Caixa corta até 20% de verba para atletismo e esporte paraolímpico

Das estatais que fomentam o esporte olímpico do país, somente o banco e a Petrobras ainda não anunciaram seus programas de investimento para os próximos anos

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31 MAR 2017Por Folhapress12h30
O Santos assinou recentemente seu contrato de patrocínio com a CaixaO Santos assinou recentemente seu contrato de patrocínio com a CaixaFoto: Divulgação/Santos FC

Uma das principais patrocinadoras do esporte olímpico brasileiro, a Caixa Econômica Federal vai reduzir o repasse a confederações para o próximo ciclo olímpico, que se encerra em 2020.

Das estatais que fomentam o esporte olímpico do país, somente o banco e a Petrobras ainda não anunciaram seus programas de investimento para os próximos anos.

Mas a reportagem apurou que a Caixa já avisou as entidades dos cortes orçamentários. Todos os novos contratos ainda serão assinados e ligeiras variações podem ser feitas.

A CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), cujo banco é o principal financiador, terá redução de 10% no que receberá até os Jogos de Tóquio na comparação com o que teve entre 2013 e 2016.

Na campanha para a Rio-2016, a entidade obteve R$ 90 milhões da estatal, que a patrocina há 16 anos.

Nesta temporada o atletismo já verá um retrocesso. O aporte para o ano será R$ 3 milhões menor do que o recebido em 2016 –cerca de R$ 16 milhões para R$ 13 milhões.

Foram quatro ciclos olímpicos com apoio da Caixa. No período, o atletismo brasileiro conquistou duas medalhas de bronze e duas de ouro. Na Rio-2016, a única conquista foi a medalha de Thiago Braz (ouro no salto com vara).

Como a verba da estatal tem demorado a sair, a CBAt já efetuou cortes de pessoal.

O CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) foi a entidade esportiva que mais obteve recursos do banco nos últimos anos, mas nem a condição de potência da equipe nacional o poupou de um arrocho.

Dos R$ 120 milhões do ciclo anterior, o comitê terá R$ 95 milhões para 2020 –queda de R$ 25 milhões, ou seja, aproximadamente 21%.

No caso do comitê, a queda no patrocínio é suavizada pelo aumento no percentual de arrecadação da Lei Piva –que dá ao esporte parte do obtido com loterias federais. Desde o ano passado, o CPB mais que duplicou seu ganho.

O Brasil terminou os Jogos Paraolímpicos do Rio com 72 medalhas, das quais 14 de ouro, e na oitava posição segundo o número total de pódios.

Nos Jogos do Rio, a ginástica brasileira teve o melhor desempenho de sua história, com duas pratas e um bronze –todas no masculino.

Mas também deve sofrer alguma redução no contrato com a Caixa, que patrocina a CBG (confederação brasileira) da modalidade desde 2006 e lhe destinou R$ 35 milhões entre 2013 e 2016.

Compasso de espera

Outras duas confederações patrocinadas pelo banco até o final de 2016 ainda aguardam definição quanto à renovação de seus contratos.

A Confederação Brasileira de Wrestling, que regula as lutas associadas, ganhou um pouco mais de R$ 11 milhões da estatal no último ciclo.

Se o vínculo for renovado, deve ocorrer um abatimento de R$ 2 milhões no investimento. A expectativa é a de que uma definição ocorra na primeira semana de abril.

Com o ciclismo a situação é idêntica. Recebedora de R$ 17 milhões entre 2013 e 2016, a confederação brasileira da modalidade já trabalha com declínio no patrocínio.

Oficialmente, a Caixa afirmou que "não se manifestará sobre os patrocínios às confederações enquanto as negociações não estiverem finalizadas".

A instituição planejava definir seu plano de ação em relação aos patrocínios no máximo até meados de janeiro.

A Caixa anunciou na terça-feira (28) que em 2016 teve queda de 42% em seu lucro em relação a 2015 –caiu de R$ 7,1 para R$ 4,1 bilhões.

Estatais como Correios e Banco do Brasil também anunciaram cortes em repasses para confederações esportivas.

Futebol ganhou força na estatal nesta década

Desde 2012, quando a Caixa Econômica Federal anunciou patrocínio a Corinthians, Atlético-PR, Avaí e Figueirense, o esporte olímpico passou a ter o futebol como rival na obtenção de recursos.

O banco priorizou a exposição de sua marca nas camisas dos clubes brasileiros e reservou boa parte da verba para a nova política de marketing.

No último ano, por exemplo, a estatal distribuiu R$ 132,5 milhões entre 20 equipes que disputaram as Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

O contrato com valor mais alto pertencia ao Corinthians. O time recebe R$ 30 milhões por ano.

Em fevereiro deste ano, a Folha de S. Paulo publicou que a Caixa negociava a renovação dos contratos com a maioria dos clubes sem reajuste para 2017.

Além de manter os valores, o banco incluiu novas contrapartidas. Uma delas é exigência de exposição da marca nas campanhas em canais nas redes sociais das equipes.

Mesmo com novas regras e o congelamento da verba, somente Vasco e Corinthians ainda não renovaram os seus contratos para esta temporada.

A exceção foi a Chapecoense, que pediu um aumento por estar na Libertadores e constantemente na mídia em decorrência da tragédia aérea com sua delegação de novembro, mas não foi atendida.

A estatal ofereceu R$ 6 milhões à equipe catarinense, mas o valor não foi aceito –o clube recebeu R$ 4 milhões no ano anterior.

Em contrapartida, a Ponte Preta foi a mais nova beneficiada pelo patrocínio principal.
A equipe de Campinas estreou a marca em janeiro, em amistoso contra o Palmeiras, no Allianz Parque. O valor da negociação não foi revelado.