Mostra de Artes na rede de ensino fundamental homenageia cultura negra

Dança, teatro, música, literatura e culinária foram umas das vertentes pesquisadas e apresentadas pelos alunos

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26 NOV 201317h02

Em virtude do Dia da Consciência Negra, comemorado no último dia 20, as escolas municipais de ensino fundamental de Guarujá seguiram uma programação diferenciada, durante toda a semana. Os alunos realizaram pesquisas aprofundadas sobre a cultura negra e, realizaram diversas apresentações. A iniciativa é da Secretaria de Educação.

Danças, músicas, poesias, pinturas, teatros e comidas típicas marcaram a semana de homenagem à cultura negra. Alunos e professores deram as mãos em busca de um objetivo em comum, realizar as apresentações com produção própria, inclusive roupas, cenário, figurino, decoração e cartazes. O produto final foi confeccionado com material reciclável. Na EM Francisco Figueiredo (Santa Clara), as apresentações aconteceram na última terça-feira (19), com a união de três disciplinas: Língua Portuguesa, Educação Especial e Artes.

A professora de educação artística da unidade, Vitorina Fátima Codo, afirma que o objetivo das atividades é superar uma grande dificuldade enfrentada na sociedade, a consciência. “Com a produção da coreografia da dança Maculelê e do jogo de capoeira, os alunos podem compreender melhor a cultura que fez parte da história do Brasil”.

Já com a professora de educação especial, Valdileia Deize Rocha Carvalho, os alunos produziram “O Teatro do Oprimido”. A história conta a vida de um menino negro, que é usuário de drogas e, recusando ajuda de amigos e familiares, morre de overdose. De maneira lúdica, a platéia se envolve no final da dramatização, criando um final diferente para o jovem.

Segundo a educadora, uma atividade que pode parecer simples agrega grande conhecimento. “O envolvimento dos alunos nesse tipo de apresentação dinâmica, evolui a produção em sala de aula, melhorando a prática da opinião, expressão e argumentação de ideias”.

O evento contou com total produção dos alunos. Desde o discurso da abertura, até os cartazes e confecções que decoraram o cenário no dia das dez apresentações. “Nós, professores, fizemos nossa parte de orientar o trabalho dos alunos. Porém, a criatividade veio de cada um, resultado que surpreendeu aos educadores e pais”, afirma a professora de língua portuguesa, Sara Correia da Cruz Dias.

A coordenadora de Educação Artística da Seduc, Gislaine dos Santos, afirma que os alunos foram além do aprendizado básico que as atividades proporcionam. “As apresentações culturais mostraram aos alunos que a cultura negra está no nosso cotidiano, como por exemplo, músicas, celebridades e idiomas que conhecemos e utilizamos na nossa rotina”.

EM 1º de Maio utiliza teatro e dança para marcar data

Cerca de 120 alunos, de 7º, 8º e 9º ano, estavam envolvidos nas apresentações culturais na EM 1º de Maio (Jardim Boa Esperança). As exposições de sarau, dança e teatro, que compuseram a programação especial na unidade aconteceram na última sexta-feira (22).

Foi no princípio do semestre que as pesquisas começaram. Cada classe abordou um tema diferente da cultura negra. As danças típicas, elaboração de comidas regionais, produção de poesias e cartazes marcaram o dia das apresentações.

As alunas do 6º ano reproduziram uma dança típica, com a música Pérola Negra. A orientadora de ensino, Marileida Gonçalves, se responsabilizou por confeccionar as roupas para a apresentação dançante.

A aluna Letícia da Silva simbolizou a pérola negra na coreografia. “Com os ensaios e a apresentação, aprendemos que por dentro somos todos iguais, por isso não há razão de desrespeito e discriminação entre povos e raças diferentes”.

O evento começou com a abertura realizada pelo Presidente do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Anderson Bernardes. “As consciências são importantes a ser aplicadas na juventude, para formar opiniões e contar com o apoio contra o preconceito”. O presidente concluiu o discurso para os alunos exemplificando como o País ainda está em desenvolvimento no quesito valorização do negro no mercado de trabalho.

A orientadora de ensino diz que o cronograma dos assuntos foi elaborado a partir da necessidade de aprendizado. “O objetivo de todas as atividades, desde a sala de aula, é que os alunos aprendam o valor de respeitar o outro, independente do quão diferente ele pareça ser”.

A secretária de Educação de Guarujá, Priscilla Bonini, parabenizou toda a equipe pela abordagem do tema. “Nossas educadoras conseguiram aplicar o conteúdo de maneira dinâmica e eficaz. É muito importante ver que os alunos aprendem e passam essa reflexão adiante. Vemos que os estudantes compreenderam a relevância do respeito ao próximo, independente de cor ou classe social”.