Copa de 2026 terá ex-brasileiros espalhados por várias seleções; conheça os casos

A edição da América do Norte quebra o recorde de atletas com dupla nacionalidade, e o Brasil lidera o envio de talentos para times rivais

Lucas Mendes é zagueiro e defende a seleção qatari desde o fim de 2023

Lucas Mendes é zagueiro e defende a seleção qatari desde o fim de 2023

Para os torcedores que se perguntam quais jogadores nasceram em um país mas jogam por outra seleção na Copa do Mundo, os números da edição de 2026 entregam uma resposta imediata: nunca houve tantos atletas atuando fora de sua pátria de origem.

O Brasil lidera a estatística global como o maior polo de exportação esportiva, com a projeção de ter dez atletas nascidos em solo nacional vestindo as camisas de Portugal, Catar, Paraguai e Estados Unidos.

Esse cenário reflete uma janela histórica do futebol, onde o mapeamento de descendentes virou a principal estratégia das federações internacionais.

Veja também os jogadores com mais participações em Copas do Mundo.

O Brasil lidera o recorde histórico de exportação

Embora o comando técnico da seleção brasileira seja nacional, a presença de jogadores brasileiros espalhados por confederações estrangeiras atingiu um novo patamar.

O Catar é o país com a maior quantidade de talentos importados do Brasil (junto a Portugal) na Copa 2026, consolidando a defesa e o ataque com Lucas Mendes, e Edmilson Júnior.

Em sequência, a tradicional parceria luso-brasileira mantém Matheus Nunes e Otávio como peças essenciais do elenco de Portugal. O Paraguai garantiu as vagas do goleiro Carlos Coronel e do meia Maurício, enquanto os Estados Unidos fixaram o volante Johnny Cardoso, que possui dupla cidadania.

No total, são pelo menos dez nomes mapeados pelas federações, igualando e com potencial de superar o recorde anterior da Rússia em 2018.

Conheça os brasileiros espalhados pela Copa do Mundo:

Os craques que trocaram de país para o torneio

Muitas estrelas do futebol mundial optaram por defender a origem de seus pais ou o país onde construíram suas carreiras. Abaixo está o ranking dos principais atletas de elite que chegam naturalizados ao Mundial:

1. Brahim Díaz (da Espanha para Marrocos)

O meia do Real Madrid nasceu na cidade de Málaga e chegou a vestir a camisa da Espanha no time principal em 2021. Cansado de esperar por novas chances europeias, aceitou o convite para ser o camisa 10 da seleção de Marrocos. Ele rapidamente se tornou o artilheiro marroquino nas competições africanas e chega ao Mundial como protagonista absoluto.

2. Matheus Nunes e Otávio (do Brasil para Portugal)

Os dois meio-campistas cresceram nas categorias de base de clubes brasileiros, mas estouraram no exigente mercado europeu. Ambos repetem a trajetória histórica de Pepe e Deco, firmando espaço na equipe principal portuguesa e garantindo vaga direta no torneio mundial.

3. Eddie Nketiah e Callum Hudson-Odoi (da Inglaterra para Gana)

Formados na poderosa Premier League e nascidos em território inglês, os dois atacantes entraram na mira constante da federação de Gana.

A equipe africana vem executando um forte projeto de convencimento tático, buscando convencer as estrelas da elite britânica a liderarem o setor ofensivo da nação de suas famílias.

4. Paul Wanner e Carney Chukwuemeka (para a Áustria)

Faltando poucos meses para o início da competição, a Áustria garantiu dois reforços de peso nos registros oficiais da Fifa.

Chukwuemeka trocou a seleção inglesa pela austríaca, enquanto Wanner, que defendia o sistema de base alemão, também tomou a decisão de atuar pelo país em que nasceu.

5. Rani Khedira (da Alemanha para a Tunísia)

Irmão do ex-campeão do mundo Sami Khedira, o volante fez toda a sua formação na Alemanha, mas optou por honrar suas fortes raízes paternas. Ele finalizou sua regularização de naturalização no início de 2026 e vai disputar o torneio pela Tunísia na fase de grupos.

A mudança nas regras que acelerou as trocas para a Copa 2026

O aumento massivo de naturalizados reflete o afrouxamento prático dos critérios de elegibilidade da Fifa, estabelecido ao longo da última década. Hoje, um atleta que tenha atuado em amistosos ou jogos oficiais pelas seleções de base (ou até três partidas pontuais pelo time principal antes dos 21 anos) ainda pode trocar de federação.

Isso provocou uma imensa corrida estratégica no mercado da bola. A seleção de Marrocos, primeira adversária do Brasil na Copa de 2026, naturalizou seis novos talentos nascidos na Europa em um curto espaço de apenas 13 dias no mês de março.

O movimento de bastidor evidencia que o futebol de seleções funciona cada vez mais nos moldes do futebol de clubes, onde o rastreamento genético e geográfico define o peso de uma camisa e o equilíbrio de forças dentro das quatro linhas.