Com gol no fim, Verdão vence Criciúma e respira aliviado no Pacaembu

Com a vitória desta noite, o time atingiu 21, abrindo distância da zona de rebaixamento

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10 SET 201421h51

Mais de 17 mil torcedors no Pacaembu levaram as mãos à cabeça ao saberem que o Coritiba abriu o placar diante da Chapecoense e o Palmeiras, longe de mostrar qualidade, entrava na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Até que, aos 36 minutos do segundo tempo, respiraram aliviados. Cristaldo encheu o pé e garantiu a vitória por 1 a 0 sobre o Criciúma, deixando mais longe o risco de queda.

O gol do argentino, que saiu do banco, foi o único momento de alegria em uma atuação sofrível, beneficiada também pela fragilidade do adversário, que está na faixa de descenso na tabela. Além dos próprios problemas com a bola, o Verdão ainda teve Tobio saindo cedo por lesão, Leandro xingado intensamente mais uma vez e Marcelo Oliveira encerrando a partida machucado, já que todas as substituições tinham sido feitas por Dorival Júnior.

Mas não foi necessário mais do que o gol de Cristaldo para o palmeirense mostrar algum ânimo. Com a vitória desta noite, o time atingiu 21, abrindo distância da zona de rebaixamento. Às 18h30 (de Brasília) de sábado, a equipe tenta se afastar ainda mais enfrentando o Fluminense, no Maracanã. Já o Criciúma, com 18 pontos, recebe o Goiás, às 18h30 de domingo.

Cristaldo marcou o gol salvador do Palmeiras (Foto: Ale Frata/Agência O Dia)

O jogo

Dorival Júnior treinou o Palmeiras para pressionar a saída de bola do Criciúma e ter paciência quando a tivesse nos pés, acelerando a troca de passes com toques de primeira após passar dos volantes adversários. O que ocorreu nesta noite no Pacaembu, porém, foi exatamente o contrário.

Por mudança de ideia do técnico, falta de confiança dos atletas ou pelos dois motivos, o Verdão tinha todos os seus 11 jogadores atrás do meio-campo, assistindo aos passes do adversário. Quando tinha a bola, não demonstravam nenhuma paciência, nem pensamento coletivo. O que mais se via era Marcelo Oliveira vindo de trás tentando levar a bola à frente na marra, com arrancadas inúteis. Juninho, Diogo e Leandro, responsáveis pela criação do time, não conseguiam nem dominar.

O nervosismo palmeirense ficou claro logo nos primeiros minutos. Na saída de bola, Diogo já reclamou de falta. Pouco depois, Juninho trocou xingamentos com Luis Felipe, lateral direito que treinava no Palmeiras até alguns meses atrás. De pé à frente de seu banco, Dorival via o rival atuar como ele queria que o seu time fizesse.

O Criciúma mostrou uma falta de qualidade que explica sua presença na zona de rebaixamento no início da rodada, tanto que demorou a usar sua posse de bola para levar perigo a Fábio. No entanto, ao menos, contava com a experiência de Paulo Baier, já não tão útil na armação, mas presente para segurar a bola e irritar os rivais.

Em meio a tantos erros, Leandro teve a chance de trazer tranquilidade aos 14 minutos, quando Diogo tabelou com Juninho e rolou para o atacante, na entrada da pequena área, atrasar a bola para o goleiro Luiz. Chute tão fraco que encerrou a paciência dos já raros palmeirenses que ainda esperavam qualquer boa jogada do artilheiro do time no ano passado.

Tranquilo, o Criciúma respondeu dez minutos mais tarde em cobrança de falta de Lucca próxima ao travessão. A confusa defesa dos anfitriões ainda sofreu uma baixa aos 29, quando Tobio sentiu lesão muscular e Eguren entrou no meio-campo, com Marcelo Oliveira virando zagueiro. Trocaram os nomes, mas não a atitude. Faltava disposição e qualidade.

Quando impôs velocidade na frente, o clube catarinense levou perigo de novo nos acréscimos, em finalizações de Silvinho e Luis Felipe. O Verdão, por sua vez, já tinha seu grande vilão. Leandro voltou ao campo de defesa e entregou a bola tão mal para Victorino que o zagueiro precisou fazer falta. Foi o caminho para o início do forte coro “Fora, Leandro”.

Dorival atendeu ao pedido dos torcedores e sacou o atacante. A ideia também era ter alguma armação. Não adiantou trocar Leandro, Diogo e Juninho de posição ao longo do primeiro tempo e Felipe Menezes ficou incumbido de fazer a bola rodar para colocar Henrique no jogo, que teria a parceria mais próxima de Diogo na frente. Missão longe de ser cumprida.

O Criciúma continuou jogando no campo do Palmeiras, que só avançava na marra. Em uma dessas oportunidades, Henrique prendeu a bola e ela sobrou para Diogo soltar a bomba em cima do goleiro, aos 14 minutos. O lance, enfim, levantou a torcida, que vibrou ainda mais quando Dorival reforçou o ataque sacando Juninho para apostar em Cristaldo.

Mas o alívio palmeirense dura pouco. Já aos 18, Eguren fez de tudo para cometer falta, distribuindo carrinho, e, na cobrança, Paulo Baier recebeu de Cléber Santana e levantou para Fábio Ferreira, que só não cabeceou nas redes porque o goleiro Fábio se esticou, salvando um time que não vinha merecendo mais do que xingamentos de seus torcedores.

De qualquer forma, na base da vontade em um jogo sem qualidade, o Verdão apareceu mais na frente e levou perigo em chute e cabeceio de Eguren, enquanto o Criciúma viu Fábio segurar arremate de Cléber Santana. Parecia que o confronto não teria gols diante de tantos erros dos dois lados.

Até que, aos 36, Diogo cabeceou na grande área e Henrique disputou a bola com Gualberto, deixando-a sobrar na pequena área para Cristaldo encher o pé, balançando as redes e injetando alívio no Pacaembu. Em meio ao drama, Marcelo Oliveira terminou o jogo com dores musculares, mas, na raça, uma das poucas virtudes do time montado pelo presidente Paulo Nobre para o centenário, ficou em campo.