Governo Doria muda currículo do ensino médio para conter evasão no pós-pandemia

São Paulo é o primeiro estado do País a elaborar a mudança curricular determinada pela lei do novo ensino médio

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03 AGO 2020Por Gazeta de S. Paulo20h05
De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, para elaborar a proposta foram ouvidos 140 mil estudantes e 18 mil professoresFoto: Divulgação Governo de Estado

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira que o Estado de São Paulo vai mudar o currículo do Ensino Médio a partir de 2021. A alteração começará pela primeira série e seguirá de forma progressiva ano a ano. Com isso, São Paulo Paulo é o primeiro estado do País a elaborar a mudança curricular determinada pela lei do novo ensino médio, sancionada em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB).

Dentre as mudanças, os alunos de escolas públicas e particulares poderão escolher até duas áreas de conhecimento para aprofundar seus estudos, entre linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza.

“O objetivo é criar uma escola que dialogue com a realidade atual da juventude, que se adapte às necessidades dos estudantes e os prepare para viver em sociedade e enfrentar os desafios de um mercado de trabalho dinâmico”, afirmou o governador tucano, durante coletiva de imprensa.

O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, afirmou que a mudança será fundamental para atrair e manter os jovens na escola e tentar conter o aumento da evasão escolar após a crise provocada pelo novo coronavírus.

O currículo está alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio, homologada pelo próprio Rossieli Soares quando ocupou o cargo de Ministro da Educação, em dezembro de 2018.

“É mais um passo de uma longa caminhada. São Paulo sempre foi referência quando se fala em construção curricular e vai servir de grande exemplo. Nosso bônus demográfico acaba agora, entre o final do ano de 2022 para 2023. Começamos a virar a chave e teremos menos jovens, por isso, formá-los cada vez melhor será ainda mais importante para o nosso País”, avaliou o secretário.

De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, para elaborar a proposta foram ouvidos 140 mil estudantes e 18 mil professores. O plano foi discutido ainda em seis seminários on-line com participação de 70 mil profissionais da rede e por meio de uma consulta pública com 98.856 participantes e 397.636 contribuições ao documento entre os dias 19 de março e 8 de maio de 2020.

ESTRUTURA DO CURRÍCULO.
O currículo do ensino médio paulista está estruturado em 3.150 horas, distribuídas em um período de três anos. Do montante total da carga horária, 1.800 horas são destinadas à formação básica e o restante, 1.350 horas, é referente aos itinerários formativos. Estes itinerários terão mais do que a carga mínima prevista na legislação.

Na formação geral básica, os estudantes terão os componentes curriculares divididos em áreas de conhecimento como linguagens e suas tecnologias (língua portuguesa, artes, educação física e língua estrangeira); matemática; ciências humanas e sociais aplicadas (história, geografia, filosofia e sociologia); e ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física).

Na carga horária referente aos itinerários formativos, o estudante precisa escolher uma ou duas áreas de conhecimento da formação geral para aprofundar seus estudos, ou ainda, a formação técnica e profissional para se especializar.

Os componentes do programa Inova Educação também farão parte dos itinerários formativos, com as disciplinas de eletivas (educação financeira, teatro, empreendedorismo), projeto de vida (aulas que ajudam o estudante na gestão do próprio tempo, na organização pessoal, no compromisso com a comunidade) e tecnologia e inovação (mídias digitais, robótica e programação).