Amarelinho, o mascote criado pelo SBT que virou símbolo das Copas na TV brasileira

O personagem animado surgiu na cobertura da Copa do Mundo de 1990 para diferenciar transmissões e aproximar público da seleção

Amarelinho se tornou um dos personagens mais lembrados das transmissões esportivas da televisão brasileira

Amarelinho se tornou um dos personagens mais lembrados das transmissões esportivas da televisão brasileira | Reprodução

Criado para diferenciar a cobertura esportiva do SBT na Copa do Mundo FIFA de 1990, o mascote Amarelinho se tornou um dos personagens mais lembrados das transmissões esportivas da televisão brasileira. A ideia surgiu em 1989, quando a emissora buscava uma forma de competir com as coberturas de TV Globo, Rede Manchete e Band no Mundial disputado na Itália.

Na época, o jornalista Roberto Cabrini, então diretor do departamento de esportes da emissora, reuniu o diretor de computação gráfica Fernando Pelegio e o diretor de criação Angelo Henrique Ribeiro para discutir estratégias que pudessem destacar o canal na disputa pela audiência.

Durante a reunião, inspirados por transmissões de ligas esportivas norte-americanas, como a NBA e a NFL, surgiu a proposta de criar um personagem animado que reagisse aos lances dos jogos.

A solução foi uma bolinha amarela que aparecia na tela durante as partidas da seleção brasileira. Quando o time marcava um gol, comemorava; em momentos de tensão, chorava ou demonstrava preocupação. Batizado de Amarelinho por Cabrini, o personagem rapidamente conquistou o público.

Inspiração na narração de torcedor

Durante o desenvolvimento da ideia, os criadores citaram o narrador Silvio Luiz como referência. Conhecido por conduzir transmissões com tom de torcedor, ele era considerado um diferencial da concorrente Band.

“Quando o Silvio Luiz passou de repórter para narrador, ele virou uma espécie de voz do torcedor. A gente quis criar um torcedor visual”, explicou Fernando Pelegio ao UOL Esportes, enquanto relembra o processo de criação do mascote.

Nas transmissões do SBT, o Amarelinho interagia indiretamente com o narrador Luiz Alfredo, que comentava as reações do personagem durante os jogos da seleção. Em momentos difíceis, ele chegava a consolá-lo com frases como: “Não chora, Amarelinho!”.

Disputa por audiência

Segundo Roberto Cabrini, a intenção da emissora era romper com o formato tradicional das transmissões esportivas. O mascote funcionava como um símbolo que representava o torcedor brasileiro diante da televisão.

“A gente queria um personagem que representasse quem estava em casa torcendo pela seleção e que fosse simpático para todos, inclusive para quem não acompanhava futebol”, afirmou o jornalista.

O resultado foi imediato. O personagem se popularizou entre crianças e adultos, virou tema de comentários nas ruas e passou a aparecer em reportagens e notas em jornais da época.

“A repercussão foi imediata. As pessoas comentavam muito sobre o Amarelinho, e o Luiz Alfredo foi muito feliz na interação com o personagem durante as transmissões”, lembrou Pelegio.

Para Cabrini, o impacto também se refletiu na audiência. “A gente ficou em segundo lugar na audiência na Copa de 90 e ninguém esperava. O Amarelinho foi fundamental. Ele era muito inovador para os padrões da época.”

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Presença nas Copas

O sucesso levou o mascote a continuar nas coberturas esportivas da emissora nas Copa do Mundo FIFA de 1994 e Copa do Mundo FIFA de 1998, além das transmissões das Jogos Olímpicos de Barcelona 1992 e dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996.

Com o passar dos anos, porém, mudanças no padrão de transmissão das Copas limitaram intervenções das emissoras nas imagens oficiais. Desde 2002, os sinais são produzidos pela FIFA e distribuídos aos detentores dos direitos, o que impede alterações como a inserção de mascotes próprios.

Mesmo assim, o personagem voltou a aparecer em 2021 durante a transmissão da Copa América de 2021 pelo SBT, desta vez com visual atualizado.

Segundo Pelegio, o retorno gerou forte reação do público. “As pessoas sentiam falta do Amarelinho. Hoje temos um mundo diferente, com redes sociais, e o retorno foi imediato.”