Clássico entre Boca e River é suspenso por gás de pimenta na Bombonera

Dentre os mais atingidos estava o experiente Ponzio. Além de não conseguir caminhar, esfregando os olhos com frequência, trazia as marcas vermelhas do composto químico na camisa 23

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15 MAI 201511h39

O clássico entre Boca Juniors e River Plate, válido pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América, não teve fim na noite desta quinta-feira. O duelo entre os argentinos no estádio Alberto José Armando, a popular e hostil Bombonera, foi interrompido por um lamentável incidente ocorrido na volta do intervalo: torcedores xeneizes, posicionados no alambrado que protegia o gol de Barovero no primeiro tempo, dispararam gás de pimenta no túnel inflável que ligava o vestiário visitante ao gramado. A atitude provocou queimaduras e ardências nos olhos dos atletas milionários.

Dentre os mais atingidos pelo composto químico estava o experiente Ponzio. Além de não conseguir caminhar, esfregando os olhos com frequência, o volante trazia as marcas vermelhas do composto químico na camisa 23. A mesma mancha também figurava nos uniformes de Vangioni, Funes Mori, Maidana e Kranevitter.

Enquanto os jogadores visitantes tentavam se recuperar do ataque inesperado da torcida boquense, os fãs mandantes aproveitaram para provocar: um drone, sustentando um fantasma que trazia consigo a letra B, recordando o rebaixamento do River Plate à segunda divisão argentina, sobrevoou o acanhado campo.

A decisão da suspensão, contudo, demorou a acontecer. Ao passo que o delegado da partida, o boliviano Roger Bello, conversava com o quarteto de arbitragem – capitaneado pelo jovem Dario Herrera, de 29 anos – e caminhava constantemente pelas instalações da Bombonera, alguns jogadores xeneizes trocavam passes, na esperança da partida continuar. Neste ínterim, Vangioni ainda estava com uma toalha no rosto, tentando aliviar a dor gerada pelo gás.

Os jogadores só deixaram o gramado cerca de uma hora depois da decisão das autoridades, pois não havia condições de segurança para os visitantes. O elenco do River Plate teve de aguardar a formação de um longo corredor por policiais com escudos para caminhar ao vestário. No momento da saída dos rivais, torcedores do Boca ainda atiraram garrafas contra os policiais. Em seguida, os atletas da casa seguiram sem problema para as instalações.

Com a suspensão do clássico, o próximo adversário do Cruzeiro na competição internacional segue uma incógnita. A Raposa despachou o São Paulo no estágio anterior, fazendo uso das penalidades máximas. Após o marcador agregado de 1 a 1, a formação celeste de Belo Horizonte eliminou o Tricolor por 4 a 3. Ainda haverá uma definição sobre o caso por parte da Conmebol.

Torcedores xeneizes, posicionados no alambrado que protegia o gol de Barovero, dispararam gás de pimenta no túnel inflável que ligava o vestiário visitante ao gramado (Foto: Natacha Pisarenko/Associated Press/Estadão Conteúdo)

O jogo

Aos moldes do duelo de ida, o clássico começou de modo truncado. Antes do primeiro minuto, Pablo Osvaldo perdeu a bola e atingiu Carlos Sánchez com um firme carrinho por trás. O árbitro Dario Herrera, de 29 anos, não hesitou e mostrou o primeiro cartão amarelo da partida para o centroavante do Boca Juniors. O lance serviu como introdução para a tônica do compromisso, que trouxe consigo mais chegadas ríspidas e violentas do que oportunidades de gol.

A primeira boa oportunidade veio com nove jogados e pertenceu ao River Plate. Carlos Sánchez ergueu a cabeça e serviu Driussi na área. O atacante deixou Cata Díaz no chão e finalizou colocado, com equilíbrio. A bola passou rente ao travessão de Orion. Os xeneizes só chegaram com perigo quando o relógio apontou a marca dos 24: Pablo Osvaldo ganhou de Funes Mori, tabelou nas proximidades da meia-lua e chutou firme, no centro da meta. Atento, Barovero defendeu em dois tempos.

Formatada com três volantes, a formação milionária não dava espaço aos boquenses, configurados no esquema 4-3-3. O nervosismo acentuou o repertório de carrinhos firmes e tornou o compromisso ainda mais ríspido. Aos 44, mesmo com o jogo parado, Pablo Pérez desferiu um carrinho em Maidana, na lateral-direita. O lance desnecessário – e até cômico – rendeu cartão amarelo ao camisa 8 xeneize. A tarjeta foi distribuída cinco vezes na primeira etapa por Herrera: quatro delas para os donos da casa.

A volta do intervalo, no entanto, foi o momento mais crítico do compromisso. Os atletas do River Plate foram vítimas do disparo de spray de pimenta e retornaram ao gramado apresentando as marcas vermelhas da substância na camisa. O mais atingido pelo composto químico foi Ponzio, que lacrimejou incessantemente, tendo dificuldades para caminhar.

Enquanto Maidana e Funes Mori também esfregavam os olhos, com as camisas rajadas pelo gás, a torcida do Boca Juniors puxava o túnel inflável que “protegia” os atletas visitantes. A crítica pausa também foi momento para a provocação dos xeneizes: um drone que trazia consigo um fantasma, marcado pela letra B, sobrevoava o gramado, recordando o descenso milionário à segunda divisão argentina.

A torcida do Boca Juniors foi responsável por disparar o spray de pimenta. Ponzio, após tomar ar, buscou refúgio no banco de reservas, onde se lavou, buscando aliviar a dor da queimadura. O procedimento foi repetido por Funes Mori, Vangioni e Kranevitter.

Enquanto o delegado da partida, o boliviano Roger Bello, não se decidia, os policiais posicionaram as camisas milionárias rajadas pelo gás de pimenta para que os representantes tirassem fotos. Alguns jogadores do Boca Juniors, entediados com a pausa, começaram a trocar passes no gramado. Muitas pessoas também deixaram a Bombonera, principalmente os que trouxeram crianças ao hostil domínio xeneize.

Com o anúncio da suspensão por parte de Bello, a preocupação não era sobre a remarcação do clássico ou a definição do classificado, mas dizia respeito à saída dos jogadores do River Plate. Os organizadores esperaram a Bombonera ser esvaziada em expressivo percentual para arquitetarem a logística adequada aos milionários.