O artesanato deixou de ser um bico para se tornar um negócio estruturado / Freepik
Continua depois da publicidade
O que antes era visto apenas como um passatempo ou atividade complementar, hoje consolida-se como uma potência econômica. O artesanato brasileiro movimenta anualmente R$ 50 bilhões, transformando itens básicos como linhas de bordado, pedrarias e fitas de cetim em insumos para um exército de 8,5 milhões de trabalhadores.
Segundo dados do Sebrae, a maioria desse contingente é formada por mulheres que encontraram nas técnicas manuais sua principal fonte de renda e uma porta de entrada para o empreendedorismo.
Continua depois da publicidade
A profissionalização do setor é o motor dessa expansão. A CEO da Ladeira Armarinhos, Ana Paula, observa que houve uma mudança drástica no perfil do consumidor nas últimas duas décadas.
Se antes o público buscava materiais para uso pessoal, hoje a maioria é composta por microempreendedores com frequência de compra mensal e foco em diversidade de fornecedores. Para ela, o artesanato deixou de ser um bico para se tornar um negócio estruturado.
Continua depois da publicidade
A regulamentação da profissão em 2015 e os impactos da pandemia aceleraram a formalização dos artesãos. Entre janeiro e agosto de 2022, o número de cadastros no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab) mais que dobrou.
A gestora de Artesanato do Sebrae Nacional, Durcelice Mascêne, explica que a busca das pessoas por mais acolhimento em seus lares gerou uma demanda crescente por decoração personalizada e peças únicas feitas à mão.
Vânia Maria, artesã e representante da categoria, ressalta que o trabalho vai além da produção de objetos, sendo uma expressão de identidade e cultura pura.
Continua depois da publicidade
O setor também cumpre um papel social relevante: pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora revela que 73% das empreendedoras no país são mães, e o artesanato oferece a flexibilidade necessária para conciliar a gestão do lar com a geração de renda.
O mercado atual é moldado por três pilares principais: sustentabilidade, personalização e tecnologia.
O consumo consciente impulsiona artesãos que utilizam materiais reciclados e fibras naturais, enquanto a busca por exclusividade mantém em alta a procura por artigos de decoração sob medida e joias personalizadas.
Continua depois da publicidade
Essa efervescência reflete diretamente nos fornecedores de matéria-prima. Na Ladeira Armarinhos, os canais de vendas online registraram um salto de 80% no primeiro trimestre de 2025.
A integração entre o estoque físico e o digital permite que o artesão moderno compre pelo celular em horários alternativos e acompanhe o pedido em tempo real.
Ana Paula destaca que o investimento em tecnologia e treinamento técnico é essencial para atender um mercado que se tornou mais exigente e profissionalizado.
Continua depois da publicidade
Apesar de desafios como o custo das matérias-primas e o acesso ao crédito, a perspectiva para os próximos anos é de crescimento contínuo, consolidando o artesanato como uma força econômica estratégica que valoriza a cultura local e o consumo consciente.