Vendas do comércio caem 0,6% em abril

A queda ocorre após dois meses de estabilidade

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12 JUN 2019Por Folhapress10h57
Cinco das oito atividades tiveram queda de março para abrilFoto: Nair Bueno/Diário do Litoral

O volume de vendas do varejo brasileiro recuou 0,6% em abril ante o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (12). A queda ocorre depois de dois meses de estabilidade -em março o resultado foi revisado de 0,3% para 0,1% e, em fevereiro, de 0% para -0,1%, na comparação mensal.

"Os resultados mostram que há uma perda de ritmo no varejo em 2019", afirma a gerente da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, Isabella Nunes.
A situação, explica Nunes, ocorre em função do alto nível de desemprego e a baixa atividade econômica no país. "Isso dificulta o crescimento da massa de rendimentos, que é fator fundamental para o crescimento significativo do consumo", diz.

Em relação a abril de 2018, houve alta de 1,7% no volume de vendas de varejo, de acordo com o IBGE. O acumulado no ano é de 0,6% e, nos últimos 12 meses, de 1,4%. O setor segue 7,3% abaixo do seu nível recorde, alcançado em outubro de 2014.

Cinco das oito atividades tiveram queda de março para abril. Os destaques ficaram com hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%) e tecidos, vestuário e calçados (-5,5%).

Também houve recuo nas vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-8,0%), revertendo os resultados positivos apresentados no mês de março.

As atividades em alta nessa comparação foram apenas móveis e eletrodomésticos (1,7%) -que registra o quarto resultado positivo consecutivo -combustíveis e lubrificantes (0,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (4,3%).

Ecommerce e páscoa

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o melhor desempenho de abril foi observado nas vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico, com taxa de crescimento de 13,4%, a mais alta do ano.

O segmento engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc. e foi beneficiado pelo dinamismo vindo do ecommerce e do deslocamento do feriado da Páscoa, explica o instituto. As comemorações neste ano aconteceram majoritariamente em abril, enquanto, no ano passado, ocorreram em março.

O calendário da Páscoa também teve impacto positivo nas vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que subiram 1,6% em abril, ante igual período do ano anterior.

A maior contribuição negativa nessa base de comparação ficou por conta da venda de combustíveis e lubrificantes, com recuo de 3,6%. A elevação dos preços de combustíveis, acima da variação média dos preços, é o fator relevante que vem influenciando negativamente o setor.

O volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças, e de material de construção, ficou estável em relação a março de 2019, após avançar 1,1% no mês anterior. Na comparação com abril de 2018, foi observada alta de 3,1%.

Expectativas

Pesquisa de sondagem do comércio feita pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas) sugere que o setor segue cauteloso. Em maio, o Índice de Confiança do Comércio, calculado pelo instituto, recuou 5,4 pontos, ao passar de 96,8 para 91,4 pontos, retornando ao mesmo nível de setembro de 2018.

"A nova queda expressiva da confiança do comércio sugere que os empresários do setor ainda estão encontrando dificuldades com o ritmo de vendas no segundo trimestre. Os indicadores de situação atual refletem o fraco desempenho da atividade no início de 2019" avalia o coordenador da pesquisa, Rodolpho Tobler.

A pesquisa Focus do Banco Central vem apresentado recorrentes reduções na expectativa para o crescimento econômico do país neste ano. A estimativa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) foi rebaixada pela 15ª vez na última semana, chegando a 1% para 2019.

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