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Concessão faz explodir pedidos de carteirinhas do Pacaembu

Se mantido esse ritmo em todo o primeiro mês, o salto será de 16 vezes a média de 600 solicitações mensais recebidas na gestão da prefeitura.

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09 FEV 2020Por Folhapress17h12
Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Publicas

Em suas duas primeiras semanas de operação, a concessionária que passou a administrar o Pacaembu em 25 de janeiro deste ano recebeu mais de 5.000 pedidos de associados novos ou renovação da carteirinha dos antigos.

Se mantido esse ritmo em todo o primeiro mês, o salto será de 16 vezes a média de 600 solicitações mensais recebidas na gestão da prefeitura.

A corrida às carteirinhas, que passaram a ser feitas digitalmente via internet, coincide com a apreensão dos frequentadores antigos de que as regras para o complexo esportivo mudassem ou, pior, que ele desse lugar a um shopping.

Desde novembro, o grupo "Eu nado no Paca", organizado nas redes sociais, se reúne para defender a manutenção da piscina do Pacaembu nas condições atuais, aberta e gratuita.

Em 24 de janeiro, o grupo fez uma manifestação com cerca de 300 pessoas para dar um abraço na piscina e recolher doações de comida e roupas para ONGs ligadas ao esporte.

Mas a Allegra Pacaembu, empresa que venceu a concorrência internacional em 2019 e assumiu a concessão por 35 anos, afirma que os usuários das piscinas e das quadras do centro poliesportivo do Pacaembu podem ficar tranquilos.

Prestes a completar 80 anos, o clube municipal que fica atrás do estádio de futebol, onde não se paga nada para ser sócio e frequentar suas instalações continuará sendo espaço público, aberto a todos os moradores da cidade.

Com e as primeiras mudanças previstas pela Allegra em curso, os frequentadores assustaram ao verem sair os funcionários da prefeitura e ser instalada uma cabine de pedágio na entrada do estacionamento, entregue à empresa Estapar, que cobra R$ 5 por hora, como a Zona Azul.

A concessionária diz que a medida visa dar segurança aos usuários, mas esse deverá ser o único serviço cobrado.

Também em nome da segurança, todo o complexo será fechado ao público no começo de 2021, quando devem ter início as obras com a demolição do tobogã para dar lugar a um prédio de nove andares (quatro no subsolo para o estacionamento com 450 vagas).

Nesse meio tempo, todas as atuais instalações do estádio e do clube passarão por obras de restauração, pois ainda são praticamente as mesmas do dia da inauguração, em 27 de abril de 1940, na administração do prefeito Prestes Maia.

Tudo deverá estar concluído até o início de 2023, com um investimento de cerca de R$ 400 milhões, incluindo a outorga fixa de R$ 111 milhões paga à prefeitura.

Para ser sócio do clube e ter acesso ao estacionamento, é preciso se inscrever no site www.alegrapacembu.com.br e receber a carteirinha gratuita no celular.

A nutricionista e atleta amadora de longas distâncias Marilia Ohta, 36, treina quatro vezes por semana no local e é uma das líderes do "Eu nado no Paca". Ela diz ter ficado mais tranquila após conversar com funcionários da concessionária. "Acho que vai continuar como é hoje."

Grande atração do clube, a única piscina olímpica municipal com água aquecida também passará por reforma para a instalação de novos equipamentos para tratamento e aquecimento de água.

Essa é a preocupação nas rodinhas que se formam no estacionamento. Na semana passada, a piscina ficou um dia sem água por um vazamento nas tubulações. O problema foi resolvido.

A piscina, afinal, não serve só para o lazer dos moradores do Pacaembu (já foi assim em outros tempos, quando só quem morava num raio de 6 km do estádio podia frequentar), mas também para o treinamento de atletas vindos de todas as regiões da cidade e tratamentos de hidroterapia de pessoas com deficiência.

Marco Aurélio, desempregado e estudante do último ano de educação física que mora no Parque Independência (zona leste), aprendeu a nadar ali em 1986. Desde então, Marcão, 53, vai três vezes por semana para tratar uma artrose dos membros inferiores.

"Só consigo andar dentro da água. Como não tenho personal trainer, eu mesmo faço pesquisas na faculdade para preparar meus exercícios e já ensinei muitos jovens a nadar aqui", conta ele, que passou por seis cirurgias nos joelhos.

Ex-metalúrgico, Marcão já foi arte educador e fotógrafo. Na piscina, cruza com todo tipo de gente e, com o tempo, virou uma espécie de líder da turma da manhã, quando podem ser encontrados bailarinos, policiais, funcionários de escritórios, estudantes e profissionais liberais. Alguns frequentadores vão apenas para tomar sol nas arquibancadas.

Com bom ou mau tempo, pode ser encontrado lá o arquiteto Francisco Fernandes, 47, que também aprendeu a nadar no piscinão do Pacaembu e virou competidor de longas distâncias. Na rodinha, é o mais otimista com as mudanças: "Isto aqui estava muito largado, a prefeitura não cuidava. Em poucos dias, já pintaram a parte externa do ginásio e em volta da quadra de tênis e da piscina".

Toda a estrutura da cobertura do ginásio ainda é de madeira. Embora possa abrigar competições de vários esportes, nos últimos tempos a quadra do ginásio só é usada por times de futebol de salão, como o da Política Tática da PM.

As torcidas dos grandes times encontrarão novidades no estádio. Novas lanchonetes foram instaladas. O número de banheiros químicos foi de 40 para 80. No setor azul das numeradas, será instalada uma área vip com comidas e bebidas finas.

A concessionária diz que a área verde do complexo será toda preservada, com suas árvores quase centenárias. A altura do prédio a ser erguido no lugar da antiga concha acústica substituída pelo tobogã não poderá exceder a das arquibancadas. O novo edifício terá cafés, restaurantes, lojas, escritórios e um centro de eventos no subsolo.

Antes das obras, o ano de 2020 deverá ser ocupado com a aprovação dos projetos na prefeitura e nos órgãos de proteção ao patrimônio histórico, pois o complexo é tombado. Enquanto isso, a rotina no clube não mudará.