Corinthians é campeão em ano de críticas da imprensa

O campeão brasileiro não escondeu, durante meses, a insatisfação com análises, projeções e até perguntas e atitudes com relação aos jogadores

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16 NOV 2017Por Folhapress10h00
Nem o título aliviou o sentimento. Na zona mista da Arena Corinthians, mesmo com a empolgação do título, o discurso várias vezes esbarrou no desabafoFoto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

"Eu vi com naturalidade o questionamento, desconfiança, dizendo que o Fábio não entende nada de futebol... Recebi um vídeo que não gostei de um cara que vou conversar de novo, de que eu duraria três jogos, um desrespeito. São pessoas que desrespeitam e ainda são burras... A maioria não acreditava".

A frase de Fabio Carille, pouco mais de uma hora depois do maior feito de sua carreira, mostra o peso que os críticos tiveram na campanha histórica do Corinthians, que fecha 2017 de forma praticamente inatacável. Ainda assim, a relação do clube com a imprensa foi marcada pelas rusgas. O campeão brasileiro não escondeu, durante meses, a insatisfação com análises, projeções e até perguntas e atitudes com relação aos jogadores. Da "quarta força" do começo do ano ao histórico desabafo de Neto, passando pela bronca de Romero com os críticos, Carille e companhia nunca estiveram de bem com os microfones.

O caso mais intenso ocorreu com o atacante paraguaio, que não concede entrevistas há quase seis meses. O silêncio começou por causa da edição de uma matéria da Rede Globo, que mostrava o jogador tendo dificuldade para dominar uma bola. Após os jogos, na zona mista, o paraguaio adotou sempre a mesma postura: cabeça baixa, andar apressado e nenhum contato com os jornalistas.

O descontentamento de Romero -e do elenco-, porém, começou muito antes. No começo do ano, o planejamento apressado do Corinthians e o desempenho fraco do ano anterior fizeram o time ser apontado como a "quarta força" do Estado. A expressão virou um mantra da conquista do Paulista, e jogadores, dirigentes e membros da comissão técnica ressaltaram, sempre que puderam, que a conquista era uma resposta a isso.

No Brasileirão, depois do caso de Romero, a relação entre o time e a imprensa voltou a ficar estremecida com a fase instável, quando o Corinthians caiu bruscamente de produção no segundo turno. Indagado sobre o rendimento da equipe, o técnico Fábio Carille se mostrou impaciente em algumas entrevistas.

Após a derrota para a Ponte Preta e a dias do confronto decisivo com o Palmeiras, o Corinthians viveu a sua semana de maior pressão. No dia seguinte ao revés, o comentarista Neto, da Bandeirantes, desabafou em seu programa vespertino e cobrou uma reação do time, que havia somado apenas um ponto em quatro partidas. A reclamação, exaltada, virou piada entre torcedores de todos os times e marcou a conquista do Brasileiro. Nem todo mundo no elenco, porém, levou a reação numa boa.

Alguns jogadores, especialmente os mais jovens do elenco, encararam com mais naturalidade, entendendo que o ex-meia do Corinthians tomou a atitude para inflar a audiência. Outros, por sua vez, ficaram chateados com o modo da cobrança feita na televisão, que teria deixado o grupo exposto.

Na mesma semana, Jadson usou as redes sociais para responder às críticas ocorridas após a derrota em Campinas. Primeiro, mandou um recado via Instagram: "Para os antis. Os que te criticam hoje te aplaudem amanhã. Segue o baile", escreveu. Depois de perder a posição no time para o atacante Clayson, o camisa 10 postou uma foto mostrando a barriga. Na legenda, voltou a cutucar os seus críticos: "Se está ruim para mim, imagina para o craque de Londrina", disse ao posar ao lado de um amigo.

Nem o título aliviou o sentimento. Na zona mista da Arena Corinthians, mesmo com a empolgação do título, o discurso várias vezes esbarrou no desabafo. Cássio reclamou de quem disse que ele "não jogaria em alto nível". Flavio Adauto, diretor de futebol, disse que teve méritos em "absorver a parte boa das críticas". Já Gabriel foi mais direto: "Que quarta força boa, né? Que quarta força boa para c..."

Não é por acaso que a música escolhida pela comunicação do clube para ilustrar a conquista foi "Moleque Atrevido", de Jorge Aragão. "Respeite quem pode chegar onde a gente chegou" é o refrão do vídeo, recheado de gols alvinegros e com os jogadores servindo de cantores, que o Corinthians disparou nas redes sociais logo após a confirmação do hepta.