Dorival Júnior demorou um pouco mais do que o habitual para dar sua entrevista coletiva depois da vitória por 3 a 2 nos pênaltis sobre o Palmeiras, após um empate por 2 a 2 no tempo normal, neste domingo. Com o semblante acelerado, logo depois de sair dos vestiários, o técnico foi logo perguntado sobre a reação palmeirense ter alguma relação com a troca de Gabriel por Alison quando o jogo parecia decidido.
“Sinceramente, não. O Alison entrou em uma função e abrimos o Lucas Lima, e colocamos o Cittadini para a função do Lucas Lima. Se fosse o caso do Palmeiras nos envolvendo eu daria a mão à palmatória. Mas foi uma jogada de dividida e na sequência teve uma bola na área em que o citado Alison nem participou”, explicou, deixando claro que, na sua visão, o Palmeiras não merecia a vaga à final do Campeonato Paulista.
“Seria uma grande injustiça se o Santos não saísse com a classificação. Sou muito sincero. São circunstâncias de uma partida, que acontece em qualquer partida, mas, o modo como a partida vinha sendo conduzida… A não ser dois momentos, um dos Roger Guedes e outro de uma falha na saída, com o Gabriel Jesus. Não vejo nenhuma relação com a substituição”, completou.
O treinador admitiu que sua equipe sentiu o primeiro gol e acabou não desempenhando em campo aquilo que ele havia planejado com as substituições. Mas, nem por isso, criticou qualquer jogador e preferiu culpar apenas a dramaticidade que o esporte pode proporcionar.
“Era o momento de aproveitarmos os espaços do Palmeiras. Nós tínhamos tudo para que pudéssemos ter um final de partida mais tranquilo, mas é futebol. Futebol acontece de tudo e quando você menos espera. Seria uma derrota muito grande se o Santos não saísse classificado daqui hoje pelo que jogou, pelo que produziu durante os 90 minutos”, ressaltou.
Nem mesmo os gritos de “eliminado” que os santistas já ecoavam das arquibancadas ou os inúmeros “olés” a cada toque na bola, que sempre irritam a equipe adversária, mexeram ou mudaram a atitude dos jogadores, garante Dorival.
“Não senti isso dentro de campo. Estávamos equilibrados. Não nos encolhemos. Nós não recolhemos a marcação. Continuamos a marcação como fizemos no jogo todo. Tirar lição é natural, no futebol você tem de estar atendo, mas não percebi contagio da arquibancada”.
Nos pênaltis, o Santos começou errando com Lucas Lima, mas viu David Braz, Zeca e Victor converterem suas cobranças, enquanto Barrios, Rafael Marques e Fernando Prass desperdiçaram para os palmeirenses. Para Dorival, este é um momento difícil de se explicar.
“É um pouco de tudo. É emocional, é equilíbrio, sorte, estar treinado. Às vezes um grande batedor falha e um batedor que não esteja passando confiança nos treinos, faça. Para quem está ali dentro é a pior coisa que existe. Uma obrigação e, queira ou não, penaliza qualquer profissional”, comentou, claramente incomodado com a forma tradicional utilizada para desempate de um jogo.
“A cada ano a gente vai acompanhando, vivendo várias decisões e a gente nunca aprende com pênaltis. Não existe preparação adequada. Não tem como saber se seu time vai vencer, se está preparado. Para mim, continua sendo uma grande loteria”, esbravejou, contrariado.
