Aproximação entre Palmeiras e Adidas influi até na manutenção da Kia

O acordo da empresa alemã com o Flamengo fez o dirigente se aproximar da fornecedora de material esportivo a fim de renegociar o vínculo atual

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22 FEV 201312h51

Antes mesmo de ser eleito presidente, Paulo Nobre já estava de olho no contrato do Palmeiras com a Adidas. O acordo da empresa alemã com o Flamengo, que pode atingir R$ 380 milhões em dez anos, fez o dirigente se aproximar da fornecedora de material esportivo a fim de renegociar o vínculo atual. A proximidade contribui até para a Kia continuar na camisa do clube mesmo ainda negociando sua permanência.

Solicitar à Adidas fazer jogos de camisas sem a marca da montadora sul-coreana geraria um custo que poderia comprometer um novo acordo com os alemães, até porque tudo deve ser trocado novamente até o início da próxima semana, quando o diretor executivo José Carlos Brunoro estima que será definido um novo patrocinador.

A solução da nova diretoria foi acertar um combinado com a Kia: a empresa não pode pagar tanto quanto no ano passado (entre R$ 18 milhões e R$ 25 milhões) e negocia para ficar em um espaço menor no uniforme; se isso ocorrer, ela pagará pela exposição fevereiro o mesmo que desembolsará mensalmente pelo patrocínio.

O clube não mede esforços para convencer a Adidas a pagar algo similar ao que acertou com o Flamengo. No contrato atual, o Verdão recebe dos alemães R$ 17 milhões neste ano e em 2014, temporada em que se encerra o vínculo atual, o valor é de R$ 19 milhões. Bem abaixo do Flamengo, que pode receber até R$ 40 milhões por ano.

Em sua apresentação, Rondinelly simbolizou agrados do clube à Adidas: camisa da marca e fotos com a Cafusa (Djalma Vassão/ Gazeta Press)

Inclusive no dia a dia na Academia de Futebol, a Adidas tem aparecido mais do que antes. Nesta semana, por exemplo, o clube fez questão de apresentar Rondinelly segurando a Cafusa, bola dos alemães que será usada na Copa das Confederações – o meia ainda apareceu usando uma camisa com o nome da marca.

Um avanço na relação entre Adidas e Palmeiras foi o lançamento da rede de lojas oficiais do clube, no início deste mês, a Academia Store. O feito, contudo, tem pouco participação de Nobre, já que o acordo com a Meltex, empresa especializada em distribuição e gestão de marcas, ocorreu ainda na gestão de Arnaldo Tirone, no ano passado.

Mas o atual presidente quer mais do que seu antecessor atingiu. Nos bastidores, as reuniões com a Adidas têm sido as mais valorizadas. Logo em sua segunda semana no poder, Nobre mandou um helicóptero buscá-lo na Academia de Futebol só para não se atrasar a um encontro com os alemães.

O diretor executivo José Carlos Brunoro, também responsável pelo marketing, tem participado ativamente das conversas. Através de suas redes sociais, já divulgou que conversou sobre o uniforme a ser usado em 2014 (“posso adiantar que a camisa do centenário vai ficar linda!”) e disse ter certeza de que a empresa vai “ajudar muito” o clube.

A atual passagem da Adidas pelo Palmeiras começou em 2006. Um dos momentos mais afastados entre os alemães e o clube ocorreu em 2010, quando a empresa chegou a abrir mãos dos ingressos em camarotes a que tinha direito em algumas partidas.

O então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, porém, tratou se estreitar relações e em dezembro de 2010, um ano do fim do contrato vigente, renegociou os valores. O próprio dirigente divulgou o acordo: R$ 17 milhões em 2011, R$ 17 milhões em 2012, R$ 17 milhões em 2013, e R$ 19 milhões em 2014.

Durante sua gestão, Piraci Oliveira, diretor jurídico de Tirone, criticou o contrato com a Adidas, mas Belluzzo respondeu dizendo que os valores à época deixavam o clube como o segundo no País com maior contrato de patrocínio com uma empresa de material esportivo. É que Nobre tenta fazer agora.