Cristiano Ronaldo faz história, Real ‘se vinga’ do Dortmund e encaminha vaga

O português anotou seu 14º gol no torneio e igualou Lionel Messi e José João Altafini, o Mazzola como maior artilheiro de uma temporada da Champions League

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02 ABR 201418h05

Madri presenciou uma noite histórica nesta quarta-feira, no Santiago Bernabéu. Sem nenhuma dificuldade, o Real se vingou da derrota por 4 a 1 sofrida no jogo de ida das semifinais da Liga dos Campeões da Europa do ano passado, bateu o Borussia Dortmund por 3 a 0, desta vez pelas quartas de final, e encaminhou sua classificação para a próxima fase da competição europeia. Além disto, em sua 100ª partida no principal torneio de clubes do mundo, Cristiano Ronaldo anotou seu 14º gol na atual edição do torneio e igualou Lionel Messi (2011/12) e José João Altafini, o Mazzola (1962/63) como maior artilheiro de uma temporada da Champions League.

O Real Madrid decidiu a partida ainda na primeira etapa. Logo aos três minutos, Gareth Bale comprovou a boa fase a abriu o placar, após bela trama entre Benzema e Carvajal pelo lado direito. Foi o sexto gol do galês nos últimos dez jogos. Aos 27, Isco aproveitou falha de Mkhitaryan no campo de defesa e mostrou categoria ao acertar o canto de Weidenfeller e ampliar o marcador. No segundo tempo, quem faltava deixou a sua marca. Cristiano Ronaldo recebeu de Modric, limpou o goleiro alemão e concluiu a fácil vitória do Real, fazendo história. No fim, sentiu cansaço e foi substituído pelo volante brasileiro Casemiro, sendo ovacionao pelo Santiago Bernabéu.

Agora, as duas equipes voltam a se enfrentar na próxima terça-feira, às 15h45 (de Brasília), mas no estádio Signal Iduna Park, em Dortmund (Alemanha). Ao Real Madrid, até uma derrota por três gols de diferença basta para a classificação às semifinais – com exceção de um 3 a 0, que levaria a decisão para a prorrogação. O Borussia Dortmund, por sua vez, precisará triunfar por quatro tentos de vantagem para avançar.

Cristiano Ronaldo marcou seu 14º gol na Champions League (Foto: Associated Press)

O Jogo

Horas antes do início da partida, o Real Madrid ganhou um indesejável desfalque. Além de Marcelo, que lesionara a coxa esquerda no treinamento da última terça-feira, o argentino Angel Dí Maria não pôde entrar em campo, por causa de uma gastroenterite. Assim, o jovem espanhol Isco ganhou uma chance entre os titulares. Pelo lado do Borussia Dortmund, foram cinco as baixas: Neven Subotic, Marcel Schmelzer, Sven Bender e Jakub Blaszczykowski, machucados, além de Robert Lewandowski, suspenso.

E o time merengue soube se aproveitar muito bem disto. Com um início fulminante, conseguiu abrir o placar logo aos três minutos. Pepe descolou lindo lançamento para Benzema, que, da ponta direita, puxou a marcação e fez a parede para Carvajal. Com espaço, o lateral espanhol invadiu a área e rolou para Bale, que, de bico, tocou na saída de Weidenfeller, balançando as redes. A comemoração foi intensa, mas não fez os comandados de Carlo Ancelotti diminuírem o ritmo. Nos minutos seguintes, a pressão seguiu grande. O Borussia mal conseguia sair jogando.

Aos 12, Cristiano Ronaldo cobrou falta com veneno, e Weidenfeller se esticou todo para, no meio do gol, fazer linda defesa junto ao travessão. Na sequência, o goleiro alemão teve que novamente se virar para evitar o segundo do Real após uma série de levantamentos para dentro da área. No primeiro terço da etapa inicial, foram incríveis sete finalizações dos mandantes. Daí em diante, porém, o Borussia passou a melhorar na partida. Até então sumidos, Kehl e Sahin começaram a participar mais do jogo, que, aos poucos, foi se equilibrando.

O Real cedia a posse de bola aos alemães, recuava e apostava na velocidade de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale para assustar nos contra-ataques. Não foi assim, entretanto, que conseguiu ampliar o marcador. Aos 27 minutos, Mkhitaryan perdeu a bola no campo de defesa, e ela sobrou limpa para Isco, que, da entrada da área, bateu bonito no canto direito de Weidenfeller: 2 a 0. Apesar do gol, os Blancosseguiram em cima e quase ampliaram com Bale, aos 30, em cobrança de falta. O arqueiro alemão, desta vez com a mão trocada, fez outra bela intervenção. O Borussia só foi assustar aos 32, com Grosskreutz em chute de fora da área, e nada mais. Dirigiu-se aos vestiários com a sensação de impotência.

Na volta para o segundo tempo, o Real adotou a mesma prática do início da partida e tentou pressionar. Logo aos dois minutos, Gareth Bale recebeu grande passe de Luka Modric e, sem ângulo, chutou cruzado de canhota. No entanto, Weidenfeller se esticou todo e, com o bico do pé direito, fez boa defesa. A resposta alemã veio rápida. Aos quatro, Marco Reus puxou contra-ataque e rolou para Aubameyang na direita. Com liberdade, o gabônes bateu cruzado e mandou rente à trave de Iker Casillas, que não teria chances. O Real voltou a atacar na sequência, mas Sokratis evitou o gol de Benzema com um corte providencial praticamente em cima da linha.

Isto, porém, não aconteceu minutos depois. Aos 11, Luka Modric descolou lindo passe para Cristiano Ronaldo, que, de frente para o gol e pressionado pela marcação, limpou Weidenfeller com enorme categoria e só rolou para o fundo das redes. Foi o 14º tento dele na atual edição da Liga dos Campeões da Europa – igualando Lionel Messi e José João Altafini, o Mazzola, como maior artilheiro de uma só edição da competição continental. O feito não inibiu o Real Madrid, que seguiu atacando. Aos 16 minutos, Benzema arriscou da entrada da área, e Weidenfeller fez linda defesa. Depois, chutou de fora da área, mas mandou nas mãos do goleiro alemão.

Com o duelo decidido, os dois treinadores promoveras substituições. Jurgen Klopp sacou Piszcek e Kehl, e colocou o time para frente, optando pelas entradas de Schieber e Jojic, respectivamente. Por sua vez, Carlo Ancelotti tirou Isco e Benzema, e lançou Illarramendi e Álvaro Morata. Depois, chamou Cristiano Ronaldo, que reclamou de dores musculares, e apostou em Casemiro. Daí para frente, o Real Madrid só administrou o resultado e, com um gostinho de vingança pelo 4 a 1 da temporada passada, praticamente garantiu a sua classificação para a Liga dos Campeões da Europa.