Assunção chora e cita dívida e infiltração para negar ser mercenário

O atleta passou toda a madrugada na internet, lendo comentários de torcedores que o definiam como “mercenário”.

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07 JAN 201313h31

Marcos Assunção soube que não renovaria o seu contrato com o Palmeiras no domingo. Por telefone, enquanto o volante almoçava com a família, o empresário Ely Coimbra Filho contou que o clube havia apresentado uma oferta salarial abaixo da desejada por eles no dia anterior. Ambos decidiram anunciar imediatamente o desligamento. O atleta passou toda a madrugada na internet, lendo comentários de torcedores que o definiam como “mercenário”. Nesta segunda-feira, horas depois, não resistiu e chorou bastante diante das câmeras de televisão.

“Muita gente ficou falando de ingratidão, mas o Palmeiras tem uma dívida comigo desde junho. E eu jamais cheguei à imprensa para falar sobre isso nos momentos tristes ou alegres. Nunca fui ao clube para cobrar ou reclamar. Não estou rompendo com o Palmeiras. A grande verdade é que o Palmeiras não me quer mais. Estou saindo triste, chateado, pois aprendi a gostar muito do clube, a respeitar, a ter prazer de sair da minha casa para ir até lá e...”, desabafou Assunção, antes de soluçar e verter as primeiras lágrimas como ex-palmeirense.

O volante não desejava receber um “salário valdiviano” (conforme definiu seu empresário, fazendo referência ao meia Valdivia, com quem o cliente brigou na reta final da campanha fracassada no último Campeonato Brasileiro). Mas exigia ganhar um aumento para renovar contrato. “Tivemos algumas reuniões, e o Palmeiras só fez a sua proposta na última delas! Foi mais ou menos assim: a gente só pode te oferecer isso e, se não quiser, não dá mais. Era menos até do que eles tinham me oferecido em agosto, quando a gente havia acabado de vencer a Copa do Brasil. Não tenho como ser mercenário”, revoltou-se Assunção.

Marcos Assunção  foi um dos líderes do Palmeiras campeão da Copa do Brasil e rebaixado à Série B em 2012 (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Para reforçar o seu argumento, o veterano de 36 anos citou o esforço que fez para salvar o Palmeiras do rebaixamento à Série B na temporada passada. Marcos Assunção aceitou se submeter a infiltrações no joelho para superar uma contusão e continuar a jogar na reta final do Campeonato Brasileiro. A força de vontade foi um dos motivos do desentendimento com Valdivia, frequentemente lesionado e não muito utilizado na competição. Já sem contrato, o volante apareceu na Academia de Futebol em 2013 para treinar, enquanto o chileno não deu nem sequer justificativa para a sua falta no começo da pré-temporada.

“Mesmo sem contrato, compareci a todos os treinos da pré-temporada. Fiz isso porque gostaria de permanecer no Palmeiras. No ano passado, meu joelho doía, ficava inchado, e eu jogava. Não me arrependo nem um pouco de ter tomado infiltração. Faria muito mais do que isso para a gente continuar na Série A. E nunca pedi um aumento salarial. Sempre fui verdadeiro, o mais honesto possível. Não dá para me chamar de mercenário”, repetiu Assunção.

O jogador tem um último compromisso no Palmeiras. “Saindo desta entrevista, vou até lá para me despedir de cada funcionário, de cada jogador. Irei ao clube para cumprimentar todos eles e falar que foi um prazer enorme ter trabalhado lá, desejar boa sorte. Estarei na torcida para o time voltar à primeira divisão”, disse Marcos Assunção, antes de chorar copiosamente de novo.