Conselheiros decidem processar Odílio Rodrigues e expulsão é adiada

Se condenado, o ex-presidente pode pegar dois anos de prisão. Resta saber se Modesto Roma Júnior irá acatar a orientação do Conselho Deliberativo

O Conselho Deliberativo do Santos decidiu na noite desta quinta, por ampla maioria, formalizar o desejo de que a atual diretoria acione Odílio Rodrigues na Justiça comum por gestão temerária. Se condenado, o ex-presidente pode pegar dois anos de prisão. A exclusão de Odílio, que também era aguardada, foi adiada em função da Comissão de Inquérito e Sindicância não ter apresentado um parecer definitivo, o que deve acontecer até março. Como o Santos adota um Comitê Gestor para gerir o clube e as decisões não podem ser tomadas exclusivamente pelo presidente, os integrantes do grupo então liderados por Odílio seriam réus na mesma ação. São eles: Thiers Flemming, José Paulo Fernandes, Júlio Peralta, Alexandre Daoun, Francisco Cembranelli, Ronald Luiz Monteiro e José Berenguer. Este último pediu demissão em setembro de 2014 e não ficou esclarecido se seu nome será incluído em um eventual processo.

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Agora, resta saber se Modesto Roma Júnior, sucessor de Odílio e atual presidente santista, irá acatar a orientação do Conselho Deliberativo e buscar o ressarcimento de eventuais prejuízos na Justiça comum. Modesto já sinalizou que deve agir de acordo com o desejo do CD. Porém, será necessária a confirmação oficial.

Um fato que surpreendeu a quem acompanhava a reunião do CD na Vila Belmiro foi a atitude da Comissão de Inquérito e Sindicância de se abster da decisão dos conselheiros por questões éticas. Antes mesmo dos primeiros pronunciamentos e da votação, dois membros da CIS subiram à tribuna e explicaram que o parecer da comissão ainda não está finalizado. Assim, a CIS não quer ser responsabilizada por nenhuma influência nas decisões tomadas pelos conselheiros na reunião desta quinta.

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Odílio Rodrigues, 73 anos, foi vice-presidente de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e assumiu o clube de forma interina em agosto de 2013 por causa de uma licença médica de Laor. Em maio de 2014, Luis Álvaro renunciou ao cargo definitivamente e Odílio automaticamente comandou o clube até dezembro daquele ano. Antes disso, Odílio Rodrigues foi conselheiro efetivo e vice-presidente do Conselho Deliberativo no biênio 2000/2001.

Histórico

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A reunião extraordinária desta quinta, a primeira do ano, foi marcada devido a 231 membros do CD seguirem o parecer da Comissão Fiscal e reprovarem o balanço do clube referente a 2014, em junho do ano passado. A gestão de Odílio foi responsável por um déficit aprovado de R$ 58,9 milhões. Um prejuízo de R$ 18,3 milhões, em comparação com o balanço de 2013.

A empresa Parker Randall foi responsável pela auditoria do balanço que apontou diversas irregularidades. O documento da CF questionou a relação do Santos com o grupo de investimento maltês Doyen Sports.

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Os 13 milhões de euros gastos na contratação de Leandro Damião são bastante abordados, além de casos de desrespeito ao estatuto do clube em algumas manobras financeiras, como a venda de parte dos direitos econômicos de Gabriel, Geuvânio e Daniel Guedes para o mesmo grupo Doyen Sports, sem o consenso do Comitê de Gestão, a poucos dias de deixar o cargo.

Modesto Roma Júnior, assim que sucedeu Odílio na presidência, também encontrou o clube com diversos compromissos em atraso. Elenco de jogadores e funcionários não recebiam salários há meses, empresas terceirizadas também tomaram calotes e a dívida do clube aumentou de forma notável.