Conselho define o presidente do Palmeiras na Série B e no centenário

Na noite desta segunda-feira (21) será conhecido o novo presidente do clube paulista: Décio Perin ou Paulo Nobre.

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21 JAN 201310h37

A pessoa que terá uma das missões mais difíceis dos 98 anos de história do Palmeiras será conhecida no fim da noite desta segunda-feira (21). A partir das 20 horas, na Academia de Futebol, quase 300 conselheiros escolherão entre Décio Perin e Paulo Nobre quem será o presidente que tentará tirar o time da Série B do Brasileiro deste ano e, em 2014, estará à frente do clube em seu centenário.

O pleito se torna histórico também porque será a última eleição na qual só o Conselho Deliberativo terá voto, e o vencedor terá uma gestão mais curta. Foi aprovada a alteração estatutária que coloca o fim dos mandatos no último mês de seu segundo ano, e o presidente que suceder Nobre ou Perin será escolhido também pelos sócios em dezembro de 2014.

Para a eleição atual, a Gazeta Esportiva.net preparou 31 perguntas aos dois candidatos. A principal semelhança entre ambos está na vontade em dar ao sócio torcedor direito a voto, para aumentar a democracia no clube. E a maior discordância aparece também em relação às eleições diretas: Nobre defende que qualquer conselheiro tenha o apoio mínimo de 20% do Conselho Deliberativo para poder se candidatar, enquanto Perin prefere um filtro de 10% e votou na alternativa de 15% por ser a menor possível.

A diferença entre ambos também está nos apoios: cada um tem dois ex-presidentes ao lado. Paulo Nobre conta com votos dos grupos de Carlos Facchina Nunes, de gestão entre 1989 e 1992, e Mustafá Contursi, no poder de 1993 a 2004. Já Décio Perin se aliou a Affonso Della Monica, mandatário entre 2005 e 2008, e Luiz Gonzaga Belluzzo, dono do cargo máximo no clube em 2009 e 2010.

Décio Perin e Paulo Nobre disputam a preferência de quase 300 conselheiros em votação na Academia de Futebol. (Foto: Montagem/ Gazeta Press - Divulgação)

Os conselheiros também foram individualmente para cada um dos quatro vice-presidente e elegerão os membros do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF). Com Perin, para vice-presidentes estão na sequência Rita de Cassia Consentino, Celso José Bellini, João Gavioli e Rubens Reis de Souza Junior. Com Nobre, estão na sequência Mauricio Precivalle Galiotte, Genaro Marino Neto, Antonio Jesse Ribeiro e Victor Fruges. Concorrendo independentemente, estão Salvador Hugo Palaia como primeiro vice-presidente e Dalvio Pedro Barichello como terceiro. 

Tanto Perin quanto Nobre não contam com o apoio declarado de Arnaldo Tirone. O que está longe de ser um prejuízo. O atual presidente foi eleito em 19 de janeiro de 2011 com 158 votos, contra 96 de Paulo Nobre e 21 de Salvador Hugo Palaia. Desde então, teve a conquista da Copa do Brasil de 2012 como ponto alto. E o único, tanto que atraiu rejeição de todos os lados. Curiosamente, o site oficial do clube já não exibia nenhum nome no campo de diretoria executiva desde a noite de domingo.

Chamado de “banana” por torcedores e conselheiros devido à sua falta de decisão, Tirone não promoveu a contenção de gastos que prometeu e, em 2011, permitiu que o atacante Kleber brigasse com o vice-presidente Roberto Frizzo, médicos e comissão técnica, só aceitando vendê-lo ao se desentender com Luiz Felipe Scolari, já no segundo semestre, quando o Gladiador exigia que o time nem viajasse para enfrentar o Flamengo em solidariedade ao volante João Vitor, que tinha sido agredido por torcedores.

Ainda no fim de 2011, Tirone contratou o ex-volante César Sampaio como gerente de futebol e, já na temporada seguinte, insistiu em recusar pedidos de demissão de Felipão. Desta forma, foi campeão da Copa do Brasil, mas teve que, enfim, aceitar a saída do técnico em meio à campanha que culminou com o rebaixamento no Brasileiro.

Eleito presidente há dois anos com 158 votos, Arnaldo Tirone deixa o cargo com rejeição de todos os lados. (Foto: Djalma Vassão/ Gazeta Press)

Os últimos meses de gestão foram de vexames. Em outubro, o clube não teve representantes na reunião da Federação Paulista de Futebol (FPF) envolvendo todos os participantes do Paulistão. Em novembro, minuto após o time empatar com o Flamengo em Volta Redonda e ser rebaixado, Tirone disse que o Palmeiras estava “no caminho certo”. No dia seguinte, foi visto tomando sol de sunga em uma praia do Rio de Janeiro.

Enquanto ainda cogitava tentar a reeleição, o presidente teve que ceder ao Conselho Deliberativo para dar ao COF o poder de avaliar e até vetar contratações. Nenhum reforço chegou desde então. Assim como Valdivia não ouviu nenhuma bronca do mandatário por seu atraso na sua volta das férias – recebeu só uma multa.

Em uma de suas últimas aparições públicas, o dirigente passou vergonha de novo na FPF. O presidente recusou-se a receber um carro e tirar fotos com a logomarca da Chevrolet em respeito à KIA, patrocinadora do Verdão, mas pegou o veículo quando o evento acabou e o automóvel, guiado pelo tesoureiro Sérgio Granieri, colidiu com outro na saída da garagem da FPF. Um símbolo da falta de direção da gestão de Tirone. Outro ponto de concordância entre Décio Perin, Paulo Nobre e boa parte dos conselheiros.