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Após forçar saída, Marinho reencontra Santos em meio à pressão no Flamengo

Marinho é reserva no Flamengo, e fez apenas dois gols em 23 jogos na temporada

Folhapress

Publicado em 01/07/2022 às 22:31

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Marinho / Crédito: Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo vai a São Paulo para enfrentar o Santos, neste sábado (2), na Vila Belmiro, em jogo pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em baixa no time carioca, Marinho fará seu primeiro duelo contra o ex-time.

Após forçar a saída do time alvinegro no início de janeiro, Marinho ainda não vingou no time rubro-negro. Ele é reserva no Flamengo, e fez apenas dois gols em 23 jogos na temporada. Cobrado pela torcida, o jogador de 32 anos conta com o técnico Dorival Júnior para se reerguer.

Marinho não agradou o português Paulo Sousa, ex-treinador do clube carioca. Vez ou outra utilizado como ala e sem sequência na ponta pela direita, onde prefere atuar, o camisa 31 virou coadjuvante.

Com Dorival, Marinho ganhou novo ânimo no Flamengo. Mesmo com a contratação de Everton Cebolinha e a concorrência de Éverton Ribeiro, De Arrascaeta, Bruno Henrique, Lázaro e Vitinho, o ex-atacante do Santos está nos planos da comissão técnica e participou de cinco dos últimos seis jogos.

Marinho sonhava com uma chance num clube de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas se animou com a procura do Flamengo, time do coração do seu pai. Ele fez força para ser negociado, e o Santos não resistiu.

O atacante se atrasou logo no primeiro dia de trabalho do time alvinegro em 2022. Marinho estava desmotivado no clube praiano e tinha mais um ano de contrato, sem a intenção de renovar. O departamento de futebol entendeu que a permanência contra a vontade do jogador seria prejudicial ao bom ambiente do CT Rei Pelé e aceitou a proposta de R$ 6 milhões do Flamengo.

O relacionamento de Marinho com alguns membros da comissão técnica e dirigentes era ruim. Entre funcionários de diferentes departamentos, opinião dividida. Já o convívio com a maioria do elenco era saudável. A Santos TV não fez vídeo de despedida como é comum com atletas queridos que deixam o clube.

Pessoas do dia a dia do CT Rei Pelé afirmaram que precisavam "aguentar" Marinho, pois em campo ele era decisivo. Diante da má fase em 2021, o ambiente com ele só piorou. E muitos evitavam ficar no mesmo lugar que o "pivete".

A faixa de capitão, uma forma de tentar ver Marinho de volta em bom nível, não pegou bem internamente. O atacante só aparecia publicamente nos bons momentos e raramente falou em nome do grupo em derrotas. Os problemas físicos viraram argumento para todas as atuações ruins.

Quando o Santos perdia, Marinho reclamava de companheiros, da estratégia tática, do vazamento de escalações e muitas vezes pediu para não atuar ou treinar. Ele nunca assumiu qualquer culpa, mas aparecia nos microfones ou nas redes sociais quando se destacava.

Desde a saída de Marinho, o Santos não teve episódios de indisciplina e nem de cobranças públicas à diretoria.

Em setembro de 2021, Marinho criou polêmica numa live com o jornalista Ademir Quintino no Instagram. Ele reclamou de não receber um "plano de carreira" do Santos.

"As propostas foram recusadas pelo presidente. Tenho contrato, ninguém nunca falou comigo nesses dois anos sobre renovar, sobre plano de carreira. Eu cheguei a perguntar e falaram que não tinham condições de dar aumento. E eu pedi para pensarem quando chegar algo de fora. Falei: 'me deixa respirar'. Soteldo,

Lucas Veríssimo, Luan Peres, Kaio Jorge, Pituca, Alison... Todos saíram. E eu não saio também?"

Na ocasião, Marinho também demonstrou mágoa por não ter sido defendido de críticas pelo Santos. Ele estava em recuperação de grave lesão na coxa esquerda. O departamento médico fez um procedimento controverso à época.

"Tomei cinco pontos na minha perna, terei que reformar a tatuagem. Abriram minha perna. Quando me perguntam na rua, eu tiro o curativo e mostro. Fui muito xingado nesse período, falaram que era migué. Sim, claro [foi um erro médico]. E não me respaldaram, disseram que eu voltaria em 15 dias", falou o camisa 11.

Na ocasião, o presidente Andres Rueda negou que tenha havido erro médico no tratamento da lesão do Marinho.

"Marinho vinha se recuperando de fibrose, começou a transição e teve hematoma na coxa esquerda. Não sou médico, mas de tanto falar aprendi a sequência. Primeiro procedimento é uma punção. Com a seringa e agulha se chega a esse sangue coagulado e tenta extrair. Isso foi feito, procedimento normal e era o primeiro a ser feito mesmo. E não deu o resultado esperado. Coxa não desinchou... Com todo apoio da diretoria e equipe médica, Marinho foi para o Hospital Albert Einstein em São Paulo, com o maior especialista da área. Concordou com a punção, mas o volume do hematoma é alto e tivemos que fazer uma drenagem", explicou Rueda.

Marinho entende que poderia ter sido chamado pelo Santos para renovar o contrato em dois momentos principais: quando foi considerado o "Rei da América" e estava em recuperação de problema no joelho após o vice-campeonato da Libertadores diante do Palmeiras. E durante o tratamento da lesão na coxa. O time alvinegro, porém, nunca fez proposta.

Marinho chegou ao Santos em 2019 alando em criar raízes e a adaptação não demorou. No elenco de Sampaoli, Marinho cresceu de produção e formou uma dupla de pontas que ficou entre as mais temidas do Brasil naquele ano, ao lado de Soteldo.

Na temporada seguinte, com Cuca, veio a coroação. A improvável final de Libertadores, perdida para o Palmeiras, passou muito pelos pés do camisa 11. Ao fim do torneio, foi eleito o Rei da América.

Até aquele momento, Marinho somava 71 jogos, 32 gols e 13 assistências, média impressionante de gols e participações diretas: 0,45 gol por jogo ou 0,63 participação direta por partida.

Mas o ano de 2021 seria muito diferente. Marinho entrou em campo 42 vezes, marcou nove gols e deu quatro assistências: médias de 0,21 gol por jogo ou 0,3 participação direta por duelo, menos da metade do bom início no Peixe.

Mal em campo e insatisfeito fora dele, Marinho quis ir para o Flamengo, e o Santos quis vendê-lo. O reencontro neste sábado promete ser de pouco carinho entre os torcedores da Vila Belmiro. Os ingressos estão esgotados para o jogo.

O Flamengo não poderá contar com João Gomes, que cumpre suspensão, e Bruno Henrique, que se recupera de lesão. O zagueiro Rodrigo Caio ainda se recupera de uma tendinite no joelho esquerdo, e é dúvida para a partida. Por outro lado, Fabrício Bruno e Matheus França, que desfalcaram o time carioca na partida contra o Tolima, testaram negativo para Covid-19, e viajaram com o time a São Paulo -Arão,

Matheus Cunha e Diego Alves, que também compunham a lista de desfalques, aguardam resultados de novos testes para Covid, e são dúvidas na partida.

Uma provável escalação inicial de Dorival Júnior tem: Santos; Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas (Filipe Luís); Thiago Maia, Diego, Arrascaeta e Everton Ribeiro; Lázaro e Gabigol.

O Santos, por sua vez, será comandado novamente pelo técnico Fabián Bustos, e terá os retornos de João Paulo e Zanocelo -todos cumpriam suspensão na última rodada, em clássico contra o Corinthians. O zagueiro Eduardo Bauermann e o meia Ricardo Goulart, poupados na última partida do time alvinegro, contra o Tolima, pela Libertadores, devem estar à disposição. O atacante Marcos Leonardo, poupado por desgaste físico, também deve estar disponível.

Em compensação, o volante Rodrigo Fernández, que tomou o terceiro cartão amarelo, cumpre suspensão. Madson segue no departamento médico, enquanto o volante Sandry continua cumprindo o protocolo de isolamento por Covid-19. Portanto, uma provável escalação do Santos tem: John, João Paulo; Auro, Velásquez (Maicon), Eduardo Bauermann e Lucas Pires; Camacho, Vinícius Zanocelo, Ângelo e Bruno Oliveira (Jhojan Julio); Léo Baptistão e Marcos Leonardo.

Estádio: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Horário: Às 19h (de Brasília) deste sábado (2)
Árbitro: Anderson Daronco (Fifa/RS)
VAR: Emerson de Almeida Ferreira (MG)
Transmissão: Premiere

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