Cursos livres viram alternativa para alunos voltarem às escolas

Escolas particulares oferecem esportes e outras atividades enquanto governo não autoriza reabertura e retorno das aulas presenciais

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19 SET 2020Por Gazeta de S. Paulo11h48
Flávia e os filhos Helena e Eduardo, alunos do Colégio Magno/Mágico de OzFoto: DIVULGAÇÃO

Por Gladys Magalhães

Desde meados de julho, o governo do estado de São Paulo autorizou a retomada presencial das aulas de cursos extra-curriculares no Estado. Com as escolas fechadas desde março, muitos pais resolveram recorrer a estes cursos para dar um alívio na quarentena das crianças.

O empresário Arnaldo Pinheiro de Camargo Júnior, 45 anos, é um destes pais. Os filhos dele, Bruno e Felipe, de 12 e 14 anos, respectivamente, voltaram a frequentar a escola que estudam, o Colégio Renovação, na Água Funda, para as aulas de futebol e basquete.

“Quando a escola comunicou que haveria estes cursos, eles logo vieram pedir. Eu os acompanhei na primeira aula para ver se haveria todos os cuidados e fiquei bem tranquilo. A aula demora em torno de 50 minutos e é bem diferente de passar o tempo todo na escola, acho que isso também me deixou mais seguro, fora que é um respiro na rotina deles”, diz o pai.

Segundo o professor de educação física e coordenador de esportes do Colégio Renovação, Thiago Rodrigues Honório Carlos, para que a escola pudesse voltar com as aulas de futebol, futebol society, vôlei e basquete, foi preciso muitas adaptações. “Limitamos o número de alunos e os exercícios foram elaborados para manter o distanciamento, uso de máscara e os protocolos dentro da unidade. Além disso, não estamos fazendo jogos coletivos, apenas trabalhando os fundamentos e exercícios táticos, pois o objetivo principal é retomar o condicionamento físico e a interação social.”

A psicóloga Flávia Savoia, 36 anos, também optou por mandar os filhos Eduardo, de 1 ano, e Helena, 5, novamente para a escola. Alunos do Colégio MagnoMágico de OZ, eles estão frequentando a recreação infantil e natação. “A escola sempre nos manteve informados do que estava acontecendo, então, quando eles voltaram com os cursos, foi muito tranquilo para a gente deixar que eles voltassem, pois vimos que todos os protocolos de segurança seriam seguidos (...). Eu acredito muito na necessidade de socialização e me sinto muito mais segura de levá-los a um lugar que sei que há profissionais tomando todos os cuidados, do que em um parque, por exemplo, onde não há nenhum tipo de controle.”

O Colégio MagnoMágico de OZ, que fica no Jardim Marajoara, está oferecendo mais de uma dezena de cursos desde agosto. A diretora pedagógica Cláudia Tricate diz que 30% dos alunos estão frequentando as atividades.

De olho na segurança

Os dois colégios com os quais a Gazeta conversou estão adotando protocolos rígidos de segurança para a ofertas de cursos. Nos dois estabelecimentos há aferição de temperatura, túnel de desinfecção, tapete sanitizante, lugares demarcados para realizar as atividades, entre outros.

Na opinião da infectopediatra Adriana Paixão, da Beneficência Portuguesa, observar a segurança da escola é o principal para decidir enviar ou não a criança. “É claro que o fato da criança retornar para uma atividade que envolva o convívio com outras pessoas aumenta o risco de contaminação. É maior do que o risco dela permanecer em quarentena em casa. Mas, optando-se pelo retorno, deve-se verificar com as escolas as medidas que estão sendo adotadas para a redução do risco de contaminação, como uso de máscaras e higienização das mãos, e a capacidade da criança em cumprir com essas normas”, alerta.

A professora Daniele Kobsyashi, coordenadora de Pedagogia da Anhanguera Campinas - Ouro Verde, concorda, mas acrescenta que o curso não deve ser remediativo para o momento, “ele precisa constituir-se como uma atividade significativa”. Assim, ela finaliza, além de observar a segurança é preciso observar os objetivos do curso escolhido.