Após perícia, Defesa Civil mantém área de estádio interditada

A partir de segunda, a Odebrecht pode ao menos recomeçar a obra e dar sequência aos trabalhos no prédio oeste, do lado oposto ao que o guindaste desabou

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28 NOV 201319h50

As obras no Itaquerão poderão recomeçar na segunda-feira, garantiu nesta quinta a Defesa Civil de São Paulo. No entanto, 30% do prédio leste, o local onde ocorreu o acidente, está interditado. A área equivale a 5% do total do estádio. "Não foi detectado dano na estrutura, somente na parte metálica", afirmou o coordenador da Defesa Civil, Jair Paca de Lima, que vistoriou o estádio. Ainda não há uma conclusão quanto à causa do acidente que matou dois operários. O laudo da perícia técnica e científica não está concluído.

O coordenador da Defesa Civil disse que não é possível prever o tempo que a área permanecerá interditada. De acordo com ele, se a construtora quiser mexer na área afetada é preciso formalizar um pedido à Prefeitura. A obra está paralisada porque o Corinthians e Odebrecht decretaram luto oficial de três dias. Nesta quinta, o estádio recebeu equipes da Defesa Civil, Polícia técnica, do Ministério Público e do Ministério do Trabalho.

A partir de segunda, a Odebrecht pode ao menos recomeçar a obra e dar sequência aos trabalhos no prédio oeste, do lado oposto ao que o guindaste desabou e que destruiu parte externa da estrutura metálica e os painéis de LED.

As obras no Itaquerão poderão recomeçar na segunda-feira (Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo)

A possível causa do acidente gerou discussão. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, afirmou que um funcionário que trabalha no Itaquerão fez um alerta quanto às chance de acidente com o guindaste. "Um técnico de segurança tinha detectado, por volta das 8 horas, que a base de sustentação do guindaste não era suficiente", disse Ramalho, que, além de presidente do sindicato, é deputado estadual pelo PSDB. Segundo ele, o problema teria sido documentado e informado aos engenheiros civis da construtora.

A Odebrecht negou que tenha recebido tal alerta e que esse sindicato não representa os trabalhadores que realizavam as operações de movimentação de guindaste e colocação de estrutura metálica. "A Odebrecht reafirma seu rigor nos procedimentos de segurança do trabalho. Até essa quarta-feira, a obra havia registrado 9,5 milhões de horas trabalhadas sem acidentes graves", informou a nota da empresa.

Jair Paca de Lima reafirmou que apenas a perícia técnica vão definir a causa do acidente. "Vi que sobre o solo existia uma camada de pedra e chapa de aço. Não percebi se houve afundamento, mas a polícia técnica está avaliando". Outra hipótese levantada sobre o acidente é que o guindaste tenha içado um peso maior do que o suportado, fato também negado pela construtora.