AS COPAS QUE GANHAMOS

Deu Brasil: em 62 Mané Garrincha colocou o País nas costas rumo ao bi

Veja detalhes e curiosidades sobre a Copa do Mundo de 1962, a segunda das cinco conquistas mundiais do Brasil

Leonardo Sandre

Publicado em 27/09/2022 às 12:13

Atualizado em 27/09/2022 às 12:16

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Garrincha durante vitória da seleção brasileira contra o México, por 2 a 0, em jogo válido pela Copa do Mundo de 1962, no estádio Sausalito, em Viña del Mar. / Acervo Última Hora/Folhapress

A Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile, foi a segunda conquistada pelo Brasil - e de forma consecutiva. Mané Garrincha, o gênio das pernas tortas, viu uma seleção abalada pela lesão de Pelé que estaria fora da Copa, colocou o Brasil nas costas, botou a bola embaixo do braço e trouxe a segunda das cinco taças para nosso País. Veja abaixo alguns detalhes sobre a Copa de 1962:

16 seleções nacionais foram qualificadas para participar desta edição do campeonato, sendo 10 delas europeias (União Soviética, Iugoslávia, Alemanha Ocidental, Itália, Suíça, Tchecoslováquia, Espanha, Hungria, Inglaterra e Bulgária) e 6 americanas (Chile, Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia e México). O formato era de quatro grupos de quatro equipes, no qual todos se enfrentavam pelo menos uma vez, assim como na copa anterior.

Mauro Ramos levanta a taça do bi-mundial do Brasil/ Reprodução O Cruzeiro

Feitos históricos:

A edição teve duas grandes goleadas: Iugoslávia 5 x 0 Colômbia e Hungria 6 x 1 Bulgária, além do empate com o maior número de gols em Copas: União Soviética 4 x 4 Colômbia, partida na qual foi marcado o primeiro (e até hoje, único) gol olímpico em Copas do Mundo.

A partida entre Brasil e Inglaterra foi paralisada várias vezes pelo árbitro devido às constantes invasões de campo por cachorros! Quem solucionou o problema na primeira vez foi o jogador inglês Greaves, que ficou "de quatro" e foi se aproximando do pobre cãozinho. O segundo, ninguém pegou. E após o próprio animal deixar o campo, o jogo reiniciou.

Essa foi a primeira Copa vista pelos brasileiros em videoteipe. As fitas chegavam de avião e eram exibidas dois dias depois da realização das partidas da seleção brasileira.

Segundo o portal UOL, na tribuna de imprensa, após a vitória inaugural, todos os jornalistas brasileiros eram obrigados a trabalhar com a roupa daquele primeiro jogo. Quem mudasse uma peça qualquer era impedido pelos companheiros de entrar.

País-sede:

Em 10 de julho de 1956, no Congresso da Fifa realizado em Lisboa, Portugal, o Chile conquistou o direito de sediar a sétima edição da Copa do Mundo.

Mas, em 21 de maio de 1960, um terremoto devastou o Chile. Foi considerado o pior terremoto da história do país em quatro séculos, deixando 5 mil mortos, 2 milhões de desabrigados e arrasando uma área de 400Km2. A menos de dois anos da Copa, o Chile estava economicamente e psicologicamente devastado. Muitos propuseram a troca da sede.

Graças à luta incansável do presidente do Comitê Organizador da Copa, o chileno (nascido em Niterói) Carlos Dittborn, o Chile não só manteve a Copa como conseguiu se reerguer de maneira espantosa, num ato de extrema bravura e coragem, como podemos ver nas palavras de Dittborn:

"Precisamos desta Copa. Muito mais do que das esmolas dos ricos. Se tivermos a Copa, aí sim teremos tudo - as atenções e as simpatias do mundo e o dinheiro que nos ajudará a sair dos abismos. Trabalhando dia e noite, sob o lema "Ya que nadie tenemos, los haremos todo" (“já que nada temos, faremos tudo”).

O Chile reconstruiu o Estádio Nacional e mais os estádios de Viña del Mar, Rancágua e Arica. Aliás, este último foi batizado postumamente de Carlos Dittborn, falecido em fevereiro de 1962, vítima de um colapso cardíaco, causado pelo excesso de trabalho.

Artilharia da Copa:

A Copa de 1962 não teve apenas um artilheiro, mas seis, com quatro gols cada. Representando o Brasil, Garrincha e Vavá; o chileno Leonel Sánchez; o húngaro Flórián Albert, o iuguslavo Dražan Jerković e o russo Valentin Ivanov.

Brasil na Copa de 1962:

Na primeira partida do Brasil, Pelé, que neste ano viria a ser campeão mundial pelo Santos, marcou seu primeiro gol, mas se contundiu no segundo jogo contra a Tchecoslováquia, não podendo continuar no campeonato. A partir deste ocorrido, muitos dizem que esta foi a "Copa de Garrincha", considerado pela maioria como o melhor jogador do Mundial e um dos grandes responsáveis pela conquista brasileira, sagrando-se artilheiro da competição ao lado de Vavá.

Amarildo substituiu Pelé, a partir do segundo jogo da copa, e não deixou por menos. Tanto que ganhou o apelido de “possesso”. Sua participação foi tão importante que após o mundial se transferiu para o futebol europeu.

O estádio Nacional de Santiago recebeu mais de 75 mil espectadores para o jogo da semifinal entre Chile x Brasil, em 1962. Construído em 1937, sua capacidade máxima era de 74 mil pagantes.

Nas semifinais o Brasil venceu o Chile, dono da casa, por 4 a 2. Os chilenos, com o lema "como nada temos queremos tudo", surpreenderam e ficaram com um honroso terceiro lugar ao derrotar a Iugoslávia. A Tchecoslováquia, que cresceu durante a competição, venceu a Iugoslávia por 3 a 1.

Final da Copa:

Na final, o Brasil voltaria a enfrentar a equipe que havia lesionado Pelé ainda no segundo jogo do torneio: a Tchecoslováquia.

Além de Pelé, Garrincha também seria um desfalque, por conta da expulsão no jogo da semi-final contra o Chile. Porém, o juiz da partida, o peruano Arturo Yamasaki, não relatou a agressão na súmula. Ele não havia visto a agressão de Garrincha no lance. Antes de expulsar o ponta, ele consultou o bandeirinha uruguaio Esteban Mariño, que havia acompanhado de perto o lance e chamou a atenção do árbitro.

Por conta de não constar na súmula (o bandeirinha uruguaio deixou apenas uma declaração escrita, afirmando que a infração foi um simples revide em típico lance de jogo), a Fifa, após pressões do Brasil, inclusive do então primeiro-ministro Tancredo Neves, incentivado pelo presidente João Goulart, e até do presidente chileno, Jorge Alessandri, que enviou pessoalmente uma carta à comissão disciplinar da Fifa pedindo que não se deixasse de fora o “jogador de futebol tão alegre”, deu a Garrincha apenas uma advertência do Tribunal da Fifa. E assim, mesmo com febre de 38 graus, o Mané foi para o jogo.

Os Tchecos saíram na frente com um gol de Masopust mas o Brasil empatou pouco depois com Amarildo. No segundo tempo Zito e Vavá ampliaram o placar brasileiro.

Ao final de 90 minutos, o Brasil venceu por 3 a 1 e se tornou bicampeão do mundo. Desta forma, essa foi a segunda, e por enquanto última, vez que uma equipe conseguiu o bi-campeonato da Copa de maneira consecutiva.

E então, foi só esperar o árbitro apitar o final da partida para o capitão Mauro Ramos erguer a taça Jules Rimet - em feito eternizado na copa anterior por Bellini, e o Brasil conquistar seu segundo título mundial (consecutivo).

Mané Garrincha:

A atuação de Garrincha foi tão impressionante e histórica, que é até hoje recordada pela FIFA, entidade máxima do futebol:

"Nesse dia, em 1962, Garrincha teve uma das maiores atuações individuais na história do Copa do Mundo, inspirando o Brasil na vitória por 4 a 2 sobre o anfitrião Chile nas semifinais. No dia seguinte, o jornal El Mercurio destacou: ‘Garrincha, de que planeta você veio?‘" - escreveu a Fifa em sua rede social. 

Mané Garrincha foi o grande craque do Brasil na Copa de 1962/ Reprodução


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