Como "kicker", brasileiro abre caminho rumo à entrada na NFL

Cairo dos Santos tem 21 anos, é natural de Limeira e tem excelentes perspectivas de ser escolhido no draft da NFL, liga de futebol americano.

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29 DEZ 201217h22

Treino é treino, jogo é jogo. O brasileiro Cairo dos Santos, que tem excelentes perspectivas de ser escolhido no draft da NFL, a principal liga de futebol americano, considera que Didi, bicampeão mundial de futebol (1958/1962) e autor da frase, está coberto de razão. E acha ótimo que seja assim. Isso porque ele consegue nos jogos alcançar um desempenho muito superior ao que apresenta nos treinos. Cairo, nascido em Limeira (SP) há 21 anos, veste a camisa verde da Universidade de Tulane e desempenha a função de "kicker" - o homem encarregado de chutar a bola oval.

Ele foi praticamente perfeito na temporada de 2012 do campeonato universitário da NCAA - acertou os 21 "field goals" que tentou - um deles, a uma distância de 57 jardas (quase 46 metros). Dos 25 chutes que deu tentando marcar "extra points" (pontos extras), converteu 24. E aquele que não virou ponto não pode, para efeito de estatística, ser considerado erro - ele foi bloqueado pelo adversário.

Brasileiro Cairo Santos é eleito o melhor kicker da NCAA. (Foto: Divulgação)

Esse aproveitamento levou Cairo a ganhar o troféu Lou Groza, que está na estante de importantes kickers da NFL. Ele ocupa, entre os chutadores, o segundo lugar no draft de 2014 na projeção do site CBS Sports, que é referência no mundo da bola oval. Ele até poderia se inscrever no draft de 2013, que ocorrerá em abril, mas chegou à conclusão, após consultar especialistas, de que é bom ser observado por mais um ano na NCAA. "Querem ver se terei outro ano bom. Não precisa ser perfeito como este, mas precisa ser bom".

Caso ingresse na NFL, Cairo não vai colocar as mãos apenas na bola oval, mas também em um bom dinheiro. O salário mínimo na NFL é de US$ 400 mil (R$ 800 mil) por temporada. Se for promovido a kicker titular de uma equipe, não receberá menos do que US$ 1 milhão (R$ 2 milhões) por ano.

A aventura de Cairo no mundo do futebol americano começou com uma brincadeira. Há três anos ele se mudou para a Flórida com o objetivo de ganhar fluência na língua inglesa. Pretendia entrar para o time de futebol (soccer) da St. Joseph Academy, na Flórida, para fazer jus a uma bolsa, mas seus amigos o convenceram a chutar a bola oval.

Logo na primeira tentativa acertou o alvo a uma distância de 20 jardas (18,2m). A pedidos, Cairo foi recuando e continuou acertando, até mesmo quando se posicionou a 50 jardas da trave. "Acho que tenho facilidade para chutar porque sempre fui cobrador de faltas quando jogava futebol em Brasília. E houve uma fase da minha vida, aos 14, 15 anos, em que eu ficava o tempo todo chutando uma bola num campinho no quintal de casa".

Cairo diz que sempre teve o sonho de ser atleta profissional, mas do futebol que se pratica no Brasil.

"Queria muito ser um meia. Se possível, do Flamengo. Mas acertar um field goal me dá a mesma sensação de fazer um gol de falta".