Estudo: Alunos dos anos iniciais tiveram regressão na aprendizagem durante a pandemia

Seduc-SP aponta que o reforço de ações em curso e a retomada das aulas contribuem para reduzir impacto atual

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27 ABR 2021Por Da Reportagem14h20
Em cada ano escolar, foram avaliados, aproximadamente, 7 mil estudantes, considerando uma amostra representativa e de diferentes perfis sociais e regionais do Estado, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e MatemáticaEm cada ano escolar, foram avaliados, aproximadamente, 7 mil estudantes, considerando uma amostra representativa e de diferentes perfis sociais e regionais do Estado, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e MatemáticaFoto: Divulgação

Estudo indica que o impacto na aprendizagem causado pela pandemia da Covid-19 é maior entre alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede pública estadual. A avaliação foi aplicada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) em estudantes do 5º e o 9º anos do Ensino Fundamental e a 3º série do Ensino Médio, no início do ano letivo 2021, da Secretaria Estadual da Educação (Seduc-SP).

Em relação aos resultados alcançados em 2019, as maiores diferenças na escala de proficiência foram verificadas no 5º ano do Ensino Fundamental, em Matemática (em que os estudantes apresentaram 46 pontos a menos do que o resultado do SAEB 2019 - queda de 19% na aprendizagem) e Língua Portuguesa (29 pontos a menos - queda de 13%). Para o 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º do Médio, porém, a defasagem foi menor, embora com perdas no aprendizado. Isso sugere, então, que o impacto da mudança para o ensino remoto foi maior entre os estudantes mais novos.

O cenário desafiador atual foi comentado pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares. “Trata-se de uma das primeiras e mais importantes pesquisas com o tema na atualidade. Diante desses dados, temos a convicção da importância do retorno às aulas para contribuir no processo de retomada de aprendizagem dos nossos alunos e para reduzir, aos poucos, todos os impactos causados, e já previstos, pelo distanciamento social”, afirma.

ESTUDO.
Em cada ano escolar, foram avaliados, aproximadamente, 7 mil estudantes, considerando uma amostra representativa e de diferentes perfis sociais e regionais do Estado, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática. Aplicados em formato impresso e de forma presencial, os testes incluíam itens baseados nas escalas de proficiência do SAEB.

A pesquisa comparou a proficiência desse grupo de estudantes, que iniciam agora o 5º e o 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º do Médio, com o nível atingido pelo grupo que concluiu as mesmas etapas em 2019. Assim, a rede estadual de São Paulo identifica quanto, em média, esses estudantes precisam avançar neste período letivo para alcançar o mesmo resultado de anos anteriores devido às perdas de aprendizagem causadas durante a pandemia.

RETOMADA.
Para o secretário Rossieli Soares, o estudo, aliado ao trabalho em andamento, será essencial para que a educação pública estadual mantenha os objetivos em um momento conturbado. “As informações obtidas podem, agora, orientar a manutenção e o desenvolvimento de políticas eficazes à retomada da aprendizagem, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Nossos esforços são direcionados para retomar o ciclo positivo alcançado antes da pandemia”, conta.

De acordo com resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), no 9º ano do Ensino Fundamental, de 2017 a 2019, houve um avanço de aproximadamente 5 e 8 pontos na escala de proficiência em Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente. No 3º do Ensino Médio, o progresso verificado no mesmo intervalo de tempo é ainda maior: em torno de 13 pontos para Língua Portuguesa e 10 para Matemática.

ESTRATÉGIAS.
Desde o dia 8 de setembro do ano passado, o Governo de SP autorizou a reabertura das escolas para atividades de reforço e acolhimento emocional. A retomada de aulas para o Ensino Médio ocorreu em 7 de outubro e, para o Ensino Fundamental em 3 de novembro, pautado em medidas de contenção da epidemia, seguindo as recomendações sanitárias do Centro de Contingência do Coronavírus.

Em janeiro deste ano, 140 mil estudantes da rede estadual participaram das aulas presenciais de reforço e recuperação e em 8 de fevereiro houve o início do ano letivo de 2021, com aulas presenciais para até 35% dos estudantes, diariamente.

Para a retomada segura, a Seduc-SP adquiriu e distribuiu uma série de insumos destinados tanto aos estudantes quanto aos servidores, como 12 milhões de máscaras de tecido, mais de 440 mil face shields (protetor facial de acrílico), 10.740 termômetros a laser, 10 mil totens de álcool em gel, 221 mil litros de sabonete líquido, 78 milhões de copos descartáveis, 112 mil litros de álcool em gel, 100 milhões de rolos de papel toalha e 1,8 milhão de rolos de papel higiênico.

Em todo o Estado, as 5,3 mil escolas estaduais receberam R$ 1,4 bilhão através do Programa Dinheiro Direto na Escola de SP entre 2020 e 2021. Essa verba foi destinada para manutenção e conservação das unidades para a volta segura das aulas presenciais.

Programa de Recuperação e Aprofundamento (PRA) - Apoia a recuperação da aprendizagem dos estudantes do Ensino Fundamental e Médio. Contempla seis principais frentes: currículo, materiais, formação, avaliação, acompanhamento e tecnologia. Este apoio também é executado através do Projeto e Reforço e Recuperação (PRR), que consiste na atribuição de aulas para professores de Língua Portuguesa e Matemática. Ou seja, é um professor a mais que a turma tem, além do professor regente, para apoiar neste processo, de forma mais próxima e personalizada. Atualmente, são 2261 professores e mais de 32 mil aulas semanais. Em classes do 1º ao 5º, são 21 aulas semanais.

ALÉM DA ESCOLA.
Amplia a carga horária de alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio das escolas regulares (incluindo EEI – Indígena, Quilombo, Área de Assentamento e alunos do noturno regular das PEIs), por meio do oferecimento de conteúdos do Centro de Mídias da Educação de São Paulo (CMSP) e de demais plataformas educacionais parceiras, além de orientação de estudos com um professor duas vezes por semana, via chat do CMSP. O tempo extra de estudo varia conforme o período: 01h45 por dia caso os estudantes sejam do período diurno, e 01h15 para alunos matriculados no noturno. Para realizar o Programa, a Seduc disponibilizou 500 mil chips de internet.