-mandatário e todo o Comitê Gestor da época na Justiça comum por “gestão temerária”. A ação só depende de Modesto Roma Júnior agora, que já acenou a intenção de atender o desejo do CD. Odílio e os responsáveis também devem ser expulsos definitivamente do quadro associativo do clube até março, quando a Comissão de Inquérito e Sindicância divulgará seu parecer sobre as ações da gestão Odílio.
