Sonegadores custam mais de 353 bilhões ao Brasil

Segundo o especialista Cristiano Xavier, a situação é antiga, mas precisa de medidas severas com urgência. Líder na cobrança de impostos, o país pede socorro aos cidadãos de bem

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19 NOV 201318h02

Considerado um dos países com maior taxa de impostos do mundo e menor índice de desenvolvimento, o Brasil é líder também na sonegação fiscal, conforme mostra o site do Sonegômetro. “O país está tomado por um processo interminável e interligado de sonegação fiscal e alta carga tributária. Não podemos separar as duas coisas, pois elas alimentam essa corrente”, explica o especialista Cristiano Diehl Xavier, do Xavier Advogados. Para ele, o problema prejudica os contribuintes comuns, onera o consumo e intensifica a impunidade. “Não temos medidas efetivas para o combate à corrupção – aliada em primeiro grau dos sonegadores”, completa.

A sonegação fiscal é uma fraude, conforme explica Xavier. “Nada mais é do que a violação da lei fiscal, ou seja, é crime que pode, inclusive, ocasionar prisão em flagrante”, conta.  A ideia de um possível Brasil desenvolvido não é verdadeira, visto que nações de primeiro mundo possuem poucos tributos e impostos, distribuem corretamente os recursos e, consequentemente, sonegam pouco. “Um cidadão de bem trabalha cerca de quatro meses apenas para dar contas dos impostos mais comuns. No quesito empresarial, podemos considerar impossível um gestor honesto competir com um desonesto, desde os que não assinam a carteira dos empregados, passando por vendedores de produtos sem registro e nota até os que baixam música pela internet”, conta.

O Brasil é líder na sonegação fiscal (Foto: Divulgação)

A sonegação representa hoje mais de 353 bilhões de prejuízo aos cofres públicos da Receita Federal. “Esse valor é assustador e aumenta todos os dias. A sonegação no Brasil é uma questão de calamidade, que precisa ser combatida e grita pelo socorro e alerta dos próprios cidadãos”, diz. Para Xavier, os únicos prejudicados são os pagadores honestos. “As pessoas e empresas que não fraudam assumem inconscientemente a dívida consciente dos outros e o Brasil segue liderando na corrupção, o que nos torna um dos piores prestadores de serviços públicos em saúde, educação e segurança”, conclui.