Brasil celebra os 50 anos da conquista do Tri mundial

No dia 21 de junho de 1970, Seleção Brasileira goleava a Itália por 4 a 1 na final e ficava com a taça Jules Rimet em definitivo

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21 JUN 2020Por Da Reportagem12h45
Carlos Alberto ergue a taça Jules Rimet, que ficaria em definitivo com o BrasilFoto: DIVULGAÇÃO/CBF

É campeão! É tricampeão! Há exatos 50 anos, foram esses os gritos que se libertavam da garganta dos brasileiros. A Seleção Brasileira derrotava a Itália por 4 a 1 e conquistava pela terceira vez a Copa do Mundo FIFA, em 1970. Os gols da partida foram marcados por Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres. Boninsegna fez o gol de honra dos italianos no Estádio Azteca, na Cidade do México.

Com a conquista, o Brasil encerrou uma campanha de seis vitórias em seis jogos, tornando-se a primeira equipe a ter 100% de aproveitamento nas Eliminatórias e na Copa do Mundo. Além disso, também foi o primeiro time a chegar ao tricampeonato mundial, fato que lhe garantiu a posse definitiva da taça Jules Rimet. Além deste título, o Brasil foi campeão também em 1958 e 1962.

Com todos os jogadores disponíveis para a partida, Zagallo levou a campo o que tinha de melhor para a Seleção. A escalação foi a que mais se repetiu durante o Mundial, com o time-base formado por: Félix; Carlos Alberto Torres (c), Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Pelé, Rivellino e Tostão.

Os italianos vinham de uma batalha histórica contra a Alemanha Ocidental na semifinal da Copa do Mundo. Altamente considerado um dos melhores jogos da história dos Mundiais, a partida terminou com triunfo da Azzurra por 4 a 3, após dois tempos extras. Os 90 minutos terminaram empatados em 2 a 2, a Itália chegou a sair na frente na prorrogação, sofreu novo empate e finalmente fez o gol da classificação, aos 114 minutos de partida.

Todo esse desgaste fez com que o Brasil chegasse à final com um pouco mais de disposição física. Além disso, a Itália é sempre um grande adversário, por sua escola tradicional de futebol, mas a Alemanha de Gerd Mûller e Franz Beckenbauer se apresentava como um dos melhores times do torneio.

A final ainda marcou uma série de feitos individuais para a Seleção Brasileira. Jairzinho terminou o Mundial como vice-artilheiro, com sete gols, e se tornou o primeiro campeão a marcar em todos os seis jogos de sua seleção. Pelé voltou a marcar em uma final de Copa do Mundo e se tornou o único jogador três vezes campeão mundial da história. O Rei ainda terminou a competição com seis assistências, um recorde até hoje em passes para gol na mesma edição de um Mundial.

O gol de Carlos Alberto, símbolo de uma conquista histórica

A jogada do quarto e último gol brasileiro na conquista do tri começou lá atrás, quando Tostão voltou para ajudar Everaldo na marcação, roubando a bola de Domenghini. A pelota caiu nos pés de Brito, que a empurrou para Clodoaldo. O Corró aproveitou a descida de Pelé e Gérson para acioná-los e recebeu a bola em seguida. A Itália tentou subir a marcação, mas Clodô tirou de letra. Foram quatro adversários batidos em uma sequência de dribles curtos. Depois de limpar o lance, ele abriu para Rivellino, que se aproximou perto da linha central.

O movimento de Rivellino abriu espaço na ponta esquerda e foi para lá que Jairzinho se direcionou. O lançamento do Riva veio na meia altura, em velocidade, para o Furacão dominar e partir para cima da marcação. Após passar pelo primeiro adversário, Jair encontrou Pelé na meia lua da área.

 

Nesse momento, o Rei já sabia o que fazer. Mas caso não soubesse, havia Tostão, logo a frente dele, apontando para o lado direito da área. Era ali que apareceria Carlos Alberto Torres, em uma corrida fulminante, para receber o passe no espaço vazio e encher o pé, de primeira, para fazer o gol. Estava desenhado ali o maior símbolo daquela geração. O jogo bonito resumido em um lance, uma jogada, que teve de tudo. Drible, passe, improviso, dedicação, defesa, movimentos táticos, velocidade, enfim. Um gol brasileiro.

O gol foi a pá de cal em qualquer pretensão de virada dos italianos. Depois do tento do Capita, as duas equipes praticamente só esperaram o jogo acabar para a definição do título. Após o apito final, os jogadores brasileiros comemoraram em Êxtase. Torcedores, jornalistas e seguranças mexicanos invadiram o gramado, desesperados por qualquer peça de roupa de qualquer um dos jogadores. O Rei Pelé ficou apenas de cueca e 'sombrero', o tradicional chapéu do país, enquanto comemorava o título nos ombros do povo.

Estava escrita ali a mais bonita página da história do futebol. Uma trajetória tão bonita que não parecia de verdade. Que faz crer que este texto não é uma crônica, mas uma fábula. era como se o futebol fosse esse poder extraordinário do povo brasileiro, que o permitia ser amado pelo resto do mundo. Talvez seja por isso que o brasileiro ame tanto o futebol. Mas podemos ter certeza, principalmente depois da Copa de 1970: o futebol também nos ama de volta.

FICHA TÉCNICA: BRASIL  4 x 1 ITÁLIA - 21/6/1970

BRASIL  - Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Rivellino, Jairzinho, Tostão e Pelé. Técnico: Zagallo.

ITÁLIA - Albertosi; Burgnich, Cera, Rosato e Facchetti; Bertini (Juliano, 84) e De Sisti; Mazzola, Domenghini, Boninsegna (Rivera, 84) e Riva. Técnico: Ferrucio Valcareggi.

Gols: Pelé (18), Boninsegna (37), Gérson (66), Jairzinho (71) e Carlos Alberto Torres (86)

Estádio: Azteca, Cidade do México (México)

Público: 107.412

Árbitro: Rudi Glockner (Alemanha Oriental)